Durante muitos anos, falar sobre pesos-pesados no UFC era praticamente obrigatório citar Cain Velasquez. O ex-campeão construiu uma carreira histórica dentro do octógono, atropelando alguns dos nomes mais perigosos da divisão e ajudando a redefinir o que significava ser um “heavyweight” moderno no MMA.
Mas agora, alguns anos depois de sua aposentadoria prática e cercado por problemas fora do cage, a realidade parece bem diferente. Em entrevista recente ao podcast “Weighing In”, com Josh Thomson, Cain abriu o jogo sobre um possível retorno às lutas e a resposta foi bem menos empolgante do que muitos fãs gostariam de ouvir.
Na verdade, ficou claro que hoje o ex-campeão está muito mais distante do octógono do que próximo dele.
Cain Velasquez não parece interessado em voltar ao UFC
Ao comentar sobre a possibilidade de lutar novamente, Velasquez foi extremamente direto. Segundo o ex-campeão, apenas uma oferta financeira gigantesca faria ele considerar um retorno.
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“O dinheiro teria que realmente me fazer querer isso”, afirmou o americano.
E sinceramente, a fala passa muito mais uma sensação de encerramento definitivo do que de abertura para negociações. Não existe aquele clima clássico de lutador aposentado deixando a porta entreaberta para um possível retorno. Cain praticamente deixou claro que a chama competitiva simplesmente não existe mais.
Ele também comentou que hoje possui outros interesses na vida e que lutar já não desperta mais o mesmo sentimento de antigamente. Para quem acompanhou o auge do ex-campeão, essa talvez seja a parte mais simbólica de toda a entrevista.
Porque Cain Velasquez não foi apenas um campeão dominante. Ele era um dos lutadores que realmente pareciam gostar da violência controlada do MMA. Seu estilo sufocante, o cardio absurdo para um peso-pesado e a pressão constante fizeram dele um verdadeiro pesadelo dentro da divisão.
Quando estava saudável e esse detalhe sempre foi importante, poucos pesos-pesados na história conseguiram atingir o nível de intensidade apresentado por Cain.
Lesões impediram uma carreira ainda maior
E talvez esse seja justamente o maior “e se?” envolvendo o nome de Velasquez.
O americano teve uma carreira marcada por inúmeras lesões. Foram problemas sérios nos joelhos, ombros, costas e diversas interrupções que impediram qualquer sequência longa dentro do UFC. Mesmo assim, ele construiu um currículo absurdo.
Cain foi bicampeão dos pesos-pesados do UFC, derrotou nomes históricos como Junior Cigano, Brock Lesnar e Antônio Pezão, além de protagonizar uma das rivalidades mais marcantes da história da categoria contra o próprio Cigano.
Aliás, a trilogia contra o brasileiro resume perfeitamente quem foi Velasquez no auge. Depois de perder rapidamente a primeira luta, ele voltou completamente diferente nos dois confrontos seguintes, aplicando uma pressão física quase desumana durante 10 rounds.
Na época, muita gente chegou a tratar Cain como o peso-pesado mais completo da história do UFC. E honestamente? Não era exagero.
O problema é que o corpo nunca acompanhou o talento. Enquanto outros campeões conseguiam manter frequência de lutas, Cain passava longos períodos afastado. Isso acabou impedindo que ele construísse uma dinastia ainda maior dentro da organização.
Problemas fora do cage mudaram completamente sua vida
Nos últimos anos, a vida de Cain Velasquez mudou drasticamente por conta dos problemas judiciais envolvendo o caso de perseguição e tentativa de agressão armada em 2022. O episódio abalou completamente sua imagem pública e afastou ainda mais qualquer possibilidade de retorno imediato ao MMA profissional.
Mesmo assim, boa parte da comunidade do esporte continua enxergando Cain como uma figura extremamente respeitada.
Muito disso acontece pelo legado construído dentro do cage. Em uma era dominada por pesos-pesados gigantescos, muitas vezes limitados tecnicamente ou dependentes apenas da força física, Velasquez trouxe movimentação, wrestling de elite, pressão constante e um condicionamento físico absurdo.
Basicamente, ele lutava como um peso-médio preso no corpo de um caminhão.
Existe alguma chance real de retorno?
Tecnicamente, sim.
O próprio Cain admitiu que poderia voltar a lutar “dependendo do nível”. Mas a fala também deixou claro que ele entende as limitações atuais do próprio corpo e da própria motivação. E esse ponto faz toda a diferença.
No MMA, principalmente entre os pesos-pesados, não basta apenas estar fisicamente apto. A motivação pesa muito. Basta olhar para tantos veteranos que retornaram apenas pelo dinheiro e acabaram irreconhecíveis dentro do cage.
Cain parece consciente disso. Hoje, aos 43 anos, depois de uma carreira extremamente desgastante e de uma vida completamente transformada fora do esporte, a tendência é que ele permaneça distante das competições profissionais.
Talvez apareça em eventos, entrevistas, projetos ligados ao wrestling ou treinando atletas mais jovens. Mas aquela versão assustadora que pressionava adversários sem parar até parecer um cheat code humano provavelmente ficou no passado. E talvez isso não seja algo ruim.
Porque para muitos fãs, Cain Velasquez já fez mais do que o suficiente para garantir seu lugar entre os maiores pesos-pesados da história do UFC.
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