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Copa do Mundo

Do brilho nos clubes à decepção na Copa: os craques que ainda não conseguiram mostrar seu melhor futebol

Uma Copa do Mundo reúne os melhores jogadores do planeta, mas nem sempre o desempenho apresentado pelos clubes consegue ser transportado para as seleções. A competição é curta, o tempo de adaptação é pequeno e uma sequência de três ou quatro partidas abaixo do esperado pode transformar uma estrela em uma das grandes decepções do torneio.

A atual edição oferece diferentes exemplos desse cenário. Alguns jogadores chegaram depois de temporadas excepcionais e simplesmente não conseguiram assumir o protagonismo esperado. Outros foram prejudicados por problemas físicos e ainda tentam recuperar a melhor condição. Há também aqueles que continuam na competição, mas precisam reagir rapidamente para evitar uma despedida marcada pela sensação de que poderiam ter entregado muito mais.

Craques se despediram muito abaixo das expectativas

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Foto: FIFA

Antoine Semenyo talvez seja um dos casos mais claros de um grande momento nos clubes que não conseguiu chegar à seleção.

O ganês terminou a temporada com 21 gols e seis assistências em 48 partidas somando Bournemouth e Manchester City. Sua chegada ao City aumentou ainda mais a expectativa porque o atacante não demonstrou sentir o peso da mudança. Semenyo manteve o bom nível e chegou à Copa como a grande esperança ofensiva de Gana.

Nada disso apareceu no Mundial.

Semenyo terminou a participação sem gols ou assistências. Não conseguiu se destacar nem mesmo na vitória sobre o Panamá e viu Gana avançar entre os melhores terceiros depois de empatar com a Inglaterra e perder para a Croácia.

No mata mata, a Colômbia representava um adversário contra o qual Gana poderia competir. Era justamente o tipo de partida em que se esperava que o principal jogador da seleção assumisse a responsabilidade. Semenyo, porém, voltou a ficar devendo, e os ganeses foram eliminados sem que sua maior esperança aparecesse.

A Turquia viveu uma decepção coletiva liderada por duas de suas maiores promessas.

Kenan Yildiz chegou depois de uma temporada com 11 gols e nove assistências pela Juventus. Arda Guler, por sua vez, já é tratado como uma das grandes promessas do Real Madrid e um dos jogadores mais talentosos de sua geração.

A dupla deveria ser a referência de uma seleção que caiu em um grupo considerado acessível, ao lado de Paraguai, Estados Unidos e Austrália. A expectativa era de classificação e possibilidade real de uma campanha mais longa.

A Turquia, porém, sequer passou da primeira fase.

Yildiz e Guler não conseguiram assumir o comando da equipe nos momentos decisivos. Para uma seleção que dependia tanto da capacidade criativa dos dois, a eliminação precoce representou uma das grandes frustrações da Copa.

O Uruguai encontrou um destino semelhante.

O Grupo H tinha Espanha, Cabo Verde e Arábia Saudita. Mesmo com a força espanhola, os uruguaios tinham qualidade suficiente para disputar a classificação. A equipe, no entanto, empatou com Arábia Saudita e Cabo Verde antes de perder para a Espanha.

Federico Valverde simbolizou o fracasso.

Um dos melhores meio-campistas do mundo e jogador consolidado no Real Madrid, o uruguaio não conseguiu liderar sua seleção. O momento mais representativo aconteceu justamente contra a Espanha. Com o Uruguai precisando reagir, Valverde foi substituído aos 57 minutos.

Retirar seu principal meio-campista tão cedo em uma partida decisiva mostrou o tamanho do problema. Sua presença já não estava ajudando a equipe a buscar a reação necessária.

Lesões e falta de ritmo impedem grandes nomes de atingir o melhor nível

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Foto: Ulises RUIZ / AFP

Nem todas as decepções podem ser explicadas apenas pelo desempenho técnico.

Nico Williams foi um dos grandes protagonistas da Espanha campeã da Euro 2024, mas chegou à Copa convivendo com problemas físicos.

Contra Cabo Verde, teve poucos minutos e não conseguiu causar impacto. Diante da Arábia Saudita, entrou aos 67 minutos, mas novamente não apresentou a explosão necessária para acrescentar ofensivamente. Também não foi bem contra o Uruguai e sequer entrou na vitória sobre a Áustria.

O espanhol, porém, ainda pode reagir.

As notícias indicam uma evolução física, e o confronto contra Portugal oferece uma oportunidade para que Nico finalmente mostre a versão que o transformou em uma das principais armas da seleção espanhola.

Bukayo Saka vive uma situação parecida, mas com uma diferença importante.

O inglês se lesionou pelo Arsenal antes da Copa e ainda não mostrou uma evolução física tão clara durante o torneio. Mesmo limitado e com poucos minutos, conseguiu dar duas assistências, uma contra Croácia e outra contra Panamá.

O contraste com Madueke torna a situação ainda mais frustrante.

Madueke tem mais minutos, é frequentemente titular e ainda não participou diretamente de nenhum gol. A Inglaterra apresenta problemas pelo lado direito, e suas atuações aumentam a sensação de que um Saka em boas condições deveria ocupar a posição.

O problema é justamente esse: Saka ainda não parece pronto para entregar sua melhor versão.

A Inglaterra enfrenta o México nas oitavas de final, e o atacante ainda tem tempo para reverter seu desempenho e suas condições físicas.

Raphinha também chegou ao torneio depois de uma lesão, mas já recuperado. Sua situação piorou por reunir dois problemas diferentes: atuações ruins e uma nova lesão.

O brasileiro foi mal contra o Marrocos e já enfrentava pedidos para deixar a equipe titular. A comparação com seu nível no Barcelona pesava, porque o Raphinha dominante no clube ainda não havia aparecido pela seleção.

Contra o Haiti, o atacante sentiu um problema físico e saiu aos 40 minutos do primeiro tempo.

Agora, mesmo evoluindo na recuperação, pode encontrar outro obstáculo. Rayan aproveitou a oportunidade e apresentou boas atuações. Assim, Raphinha pode voltar a ficar disponível sem necessariamente recuperar a titularidade, mostrando como é decepcionante sua Copa do Mundo até aqui.

Cherki e Marmoush ainda não assumiram o protagonismo esperado

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Foto: FIFA

Cherki chegou à Copa cercado por expectativa.

Depois de mostrar enorme qualidade técnica no Lyon e no Manchester City, parecia ter todas as características para aumentar ainda mais o poder ofensivo da França.

Seu problema começa na falta de minutos. Muitas vezes, Cherki entra quando a partida já está resolvida.

Mesmo assim, suas atuações decepcionam.

O jogador agressivo, criativo e vertical visto no City tem dado lugar a uma versão pouco objetiva. Cherki troca muitos passes para trás e para os lados e demonstra pouca ambição para acelerar o jogo.

Para um jogador com sua capacidade técnica, esperava-se muito mais ousadia.

Omar Marmoush também vive uma Copa distante das expectativas.

Quando explodiu no Eintracht Frankfurt, o egípcio parecia ser o jogador capaz de começar a dividir e, futuramente, assumir a responsabilidade ofensiva de Mohamed Salah. Seus bons momentos no Manchester City reforçaram essa percepção.

Na Copa, nada disso aconteceu.

Marmoush foi titular nos dois primeiros jogos, não apresentou bom desempenho e perdeu a vaga no confronto decisivo contra o Irã. Voltou à equipe contra a Austrália, pelos 16 avos de final, mas novamente não conseguiu jogar bem.

Até agora, não participou diretamente de nenhum gol.

O Egito ainda está vivo, e o confronto contra a Argentina pelas oitavas representa uma grande oportunidade para Marmoush provar que pode ser mais do que um coadjuvante.

O meio-campo mais esperado da Copa ainda não apareceu em Portugal

bruno fernandes vitinha
Foto: Alexander Hassenstein/Getty Images

Poucas seleções chegaram ao Mundial com tanta expectativa sobre seu meio-campo quanto Portugal.

Vitinha vinha de mais uma grande temporada pelo PSG e do bicampeonato da UEFA Champions League. Bruno Fernandes, por sua vez, chegou depois de ser o melhor jogador da Premier League na temporada.

No papel, Portugal tinha dois dos meio-campistas mais influentes do futebol mundial.

Na prática, a dupla ainda não apresentou esse nível.

Bruno Fernandes registrou uma assistência contra o Uzbequistão, mas o contexto precisa ser considerado. Portugal venceu por 5 a 0 em uma partida marcada pela enorme diferença técnica entre as equipes.

Vitinha também não conseguiu controlar as partidas como faz pelo PSG. No clube, ele dita o ritmo, oferece linhas de passe e participa constantemente da circulação. Na seleção, seu domínio ainda não apareceu com a mesma força.

A oportunidade de mudar essa história será enorme.

Portugal enfrentará a Espanha em um dos grandes duelos do torneio,
Vitinha e Bruno terão a chance de mostrar por que a dupla portuguesa chegou ao Mundial cercada por tanta expectativa.

Pedri ainda não domina como no Barcelona

Pedri Espanha Barcelona
Florencia Tan Jun/Getty Images

Pedri merece uma análise diferente.

O espanhol não está necessariamente fazendo uma Copa ruim. O problema é a distância entre sua participação atual e o nível extraordinário que apresenta pelo Barcelona.

Não ter gols ou assistências não é a principal questão.

Pedri nunca dependeu apenas desses números para mostrar sua importância. No Barcelona, ele é responsável pelo controle do meio-campo, pela circulação e pelo volume de participação.

Contra a Áustria, terminou a partida com 73 passes e 86 ações com a bola antes de ser substituído no segundo tempo.

Para muitos jogadores, seriam números positivos. Para quem acompanha o Pedri do Barcelona, representam uma participação menor do que a habitual.

Essa é uma das grandes diferenças entre uma atuação ruim e uma atuação abaixo da expectativa. Pedri continua oferecendo qualidade, mas ainda não controla os jogos da Espanha como faz em seu clube.

A Copa do Mundo ainda está aberta para muitos desses jogadores.

Nico Williams, Saka, Raphinha, Cherki, Marmoush, Vitinha, Bruno Fernandes e Pedri ainda podem mudar suas histórias. Uma grande atuação em uma partida eliminatória é suficiente para transformar completamente a percepção sobre um torneio.

Semenyo, Yildiz, Guler e Valverde não possuem mais essa oportunidade.

Para eles, ficou a frustração de chegar ao maior torneio do futebol em condições de assumir o protagonismo e sair sem conseguir mostrar a versão que os transformou em estrelas nos clubes.

Para os que continuam, a pressão aumenta a cada rodada. A Copa está entrando em sua fase decisiva, e o tempo para deixar de ser decepção e se transformar em protagonista está acabando.

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Kaique