Batalha dos Sexos
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Batalha dos Sexos é mais um erro do tênis na busca pelo espetáculo

A Batalha dos Sexos entre Aryna Sabalenka e Nick Kyrgios tem sido alvo de grande polêmica. Além de se tratar de algo inútil ao ser comparado com a disputa entre Billie Jean King e Bobby Riggs nos anos 70, ainda há outro detalhe que incomoda: o tênis está em busca de uma ‘espetacularização’.

Não é uma novidade que o esporte busca se reinventar e trazer novos telespectadores. Contudo, as pessoas envolvidas seguem empenhadas em andar pelo caminho errado. Essa não é a primeira vez e dificilmente será a última, até porque os ‘chefões’ da ATP e WTA seguem permitindo que sauditas tenham cada vez mais espaço.

A busca pelo dinheiro e mais atenção tem gerado problemas e irritado aqueles que, de fato, assistem tênis.

Aryna Sabalenka Nick Kyrgios
Sabalenka e Kyrgios irão se enfrentar no fim do ano. Foto: Divulgação

Batalha dos Sexos e o espetáculo

Há vários erros em como essa nova Batalha dos Sexos tem sido produzida. Primeiro, poderiam apenas fazer um amistoso comum, sem qualquer fator por trás. Deixar um homem e uma mulher se enfrentarem em quadra sem qualquer pressão por tentar provar que um é melhor ou merece o mesmo que o outro. Não dá para fingir que o machismo não afeta a modalidade, mas, nos dias atuais, esse não seria o melhor caminho a se seguir.

No entanto, foi exatamente por esse caminho que os promotores e os próprios tenistas do evento optaram. Primeiro a escolha para o nome do evento, fazendo referência a partida histórica entre BJK e Riggs. No entanto, enquanto aquele confronto poderia de fato trazer um benefício para as mulheres, o que esse faz?

O resultado sequer irá importar, as desculpas estarão prontas para atacar o tênis feminino. Além disso, qual a necessidade de ser com Nick Kyrgios? O mesmo polêmico tenista australiano que se declarou culpado de agredir a ex-namorada em 2021. É realmente o nome ideal para esse tipo de disputa ou vale tudo para o espetáculo?

Só que a Batalha dos Sexos não é a única forma que o esporte tentou criar esse tipo de ‘show’. O documentário da Netflix, ‘Break Point’ também é mais um exemplo, sendo uma espécie de cópia do ‘Drive to Survive’, que seguia os pilotos da Fórmula 1. No entanto, no tênis, houve uma grande espetacularização da depressão de alguns atletas.

Outro exemplo são as vendas de eventos para o Oriente Médio, muitos indo para a Arábia Saudita. O país saudita chegou a oferecer R$ 10 bilhões para mudar o calendário, segundo o jornal Telegraph em 2024, e o Masters 1000 foi anunciado há algumas semanas. Até mesmo o jogo entre Sabalenka e Kyrgios irá acontecer em Dubai.

Representantes da ATP e da Arábia Saudita — Foto: Getty Images
Representantes da ATP e da Arábia Saudita em 2024. Foto: Getty Images

Ao menos tem conseguido atrair público?

Não é o que parece. Essas atitudes não deixam o tênis mais atrativo para um novo público, mas há várias coisas que podem ajudar. Nomes vencedores ajuda, e esses atletas se enfrentando ajudam ainda mais. Jannik Sinner e Carlos Alcaraz são, nesse momento, a maior rivalidade do mundo esportivo.

Ambos são jovens e devem ficar no topo da ATP por muitos anos, vamos trabalhar divulgações em cima de ambos. A final de Roland Garros entre os rivais pode servir como exemplo. Uma batalha épica, com uma virada emocionante, pode trazer muitos mais fãs para o esporte que qualquer outra coisa.

Já a WTA precisa, e muito, melhorar o seu marketing. O circuito feminino tem grandes, reconhecido, nomes. A disputa entre Aryna Sabalenka e Iga Swiatek pode ser tão divertida quando a de Sinner e Alcaraz. Mas a entidade falha ao divulgar suas atletas.

O espetáculo pode ajudar a iniciar um interesse, mas não é o que irá manter o público. Pior ainda ‘shows’ forçados e com polêmicas por trás. Deixe que os atletas, com as bolas e suas raquetes criem seus próprios espetáculos.

Foto: Adam Hunger/Getty Images