O Botafogo parecia que conseguiria alguns dias de paz estabelecida depois da vitória sobre o Red Bull Bragantino por 2 a 1 fora de casa na 8ª rodada do Brasileirão, com direito à uma comemoração extremamente efusiva no apito final. No enanto, o dia seguinte ficou marcada pela realidade, com a manutenção do clima de instabildiade após a decisão tomada por John Textor em relação à demissão de Martín Alsemí, técnico que deixa o cargo depois de apenas 18 jogos no comando técnico.
Como foi o último jogo de Martín Anselmi pelo Botafogo?
A partida começou em ritmo acelerado e com pouca sustentação tática, especialmente do lado do Botafogo. A equipe de Martín Anselmi adotou uma postura agressiva desde os primeiros minutos, com muitos jogadores projetados à frente da linha da bola, o que gerou o pênalti convertido por Alex Telles logo cedo.
Mas essa mesma agressividade ofensiva expôs um problema estrutural: o time ficou excessivamente espaçado, permitindo ao Bragantino atacar com facilidade pelos corredores laterais e às costas do meio-campo. O empate de Lucas Barbosa surge justamente nesse contexto de desorganização defensiva, com liberdade dentro da área.
Na segunda etapa, o Botafogo apresentou um comportamento distinto. As alterações promovidas por Anselmi tiveram impacto direto na estrutura da equipe, especialmente com maior presença no meio-campo, reduzindo os espaços entre linhas. Com isso, o jogo perdeu intensidade e passou a ser mais controlado, ainda que tecnicamente irregular. O Bragantino seguiu tendo mais iniciativa, mas já não encontrava a mesma facilidade para infiltrar.
Sem conseguir construir com fluidez no jogo posicional, o Botafogo encontrou na bola parada o caminho para a vitória. O gol de Alexander Barboza, após escanteio, traduz bem essa dinâmica: execução simples, mas eficiente, em um contexto de jogo travado. Esse aspecto reforça um ponto recorrente em equipes em reconstrução: quando falta consistência na criação, a bola parada se torna um recurso decisivo, tendo sido este um fator deicisvo no gol de Alexander Barboza após cobrança de escanteio.
Nos minutos finais, o Bragantino retomou o controle territorial e pressionou em busca do empate, explorando principalmente bolas alçadas na área. Nesse momento, emergiu o grande personagem da partida: o goleiro Raul. Com pelo menos duas defesas decisivas em finalizações de alta probabilidade (especialmente em cabeceios dentro da área), o tão contestado goleiro garantiu o resultado e compensou as fragilidades coletivas da equipe.

Botafogo acertou na demissão de Anselmi
Do ponto de vista tático, o triunfo do Botafogo não conseguiu mascarar suas limitações; pelo contrário, evidenciou um time ainda em construção, com muitas instabilidades nas transições defensivas, dependente de ajustes pontuais durante os jogos e uma fluidez muito baixa nos ataques posicionais. Com isso, podemos afirmar que Martín Anselmí não conseguiu reverter a involução de seu trabalho nos últimos jogos, e o trabalho ficou com uma sensação de “fim de festa” desde a eliminação na fase preliminar da Copa Libertadores.
Mesmo que o trabalho pudesse dar sinais de recuperação, o Botafogo mostra que não gosta de técnicos que acabem abrindo mão de suas convicções para se manter no cargo, e o trabalho coletivo abaixo do esperado executou mais uma mudança na SAF mais desorganizada do futebol brasileiro.
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF/Gazeta Press


