Quando Joan Laporta voltou à presidência do Barcelona, uma das principais promessas feitas durante a campanha era recuperar o protagonismo de La Masía. O entendimento interno era de que o clube havia perdido força na formação de talentos nos anos anteriores e precisava voltar a transformar sua base em uma das maiores referências do futebol europeu.
O trabalho começou ainda no início do novo mandato e, olhando para o cenário atual, o resultado aparece tanto dentro quanto fora de campo.
Além de recolocar jovens no elenco principal, o Barcelona também encontrou uma nova forma de gerar receitas em um momento em que o equilíbrio financeiro continua sendo uma das prioridades do clube.
Nesse processo, o papel de Deco ganhou destaque.
Desde que assumiu a direção esportiva em 2022, o dirigente participou de uma estratégia que permitiu ao Barcelona arrecadar aproximadamente 100 milhões de euros com vendas de jogadores formados em La Masía.
Barcelona fortalece elenco com jovens e também transforma base em negócio
O principal objetivo continua sendo o mesmo: formar atletas para o time principal.
Hoje, o elenco do Barcelona conta com uma presença forte de jogadores desenvolvidos dentro do próprio clube.
Nomes como Lamine Yamal, Dani Olmo, Fermín, Gavi, Casadó, Bernal, Balde, Gerard Martín, Cubarsí e Eric García representam esse modelo esportivo que o clube buscava recuperar.
Além da participação direta no elenco profissional, esses jogadores também simbolizam o valor esportivo e financeiro criado pela base.
Mas existe outro lado desse processo.
Nem todos os atletas conseguem espaço definitivo no elenco principal e, nos últimos anos, o Barcelona passou a trabalhar melhor justamente essa transição para outros mercados.
A ideia deixou de ser apenas formar jogadores. O clube também passou a buscar formas de monetizar talentos que não teriam sequência no Camp Nou.
Deco muda estratégia e melhora desempenho do Barcelona nas vendas
Durante muito tempo, uma das críticas recorrentes ao Barcelona era a dificuldade para negociar atletas formados em casa.
Diversos jogadores deixavam o clube por valores baixos ou encerravam vínculo sem gerar retorno financeiro significativo.
Esse cenário mudou.
Nos últimos meses, algumas negociações reforçaram essa estratégia.
Recentemente, o Barcelona acertou a venda de Iñaki Peña para o Panathinaikos por três milhões de euros.
Outro movimento encaminhado envolve Ansu Fati, que deve ter sua opção de compra exercida pelo Monaco em um acordo avaliado em 11 milhões de euros.
Somadas, apenas essas duas operações representam entrada de 14 milhões de euros.
Mas elas fazem parte de um plano maior construído desde a chegada de Deco.
17 jogadores vendidos ajudam Barcelona a alcançar marca milionária
Desde 2022, o Barcelona realizou a venda de 17 jogadores formados em sua base.
Entre todos os nomes negociados, quem mais gerou retorno foi Nico González.
Ao longo das operações envolvendo suas passagens por Valencia, Porto e posteriormente Manchester City, o clube acumulou cerca de 21,4 milhões de euros.
Outras vendas que tiveram peso importante nessa arrecadação incluem Mika Faye, Chadi Riad, Dro e Abde.
Também fazem parte da lista jogadores como Mika Mármol, Marc Guiu, Alex Valle, Alex Collado, Marc Cardona, Estanis, Noah Darvich, Sergi Domínguez, Unai Hernández, Jan Virgili e Altimira.
Esse conjunto de negociações permitiu ao Barcelona alcançar a marca simbólica dos 100 milhões de euros gerados apenas com atletas desenvolvidos internamente.
Clube mantém participação em futuras vendas e pode ampliar receitas
Outro detalhe importante da estratégia é que muitos desses acordos não encerram totalmente o vínculo econômico do Barcelona com os atletas.
Em algumas negociações, o clube manteve percentuais sobre futuras transferências.
Um exemplo é Abde.
Na venda para o Betis, o Barcelona preservou 20% dos direitos sobre uma negociação futura.
Situação semelhante acontece com Ansu Fati, em que o clube manteve direito sobre 30% de uma próxima transferência.
Esse tipo de operação permite que receitas futuras continuem entrando mesmo depois da saída definitiva dos jogadores.
Na prática, os 100 milhões já arrecadados ainda podem crescer nos próximos anos.
Casadó pode ser próximo nome a gerar nova receita ao Barcelona
E a estratégia parece longe de terminar.
Nos bastidores, existe expectativa de que uma nova negociação importante aconteça ainda nesta temporada.
Marc Casadó aparece como um dos nomes mais próximos de deixar o clube.
Segundo o cenário atual, Barcelona e jogador já teriam alinhado uma possível saída.
Caso o negócio avance, a expectativa é que o valor da transferência fique entre 20 e 25 milhões de euros.
Se confirmado, será mais um capítulo de um movimento que mostra uma mudança importante no clube: além de formar jogadores para competir, La Masía passou também a ser vista como uma ferramenta relevante para sustentar financeiramente o futuro do Barcelona.
Foto: Divulgação/FC Barcelona.