A Bolívia viveu um jogo de altos e baixos, mas mostrou garra e capacidade de reação para virar o placar e seguir com chances reais de voltar à Copa do Mundo após 32 anos.
Contra o Suriname, a seleção boliviana começou perdendo, sofreu bastante no primeiro tempo, mas conseguiu a virada por 2 a 1 no segundo tempo, garantindo vaga na próxima fase da Repescagem da Copa do Mundo.
Um primeiro tempo de sofrimento e superioridade do Suriname
O time boliviano começou o jogo no México pressionado pela necessidade de resultado. No entanto, foi o Suriname quem tomou a iniciativa. Aos 48 minutos do primeiro tempo, Van Gelderen abriu o placar para os visitantes, aproveitando falha na marcação boliviana.
Durante toda a primeira etapa e o começo da segunda, o Suriname, mesmo com um elenco tecnicamente inferior, foi superior.
A equipe visitante criou várias chances claras, especialmente com o atacante Piroe, que desperdiçou boas oportunidades cara a cara com o goleiro. Após o gol de Suriname, a Bolívia passou a controlar melhor o jogo, enquanto o Suriname, que havia começado o segundo tempo bem, abdicou da posse de bola e passou a tentar apenas atrasar o ritmo, sem conseguir criar novas chances reais de gol.
A Bolívia teve dificuldades para sair jogando, sofreu com a pressão alta do Suriname e mostrou sérias fragilidades defensivas, cedendo espaços excessivos nas costas dos zagueiros. A sensação de que precisava de uma mudança urgente para evitar a eliminação precoce foi imediata…
A virada no segundo tempo: entrada de Paniagua e reação boliviana
A virada começou a ser construída com a entrada de Paniagua aos 59 minutos do segundo tempo. O atacante boliviano deu outra dinâmica ao time, aumentando a intensidade e ajudando na transição ofensiva. Ao lado de Miguelito, Paniagua conseguiu levar à Bolívia um novo patamar no jogo.
Aos 72 minutos, o próprio Paniagua empatou a partida com um belo gol, explorando boa jogada coletiva. O gol trouxe confiança e mudou completamente o comportamento da equipe, que passou a pressionar mais alto e buscar o ataque com mais volume. Aos 79 minutos, Miguelito (ele mesmo, a joia do Santos) deu a virada definitiva ao converter um pênalti com frieza.
A vitória por 2 a 1 foi justa pelo que foi apresentado no segundo tempo, mas deixou claro que o time sul-americano ainda tem muito a melhorar se quiser voltar à Copa do Mundo.
O que a Bolívia precisa corrigir para sonhar com a Copa 2026
Apesar da virada heroica, o desempenho da Bolívia contra o Suriname expôs problemas importantes. A defesa foi o principal ponto fraco: a equipe cedeu muitas chances claras no primeiro tempo e mostrou desorganização na saída de bola. Erros individuais e lentidão na recomposição foram responsáveis pelo gol sofrido e por várias oportunidades desperdiçadas pelo Suriname.
Ofensivamente, a Bolívia melhorou bastante após as alterações, mas ainda depende demais de momentos individuais de Paniagua e Miguelito. O time precisa ganhar mais consistência coletiva, especialmente na criação de jogadas e na definição das chances.
A boa notícia é que a seleção boliviana mostrou personalidade ao buscar a virada mesmo em um momento difícil. Essa resiliência será fundamental na próxima fase, quando enfrentará o Iraque em jogo decisivo pela vaga na Copa do Mundo.
Uma chance histórica após 32 anos
Caso consiga passar pelo Iraque, a Bolívia pode voltar a disputar uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 1994. Trata-se de uma oportunidade rara para um país que historicamente luta contra dificuldades estruturais no futebol.
A vitória sobre o Suriname mantém o sonho vivo e dá moral ao grupo. No entanto, para transformar essa esperança em realidade, a Bolívia precisará evoluir rapidamente na defesa, melhorar a compactação do meio-campo e encontrar maior equilíbrio entre ataque e proteção à própria meta.
A torcida boliviana, que sofreu no primeiro tempo, terminou a partida comemorando uma virada importante. Agora, o foco se volta para o confronto contra o Iraque. Se a Bolívia conseguir repetir a garra e a capacidade de reação mostradas no segundo tempo, pode escrever um capítulo histórico em 2026.
A virada contra o Suriname não foi apenas um resultado. Foi um sinal de que, mesmo com limitações, a seleção está disposta a lutar até o fim por uma vaga na maior competição do mundo.


