Na tarde deste sábado (3), a Seleção Brasileira enfrentou a anfitriã França no Stade de la Beaujoire, em Nantes, em duelo pelas quartas-de-final do futebol feminino nas Olimpíadas de Paris. Sem Marta, a seleção treinada por Arthur Elias superou uma fase de grupos ruim e conseguiu um resultado histórico, vencendo a França pela primeira vez na história pelo placar de 1 a 0, com gol de Gabi Portilho.
A França, que entrou em campo após garantir a primeira colocação do seu grupo em uma excelente campanha e chegando, não correspondeu ao favoritismo e se despediu da chance de conquistar a primeira medalha olímpica na modalidade em sua história.
Com o resultado, o Brasil irá enfrentar a Espanha nas semifinais. Na outra chave, Alemanha e Estados Unidos disputam a vaga para a final. Vale destacar que a Amarelinha NÃO terá o retorno de Marta, que foi expulsa justamente no duelo contra a Espanha, na fase de grupos, e pegou uma suspensão de duas partidas.
Resumo e análise da partida:
Sabendo da qualidade da equipe francesa, o Brasil demonstrou desde o início um plano de jogo focado em marcar com êxito o time adversário. Tentando encurtar os espaços sempre e realizar pressão individual desde a saída de bola francesa, a Amarelinha conseguiu se sair melhor do que o esperado e deixou o meio-campo francês com poucas opções de criação.
No entanto, o plano brasileiro quase foi por água abaixo com apenas 11 minutos de jogo. Delphine Cascarino aproveitou um vacilo da lateral e capitã Rafaelle e saiu sozinha no campo de ataque; Thaciane foi a única que conseguiu acompanhar, e como último recurso, fez o pênalti antes que a camisa 10 finalizasse.
Karchaoui posicionou a bola para a cobrança, e depois de uma demora de quase quatro minutos da arbitragem em autorizar a batida devido à uma análise do VAR sobre um possível impedimento, a francesa cobrou rasteiro no canto direito – e Lorena foi certeira na bola, evitando o gol adversário ao defender sua segunda cobrança de pênalti no torneio.
O pênalti desperdiçado foi um alívio para o Brasil, mas isso não influenciou a equipe em campo de maneira positiva. Sem a referência de Marta no meio-campo, a Amarelinha se demonstrou muito pobre no setor de criação, buscando bolas longas com Gabi Portilho e demonstrando pouquíssimo aproveitamento nas bolas paradas.
Por outro lado, a França também não apresentava um bom futebol. Na segunda metade da primeira etapa, vimos muitos erros no último terço e muitas faltas cometidas por ambas as seleções. De saldo positivo, a equipe de Arthur Elias tinha a ótima marcação, com as francesas sem conseguir encontrar uma alternativa de chegar no gol de Lorena.
França sem alternativas e o gol de Portilho
No segundo tempo, a França criou uma ótima jogada logo no início: Cascarino, pela direita, alçou a bola na área e encontrou Katoto na pequena área. A camisa 12 venceu a marcação da defesa brasileira, mas cabeceou muito mal, colocando a bola por cima do gol de Lorena.
Pouco depois, foi a vez do Brasil perder uma ótima chance. Após uma saída de bola confusa das francesas, Portilho desarmou Renard; a bola sobrou para Kerolin, que voltou com Gabi na direita. A atacante brasileira finalizou cruzado, mas tirou muito da goleira Picaud e mandou para fora.
Cada vez ficando menos com a bola, a França também viu seu sistema defensivo começar a falhar com frequência, principalmente quando a equipe estava em situação de ataque; a recomposição era lenta, e foi justamente explorando isto que o Brasil marcou o primeiro e único gol da partida.
Após cobrança rápida de lateral, Adriana recebeu na intermediária, totalmente marcada, e conseguiu achar um passe fantástico para Gabi Portilho, que contou com as defensoras francesas “batendo cabeça” para sair sozinha no campo de ataque. Com frieza, a camisa 18 esperou a saída da goleira Picaud e colocou a bola por cima. 1 a 0 Brasil.
Minutos depois, Portilho teve a chance de matar o jogo após Picaurd sair jogando errado; a atacante aproveitou a sobra, mas levou a bola para o lado errado e foi obrigada a finalizar praticamente sem ângulo perto da pequena área. O Brasil não abdicou de atacar e quando a França foi para o tudo ou nada, Kerolin e Ludmila, que saíram do banco de reservas, ajudaram bastante na retenção de bola.
Tudo encaminhava para uma vitória quase que “tranquila” do Brasil, onde a França não conseguiu realizar muitas jogadas perigosas. Até que a árbitra americana Tori Penso decidiu dar DEZESSEIS minutos de acréscimos. Vale destacar que não houve o uso do VAR na segunda etapa, e nem paradas significativas de tempo que justificassem 16 minutos.
Entretanto, a Seleção Brasileira não perdeu a cabeça e conseguiu cozinhar o jogo ao máximo, com destaque para Lorena, que saiu muito bem do gol em diversas ocasiões na reta final do confronto e conseguiu evitar um ataque de maior perigo da França.
Resultado: Brasil 1 x 0 França
O confronto entre Brasil e Espanha será realizado na terça-feira (6), às 16h, horário de Brasília.