Carlos Bianchi, Boca Juniors, Libertadores, Vélez
Futebol Libertadores

Lendas da Libertadores: Carlos Bianchi, o “Mr. Libertadores”! Técnico calou o Morumbi em 3 finais e levantou 4 taças em 10 anos!

Lenda do futebol argentino, Carlos Bianchi em matéria de Libertadores é um expert. Ex-jogador e técnico de clubes como Vélez Sarsfield e Boca Juniors, foi quatro vezes campeão sul-americano apresentando ao mundo times de categoria ímpar, e em três dessas conquistas, superando equipes do Brasil em pleno estádio do Morumbi, marcando época pelo legado e hegemonia que implantou no continente entre os anos 1990 e 2000.

Formado atleta na base do Vélez, pelo qual atuou em duas passagens e se consagrou como o maior artilheiro da história da equipe, começou a carreira de treinador no futebol francês, assumindo o Stade de Reims, e depois comandando clubes como Nice e PSG. De volta à Argentina em 1993, assumiu o clube no qual se tornou uma lenda dos gramados, e assumiu a figura de lenda na área técnica, ao conquistar sua primeira Libertadores no ano seguinte, derrotando ninguém menos que o poderoso São Paulo, comandado por Telê Santana.

A primeira Libertadores de Bianchi, e o tombamento do São Paulo

Sob o comando do Vélez Sarsfield, Carlos Bianchi começou a Libertadores de 94 enfrentando um grupo com o rival Boca Juniors, pelo qual também se consagraria anos mais tarde, e os brasileiros Palmeiras e Cruzeiro. Liderando um elenco com personagens como o goleiro artilheiro Chilavert e o atacante Asad, avançou para o mata-mata como primeiro de sua chave, e superou adversários como Defensor-URU, Minervén-VEN e Junior Barranquilla, até encontrar na decisão o então bicampeão sul-americano e mundial São Paulo, que àquela altura permanecia como um dos principais times do torneio apesar da perda de Raí.

Por não deter a melhor campanha entre os finalistas, o Vélez de Bianchi jogou a primeira partida da final em seus domínios e não decepcionou, conquistando uma vitória por 1 a 0 com Asad e levando a vantagem para a batalha decisiva no Morumbis, que recebeu mais de 90 mil espectadores e viu os tricolores saírem na frente com o mesmo placar de 1 a 0, num gol marcado por Müller. Nos pênaltis, o Vélez quebrou uma soberania brasileira de dois anos, e Pompei converteu a cobrança do título, tombando o São Paulo de Telê, e impedindo o tricampeonato tricolor, que viria onze anos depois, contra o Athletico-PR.

Técnico Imortal - Carlos Bianchi - Imortais do Futebol
Foto: Reprodução

 

O tricampeonato no Boca e o surgimento do Mr. Libertadores

Após deixar o Vélez em 1996 e passar de maneira relâmpago pelo futebol italiano comandando a Roma, Carlos Bianchi retorna mais uma vez ao país natal, mas dessa vez para comandar o rival Boca Juniors, na época um clube com 20 anos de fila na Libertadores, conquistada pela última vez em 1978, e há seis anos sem vencer um Campeonato Argentino. Por suas mãos, os Xeneizes emplacaram primeiro um tricampeonato nacional, e em 2000, voltaram a vencer uma Libertadores da América, superando mais um brasileiro, e novamente no estádio do Morumbi, onde também conquistaria mais um título em 2003.

Enfrentando uma nova disputa de pênaltis contra o então campeão Palmeiras, o Boca iniciou um reinado de títulos e medo sob os adversários, com jogadores como Riquelme e Palermo, e usando de sua casa, a La Bombonera, como sua principal arma em jogos importantes como finais, onde se tornou uma presença constante. Bicampeão em 2001 ao derrotar o mexicano Cruz Azul, Bianchi retornaria ao clube dois anos depois para conquistar seu quarto troféu e receber a alcunha de Mr. Libertadores ao vencer o poderoso Santos de Robinho, Diego e companhia, mas dessa vez, sem penalidades, e um agregado de 5 a 1.

Os treinadores com mais finais em Copa Libertadores, Carlos Bianchi
Carlos Bianchi comemorando um de seus títulos de Libertadores com o Boca Juniors no estádio do Morumbi — Foto: Getty Images

Quatro vezes campeão da América, três vezes campeão do mundo, e seis vezes campeão argentino, Carlos Bianchi marcou para sempre o imaginário do futebol sul-americano ao liderar grandes times e torna-los uma máquina de jogar bola, encarando grandes adversários sem se intimidar, e colocando os argentinos no topo de forma única. Com toda a certeza, será eternamente reverenciado por suas conquistas, e por muitos técnicos, seguido, para alcançar pelo menos uma parte do que atingiu.

Foto: UOL