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Automobilismo

Cadillac aposta em antigo engenheiro de Massa e Leclerc em sua estreia na Fórmula 1

A Cadillac está apostando em profissionais experientes para sua temporada de estreia na Fórmula 1. Para 2026, a equipe norte-americana já havia anunciado que sua dupla de pilotos será formada pelos veteranos Sergio Pérez e Valtteri Bottas, dois nomes com ampla bagagem na principal categoria do automobilismo mundial. Agora, mais um nome conhecido do paddock foi confirmado para assumir um cargo-chave no projeto: o de engenheiro-chefe de corrida.

Trata-se do espanhol Xavier Marcos Prados, antigo engenheiro de desempenho de Felipe Massa na Williams e profissional que carrega no currículo uma passagem longa, relevante — e também polêmica — pela Ferrari. A escolha reforça a estratégia da Cadillac de reduzir riscos em sua entrada na Fórmula 1 ao cercar-se de figuras acostumadas à pressão, à complexidade técnica e às disputas políticas que cercam a categoria.

Marcos Prados chega à Cadillac após uma trajetória marcada por experiências variadas e por decisões estratégicas que, em alguns momentos, colocaram seu trabalho sob forte escrutínio. Seu nome voltou aos holofotes após o anúncio de que ele integrará a estrutura da nova equipe de F1, acumulando a função com o cargo de diretor técnico do programa Cadillac V-Series.R, voltado ao Campeonato Mundial de Endurance (WEC) e à IMSA. A aposta é clara: usar a integração entre diferentes categorias para acelerar o aprendizado e a competitividade do projeto.

Trajetória no automobilismo

A carreira de Xavier Marcos Prados na Fórmula 1 começou em 2010, quando integrou a modesta HRT, equipe espanhola que marcou presença na categoria por poucos anos. Apesar das limitações técnicas e orçamentárias do time, a experiência serviu como porta de entrada para o espanhol no paddock da F1.

O passo seguinte foi a Williams, onde Marcos ganhou maior projeção. Em 2014, atuou como engenheiro de performance do brasileiro Felipe Massa, que vivia uma fase de recuperação após anos difíceis na Ferrari. Na equipe britânica, Massa chegou ao pódio três vezes naquela temporada, encerrando no ano no sétimo lugar no Mundial de Pilotos.

Em busca de novos desafios, Marcos tomou uma decisão pouco comum para profissionais da F1: mudar-se para os Estados Unidos. Em 2015, tornou-se engenheiro-chefe de corrida da Richard Childress Racing, tradicional equipe da NASCAR. A experiência fora do ambiente europeu ampliou sua visão técnica e estratégica, além de reforçar sua capacidade de adaptação a diferentes culturas do automobilismo — um ponto valorizado pela Cadillac.

Passagem pela Ferrari

Em fevereiro de 2018, Xavier Marcos Prados retornou à Fórmula 1 ao ser contratado pela Scuderia Ferrari. Inicialmente, atuou como engenheiro de corrida de fábrica, até assumir, em 2019, o posto de engenheiro de corrida de Charles Leclerc, recém-promovido à equipe principal. A parceria durou cinco anos e coincidiu com o período de consolidação do monegasco como principal piloto da Ferrari.

Apesar de momentos positivos, a relação entre engenheiro e piloto passou a ser questionada, especialmente no que diz respeito às estratégias de corrida. O ano de 2022, quando Leclerc disputou o título contra Max Verstappen, ficou marcado por uma sequência de erros estratégicos que custaram pontos importantes à Ferrari.

O episódio mais emblemático ocorreu no GP de Mônaco, quando a equipe não esperou a chuva passar e ainda transmitiu ordens contraditórias pelo rádio, pedindo para Leclerc entrar nos boxes e, logo depois, para permanecer na pista. Outros equívocos em provas como Inglaterra, Hungria e Bélgica reforçaram a percepção de falhas no comando estratégico.

Em 2023, os problemas continuaram. Leclerc foi punido na classificação em Mônaco por atrapalhar Lando Norris, e a Ferrari admitiu uma falha de comunicação ao não avisar o piloto sobre a aproximação do rival. No Canadá, o monegasco chegou a criticar publicamente a equipe após ficar fora do Q3, afirmando que o time estava “dificultando a própria vida”.

Boa aposta da Cadillac?

Ao apostar em Xavier Marcos Prados, a Cadillac assume um risco calculado. De um lado, contrata um engenheiro com vasta experiência em diferentes frentes do automobilismo. De outro, traz consigo um histórico recente que levanta dúvidas sobre tomada de decisões sob pressão. Em uma equipe estreante, o equilíbrio entre ousadia e solidez pode definir se essa escolha será lembrada como um acerto estratégico — ou como mais uma polêmica da Fórmula 1.

Foto: Divulgação/Cadillac