O mês de abril se desenha como um dos mais interessantes do calendário recente do boxe, reunindo combates que vão muito além do entretenimento imediato. Em diferentes categorias, os confrontos programados refletem um momento de transição no esporte: veteranos tentando prolongar suas carreiras, nomes em reconstrução buscando redenção e novos protagonistas tentando se firmar em meio à elite.
Confira as 5 melhores lutas do boxe em abril:
Tyson Fury x Arslanbek Makhmudov
Entre as lutas mais aguardadas, o retorno de Tyson Fury ocupa um lugar curioso. Não se trata mais de um lutador no auge, mas de uma figura que ainda carrega enorme apelo comercial. Aos 37 anos, Fury vive uma fase marcada por incertezas. Após uma vitória controversa sobre Francis Ngannou e derrotas para Oleksandr Usyk, sua posição entre os pesos-pesados da elite do boxe passou a ser questionada.
O duelo contra Arslanbek Makhmudov, marcado para 11 de abril, surge como uma tentativa de reposicionamento. No papel, é uma escolha boa: um adversário perigoso o suficiente para gerar interesse, mas ainda acessível para alguém com o histórico de Fury. Mais do que o resultado, o que está em jogo é a narrativa. Fury precisa convencer o público de que ainda pertence ao topo, ou, ao menos, que ainda pode gerar confrontos relevantes, como um possível encontro com Anthony Joshua.
Deontay Wilder x Derek Chisora
Se Fury representa o passado recente tentando sobreviver, o confronto entre Deontay Wilder e Derek Chisora simboliza algo ainda mais complexo: o limite entre legado e insistência. Ambos chegam à luta com carreiras marcadas por grandes momentos, mas também por sinais claros de desgaste no boxe.
Wilder, que dominou o cinturão do WBC por anos, já não apresenta a mesma consistência. Chisora, por sua vez, construiu uma reputação de resistência quase inabalável, acumulando batalhas duras contra os melhores da divisão. O fato de Chisora aparecer como favorito, mesmo com um cartel repleto de derrotas, diz muito sobre o momento atual de Wilder.
Esse combate, que pode marcar a despedida de ambos, levanta uma questão recorrente no boxe: quando é a hora certa com o boxe? Cinco anos atrás, seria um confronto sem sentido competitivo. Hoje, paradoxalmente, faz sentido justamente porque ambos tentam extrair os últimos capítulos de suas trajetórias.
Tenshin Nasukawa x Juan Francisco Estrada
Saindo dos pesos-pesados, o duelo entre Tenshin Nasukawa e Juan Francisco Estrada oferece uma narrativa completamente diferente. Aqui, o foco está no choque entre gerações e estilos.
Nasukawa, fenômeno do kickboxing, ainda busca se firmar no boxe profissional. Sua derrota recente para Takuma Inoue expôs fragilidades naturais de quem ainda está em processo de adaptação. Do outro lado, Estrada representa a experiência e a técnica refinada de um veterano que já enfrentou alguns dos maiores nomes das categorias mais leves.
Trata-se de uma típica “luta de seis pontos”. Para Nasukawa, é a chance de provar que pode competir em alto nível no boxe. Para Estrada, é a oportunidade de reafirmar relevância em uma fase avançada da carreira. O resultado pode redefinir o caminho de ambos.
Andres Cortes x Eridson Garcia
Outro confronto que chama atenção, ainda que com menor visibilidade no mundo do boxe, é o embate entre Andres Cortes e Eridson Garcia. Aqui, o interesse está no equilíbrio. Em um esporte frequentemente marcado por lutas desequilibradas, duelos entre atletas de nível semelhante oferecem um tipo diferente de tensão.
Cortes chega invicto, mas sem grandes nomes no currículo. Garcia, por sua vez, vive bom momento após uma sequência de vitórias. A mudança de categoria adiciona um elemento extra de imprevisibilidade. Não é uma luta que define o topo da divisão, mas pode revelar quem está pronto para dar o próximo passo.
Callum Smith x David Morrell
No entanto, o destaque principal de abril no boxe recai sobre o confronto entre Callum Smith e David Morrell. Diferentemente de outros combates do mês, este reúne dois lutadores ainda inseridos na disputa real por títulos mundiais.
Ambos vêm de derrotas para nomes de elite, como Artur Beterbiev e David Benavidez, mas seguem altamente competitivos. O cinturão interino da WBO em jogo adiciona peso ao confronto, mas o verdadeiro valor está no que ele representa: uma segunda chance.
Na divisão dos meio-pesados, uma das mais competitivas do momento, não há espaço para erros consecutivos. Smith e Morrell sabem disso. Trata-se de um duelo em que o vencedor se reposiciona entre os principais candidatos ao título, enquanto o derrotado corre o risco de ser relegado a um segundo plano.
Além disso, o estilo de ambos promete um combate intenso. São dois nocauteadores, acostumados a impor ritmo e pressão. O fato de a luta acontecer em Liverpool, cidade com forte tradição no boxe, só aumenta a expectativa.