Bia Haddad Maia garantiu vaga nas quartas de final do WTA 125 de La Bisbal após uma vitória de muita resistência mental e capacidade de adaptação. Em uma batalha de quase três horas, a brasileira derrotou a norte-americana Ashlyn Krueger de virada, com parciais de 6/7, 6/4 e 6/3, em um resultado que pode representar bem mais do que apenas uma classificação: pode ser um ponto de retomada em sua temporada.
O triunfo ganha peso pelo contexto. Bia vem enfrentando um ano irregular, com poucas vitórias e dificuldades para manter sequência positiva. Antes deste torneio, havia vencido apenas três partidas em toda a temporada. Além disso, não conquistava dois triunfos consecutivos desde setembro do ano anterior. Por isso, avançar em La Bisbal significa recuperar confiança, ritmo competitivo e a sensação de evolução dentro da quadra.
O jogo
A partida confirmou o que se esperava de um confronto equilibrado. Ashlyn Krueger, apesar de estar fora do top 100 no ranking atual, é uma jogadora de grande potencial, dona de um jogo agressivo e físico. Aos 21 anos, já mostrou capacidade para competir em alto nível e exigiu o máximo da brasileira.
O primeiro set foi marcado por instabilidade de ambas no saque. Nenhuma das duas conseguia confirmar games com tranquilidade, e as quebras se alternavam constantemente. Isso mostra como o duelo começou tenso, com pouca margem para domínio claro de qualquer lado. As duas tenistas buscavam se impor nas trocas, mas também cometiam erros em momentos decisivos.
No tiebreak, Krueger conseguiu abrir vantagem importante ao fazer 5 a 2. Mesmo assim, Bia reagiu e recolocou equilíbrio no placar. Ainda assim, a norte-americana foi mais eficiente nos pontos finais e saiu na frente. Perder uma parcial tão disputada poderia abalar emocionalmente qualquer atleta, especialmente alguém que buscava retomar confiança. Mas a resposta de Bia foi imediata.
No segundo set, a brasileira voltou mais agressiva e assumiu o controle logo cedo. Abriu 3 a 0 e depois 4 a 2, mostrando postura mais firme nas devoluções e melhor aproveitamento das oportunidades. O saque também passou a funcionar melhor em momentos importantes.
Mesmo com a vantagem, o set ainda reservou tensão. Krueger conseguiu reagir e empatou a parcial, recolocando pressão sobre Bia. Esse foi um momento decisivo do jogo. Em vez de se desesperar, a brasileira conseguiu salvar um game delicado quando sacava em 5/4 e enfrentava 15-40. Demonstrou frieza, sustentou o saque e depois aproveitou a instabilidade da rival para quebrar novamente e fechar o set.
Essa capacidade de sobreviver nos momentos críticos foi um dos maiores méritos da atuação. Em jogos equilibrados, nem sempre vence quem joga melhor por mais tempo, mas quem administra melhor a pressão.
No terceiro set, Krueger começou novamente forte e abriu vantagem. Parecia pronta para retomar o controle da partida. No entanto, a brasileira mostrou mais uma vez poder de reação. Aproveitou uma dupla-falta da adversária, empatou o placar e recolocou a partida em equilíbrio.
A partir dali, o confronto entrou em sua fase mais estratégica. As duas tiveram oportunidades, mas Bia elevou o nível nos pontos importantes. Conseguiu a quebra crucial no oitavo game e assumiu o comando da parcial decisiva.
Tecnicamente, a reta final mostrou uma versão mais completa da brasileira. Ela variou o jogo com inteligência, alternando aceleração de forehand, bolas mais trabalhadas e tentativas curtas para tirar Krueger da zona de conforto. Essa diversidade tática foi essencial para desmontar o padrão agressivo da norte-americana.
Outro aspecto importante foi a solidez mental no game final. Mesmo com a chance de fechar a partida, Bia ainda precisou salvar dois break-points. Mais uma vez suportou a pressão e encontrou soluções. A classificação veio em grande estilo, com uma passada de backhand após atrair a rival para a rede.
Bia mostra sinais de uma evolução mental e recuperação de confiança
Esse tipo de vitória costuma ter valor especial no tênis. Não foi um triunfo simples, nem dominante. Foi uma vitória construída na luta, na paciência e na capacidade de ajustar o jogo durante quase três horas. Para uma atleta que buscava recuperar confiança, esse processo pode ser tão importante quanto o resultado.
Além disso, o saibro é uma superfície em que Bia costuma se sentir confortável. Seu peso de bola, a consistência nas trocas e a variação de spin ganham valor nesse piso. Avançar em um torneio de saibro pode ajudar a embalar para compromissos maiores da temporada europeia.
Nas quartas de final, enfrentará outra adversária espanhola, em um duelo que também tende a ser duro, especialmente pelo ambiente e pela familiaridade das jogadoras locais com a superfície. Mas chegar nesse estágio já muda o cenário.
Mais do que números ou ranking, a atuação deixou sinais positivos. Bia competiu bem, reagiu após perder o primeiro set, suportou momentos de pressão e encontrou soluções táticas. Em temporadas difíceis, vitórias assim costumam ser as que recolocam uma jogadora no caminho certo. Se mantiver esse nível de entrega e consistência, La Bisbal pode ser o ponto de virada de sua temporada.
(Foto: Divulgação/Catalonia Open)


