Menos de dois anos depois de conquistar a Conmebol Libertadores e o Brasileirão, o Botafogo vê o primeiro semestre de 2026 encerrar com sérios problemas administrativos e financeiros que preveem um futuro nada animador. Tendo recebido mais um transfer ban da Fifa por não ter pago a transferência do atacante Rwan Cruz junto ao Ludogorets, da Bulgária, o clube carioca vive um conflito interno entre membros do associativo e da SAF de John Textor desde o último ano, quando teria contraído uma dívida estimada em quase R$ 3 bilhões.
O novo capítulo de crise na sociedade anônima comandada pelo empresário estadunidense trouxe de volta à tona o que o torcedor botafoguense viu em todo 2025 e está receoso de ver nesta temporada: a perda de jogadores importantes na próxima janela. Ao vender atletas como Luiz Henrique, Igor Jesus e Almada, e fracassar na lenta reposição de mercado que fez sob enorme pressão, o Glorioso espera contar com a própria sorte para evitar saídas, prometendo evoluir dentro de campo e voltar a aparente estabilidade de quando Textor assumiu o controle do futebol, em 2022.
A janela do Botafogo no meio do ano e o futuro da SAF
Durante o transfer ban sofrido em janeiro e resolvido em março, o Botafogo trouxe para este início de temporada cerca de dez reforços e o técnico Martín Anselmi, contratado depois da demissão de Davide Ancelotti em dezembro. Não conseguindo cumprir o objetivo de colocar o time na fase de grupos da Libertadores após ser eliminado pelo Barcelona-EQU e tropeçando no Campeonato Carioca e no Brasileiro, Anselmi deu lugar ao português Franclim Carvalho, que tenta nesse momento, o reencontro com os bons resultados e o histórico desempenho de 2024, quando era auxiliar técnico de Artur Jorge.
Mas nesse meio tempo em que começa o ciclo com o novo treinador e também tenta derrubar o novo transfer ban, o Botafogo passa por um cenário tenso entre a SAF e o associativo do clube, conflito que pode voltar a refletir em campo. O futuro da parceria com Textor se vê deteriorado, e a parte associada já procura retomar o controle do futebol enquanto procura novos investidores para tirar o time do atoleiro.
O mais recente transfer ban foi decretado pela Fifa na última segunda-feira, nove dias após um relatório expor o tamanho do buraco em que está o Botafogo e sua SAF. Ao comprar Rwan Cruz no ano passado por 8 milhões de euros (R$ 48 milhões) do futebol búlgaro e ainda não ter pago, o time carioca vê a próxima janela cheio de incertezas sobre a vinda de novos jogadores e a permanência de jogadores como Danilo, Matheus Martins e Alexander Barboza.
Apesar da arrecadação elevada nas últimas temporadas, a sociedade anônima de Textor contraiu dívidas astronômicas e terá de passar por uma série de apurações que estão lhe colocando em xeque. Segundo relatório divulgado pela Meden Consultoria no último dia 11 de abril, o valor total da dívida chega a R$ 2,753 bilhões, apontando um desequilíbrio econômico-financeiro e o quanto o empresário agiu em detrimento aos outros clubes gerenciados por ele através de seu conglomerado, a Eagle Football Holdings.
Assim sendo, a próxima janela de transferências pode ser decisiva para o futuro do Botafogo com Franclim Carvalho, que vem conseguindo aproveitar o elenco composto por remanescentes de 2024/2025 e as chegadas do início de 2026, tendo três vitórias e dois empates. Um desastre além da escandalosa dívida é possível de ser evitado caso se resolva este novo transfer ban e se evitem as abordagens que seus jogadores devem receber.
Um exemplo recente de jogador do Botafogo sendo observado por outro time é Alexander Barboza, que ainda não teve a renovação acertada e aguarda conversas sobre permanecer em General Severiano ou não. O Palmeiras demonstra interesse no defensor e pode tirá-lo do time carioca no meio do ano sem custos, levando o clube a se preocupar com a possível saída, que pode abrir precedente para outros atletas fazerem o mesmo, desequilibrando uma equipe que luta para se reerguer.
Foto: Wagner Meier/Getty Images
