O Canadá voltou a apresentar um bom futebol na Copa do Mundo de 2026. Depois de um empate “mentiroso” em 1 a 1 com a Bósnia e Herzegovina, a equipe da América do Norte destronou o Catar com uma goleada por 6 a 0. Desta vez, o placar acompanhou o futebol apresentado pela seleção treinada por Jesse Marsch.
É bem verdade que o Canadá contou com uma vantagem numérica durante boa parte do confronto. Desde os 32 minutos do primeiro tempo, os canadenses atuaram com um jogador a mais. Já aos 5 minutos da etapa complementar, mais um atleta do Catar foi expulso.
Independentemente do contexto, porém, os donos da casa conseguiram se impor desde o primeiro minuto. A intensidade, a organização e a velocidade mostradas pelo Canadá indicam uma equipe preparada para competir em bom nível.
Canadá executa bem seu plano de jogo
A principal característica do Canadá contra o Catar foi a execução do plano de jogo. Com uma marcação encaixada desde o início, os canadenses sufocaram os adversários e não permitiram que a equipe asiática conseguisse respirar em campo.
O time de Jesse Marsch tem como uma de suas principais armas a pressão após a perda da bola. Nesta Copa do Mundo de 2026, o Canadá leva, em média, apenas oito segundos para recuperar a posse após um desarme ou erro adversário. É o conjunto mais rápido do torneio neste quesito até aqui.
Jogando em casa e com uma estrutura bem definida, a seleção canadense demonstra apetite para fazer história como país-sede. A equipe não quer apenas participar da competição: pretende avançar e deixar uma marca no Mundial.
Com a bola nos pés, o Canadá também apresenta recursos. Assim como aconteceu contra a Bósnia e Herzegovina, a equipe mostrou passes rápidos, movimentação constante e aceleração pelos lados do campo.
O setor direito foi novamente um dos grandes trunfos dos donos da casa. Por aquele corredor, Johnston e Buchanan — com destaque para a velocidade e agressividade ofensiva — encontraram espaços constantemente e causaram problemas para a defesa catari.
A combinação entre intensidade sem bola e criatividade com a posse transforma o Canadá em uma seleção difícil de ser enfrentada, principalmente quando consegue impor seu ritmo.
Atacantes recuperam confiança antes dos desafios maiores
Fazer 6 a 0 no Catar pode parecer uma tarefa simples, considerando a fragilidade do adversário e o contexto da partida. Porém, o resultado canadense ganha ainda mais peso quando comparado ao desempenho de outras seleções.
A forte Suíça, por exemplo, encontrou dificuldades para superar a defesa catari na estreia e ficou apenas no empate por 1 a 1. O Canadá, por outro lado, conseguiu transformar domínio territorial e superioridade técnica em uma goleada expressiva.
O duelo em Vancouver foi importante principalmente para os atacantes recuperarem confiança. Larin, que vivia uma seca de gols antes da Copa do Mundo, voltou a balançar as redes e mostrou que pode ser uma peça importante no setor ofensivo.
Já Jonathan David, principal referência técnica da equipe e camisa 10 do Canadá, teve uma noite especial ao marcar três gols. O atacante confirmou seu papel de protagonista e ganhou moral para a sequência do torneio.
A boa fase dos jogadores de frente será fundamental contra adversários mais fortes, como a Suíça, e em uma possível fase de 16 avos da Copa do Mundo. Apenas uma grande combinação de resultados deve tirar os canadenses do mata-mata.
Contra defesas mais organizadas, porém, o Canadá precisará manter a eficiência. A intensidade já está comprovada, mas a pontaria dos atacantes será decisiva.
Canadá perde um pilar do meio-campo
A noite de festa para os canadenses também teve um momento de preocupação. O volante Ismaël Koné sofreu uma fratura na perna após uma forte entrada de um jogador do Catar e está fora da Copa do Mundo.
A ausência representa um duro golpe para Jesse Marsch. Koné era um dos jogadores mais completos do elenco, capaz de proteger a defesa, ganhar disputas físicas e também contribuir na construção das jogadas.
Aos 24 anos, o volante participou de praticamente todo o ciclo de preparação para o Mundial e se consolidou como uma peça-chave no equilíbrio do meio-campo canadense.
O problema para o treinador é encontrar uma reposição à altura. O Canadá possui jogadores talentosos, mas não conta no banco de reservas com outro atleta que reúna exatamente as mesmas características de Koné.
A seleção canadense, vale lembrar, já enfrenta outras preocupações físicas nesta Copa. Alphonso Davies, principal nome da equipe, sequer deixou o banco de reservas contra o Catar. A situação preocupa para a reta final da fase de grupos e para o mata-mata.
Catar precisa reagir rapidamente para seguir vivo
Do outro lado, o Catar terá que mudar completamente de postura se quiser continuar sonhando com a classificação. Com apenas um ponto conquistado e saldo negativo de seis gols, a seleção asiática precisa vencer a Bósnia e Herzegovina para avançar no torneio.
O desafio, porém, será enorme. Além das limitações técnicas apresentadas contra o Canadá, os cataris não terão dois jogadores titulares suspensos para a próxima partida.
Outro problema está no confronto de estilos. A Bósnia tem como uma de suas principais forças o jogo aéreo, justamente uma das áreas em que o Catar apresentou dificuldades diante dos canadenses.
Para conseguir uma classificação histórica e superar a fase de grupos, a equipe precisará fazer uma partida praticamente perfeita. O desempenho apresentado em Vancouver deixou claro que será necessário muito mais do que apenas organização defensiva.