Futebol Brasileirão

Brasileirão: a ‘semana cheia’ é a maior vilã para alguns treinadores

No Brasileirão, o tempo costuma ser visto como um inimigo dos treinadores. Normalmente, as demissões acontecem de forma precoce, sem paciência para a construção de um trabalho sólido. No entanto, a temporada de 2025 apresenta um cenário atípico para os técnicos antes do início do campeonato. Com um calendário mais espaçado entre os estaduais e a estreia na competição nacional, os treinadores terão tempo para treinar, ajustar seus times e implementar suas ideias.

Em teoria, isso deveria ser uma vantagem, mas para alguns nomes do cenário atual, essa janela pode se tornar um problema. Há treinadores que, historicamente, pioram seus times à medida que ganham mais tempo para trabalhar. Casos como o de Fábio Carille, no Vasco, e Mano Menezes, no Fluminense, são exemplos claros de profissionais que, muitas vezes, começam bem, mas deixam suas equipes mais previsíveis e ineficientes com o passar dos meses.

Com um período maior para treinos, ajustes e conceitos táticos, será que esses técnicos conseguirão melhorar suas equipes, ou veremos mais uma vez um padrão de queda no desempenho?

Tempo de trabalho: o que muda para os técnicos antes do Brasileirão?

Diferentemente de anos anteriores, quando os estaduais e a Copa do Brasil sufocavam o calendário e limitavam o tempo de treinamento antes do Brasileirão, a temporada de 2025 traz uma pausa maior entre os torneios regionais e a estreia do Brasileirão. Isso significa que os treinadores terão mais semanas livres para aprimorar seus times, algo raro no futebol brasileiro.

Essa situação pode beneficiar treinadores com ideias mais inovadoras e processos bem estruturados, como Filipe Luís e Abel Ferreira. Técnicos que utilizam treinamentos intensivos para ajustar o funcionamento da equipe podem transformar esse tempo em um diferencial competitivo.

No entanto, há um outro grupo de treinadores que historicamente enfrenta dificuldades quando tem mais tempo para trabalhar. São aqueles que começam com boas ideias, mas que, com o tempo, tornam seus times mais burocráticos, previsíveis e inofensivos.

Os problemas de Carille e Mano em seus trabalhos

Quando Fábio Carille chegou ao Vasco, havia um consenso de que ele poderia dar mais organização defensiva ao time. E, de fato, nos primeiros jogos, a equipe se tornou mais compacta, sofreu menos gols e conseguiu somar pontos importantes.

Porém, quem acompanhou os trabalhos recentes de Carille no Santos e no Athletico sabe que essa melhoria inicial pode ser apenas temporária. Historicamente, Carille começa seus trabalhos resolvendo problemas defensivos, mas, com o passar do tempo, o time passa a ter dificuldades ofensivas, tornando-se uma equipe previsível e reativa.

No Vasco, o risco é exatamente esse. Com mais tempo para treinar, há um perigo real de que Carille intensifique ainda mais sua abordagem conservadora, fazendo o time perder intensidade no ataque e depender excessivamente de jogadas aéreas e contra-ataques. Se isso acontecer, o Vasco pode sofrer no Brasileirão contra times que saibam neutralizar essa proposta de jogo.

Outro caso preocupante é o de Mano Menezes no Fluminense. A escolha de Mano como sucessor de Fernando Diniz foi surpreendente, considerando que seus estilos são quase opostos. Enquanto Diniz prezava pela posse de bola, movimentação e criatividade, Mano Menezes tem uma abordagem mais pragmática, priorizando a solidez defensiva e a transição rápida.

O problema é que, nos últimos trabalhos de Mano, essa abordagem não tem funcionado bem no Brasileirão. No Internacional, por exemplo, ele começou organizando a equipe, mas rapidamente sua estratégia se mostrou limitada, e o time se tornou inofensivo no ataque. No Corinthians, o roteiro foi semelhante, com um time cada vez mais travado e sem repertório ofensivo.

No Fluminense, a questão é ainda mais delicada, pois o elenco foi praticamente montado novamente após uma temporada decepcionante em 2024. O entrosamento ainda não está bom, e é preciso que a equipe esteja certa do que vai fazer no resto do ano

Se o Fluminense não conseguir manter um equilíbrio entre organização e criatividade, a tendência é que a equipe enfrente dificuldades no campeonato, especialmente contra times que saibam explorar defesas fechadas.

Quando mais tempo significa mais problemas

O grande desafio para treinadores como Carille e Mano Menezes é não cair na armadilha da burocracia tática. Muitos técnicos defensivos, ao terem mais tempo para trabalhar, reforçam ainda mais seus sistemas de marcação, mas não desenvolvem alternativas ofensivas. O resultado disso são times que, embora organizados, perdem agressividade e se tornam presas fáceis para adversários mais dinâmicos.

Além disso, o Brasileirão exige um nível de adaptação constante. Técnicos que não conseguem renovar suas ideias acabam ficando para trás rapidamente. Se Carille e Mano insistirem em suas fórmulas ultrapassadas, é provável que suas equipes enfrentem dificuldades no decorrer do Brasileirão.

Por outro lado, esse período de treinos antes do campeonato pode ser uma chance para esses treinadores mostrarem que ainda podem evoluir. Se conseguirem encontrar um equilíbrio entre defesa e ataque, poderão surpreender e conduzir Vasco e Fluminense a campanhas competitivas.

O Brasileirão de 2025 começa com um cenário raro no futebol brasileiro: os técnicos terão mais tempo para treinar antes da competição. Para alguns, isso será uma oportunidade valiosa para aprimorar suas equipes e consolidar ideias. Para outros, o risco é transformar esse período em um reforço para seus problemas recorrentes.