Carlos Sainz avaliou positivamente as mudanças implementadas pela Fórmula 1 no GP de Miami de 2026, mas deixou claro que ainda acredita que os regulamentos precisam passar por ajustes importantes ao longo da temporada.
As alterações introduzidas pela FIA nos Estados Unidos tinham como principal objetivo reduzir os impactos negativos causados pelo chamado superclipping, situação em que os carros perdem potência elétrica em determinados trechos, além de diminuir os problemas relacionados às velocidades excessivas de aproximação durante as disputas.
Embora os ajustes tenham produzido algumas melhorias nas corridas, especialmente no aspecto das batalhas roda a roda, pilotos ainda demonstraram preocupação com o comportamento dos carros em classificação, principalmente por causa da necessidade de gerenciamento extremo de energia.
Como Presidente da Associação de Pilotos da Fórmula 1 (GPDA), Sainz afirmou que os problemas ainda estão longe de serem totalmente resolvidos, mas elogiou a postura da FIA por ouvir as reclamações dos pilotos e agir rapidamente.
Sainz diz que as classificações ainda precisa melhorar
Mesmo reconhecendo avanços após Miami, Sainz admitiu que a categoria ainda enfrenta dificuldades importantes no atual regulamento técnico. Segundo o espanhol, as sessões de classificação seguem apresentando situações consideradas estranhas para o padrão da Fórmula 1, especialmente pelo fato de pilotos continuarem desacelerando em retas para tentar administrar energia da unidade de potência.
“Na classificação, ainda temos um longo caminho pela frente”, afirmou Sainz. O piloto também explicou que pretende adotar uma postura mais colaborativa nas discussões com a FIA daqui para frente, focando menos em críticas públicas e mais em encontrar soluções para melhorar o espetáculo.
“Não vou mais criticar. Vou apenas tentar ser proativo e continuar insistindo que isso ainda não é bom o suficiente para a Fórmula 1”, declarou.
Apesar das críticas, Sainz reconheceu que as mudanças feitas em Miami ajudaram as corridas a ficarem mais competitivas. O espanhol também elogiou a forma como a FIA reagiu às preocupações envolvendo pneus intermediários e condições de pista molhada durante o fim de semana. “Parece que as corridas melhoraram um pouco. Estou feliz com os passos que eles deram e acho que a FIA fez um grande trabalho ouvindo as preocupações dos pilotos.” finalizou Sainz.
Fabricantes de motores ainda dificultam mudanças maiores
Embora exista um consenso crescente entre os pilotos, Sainz indicou que nem todos os envolvidos na Fórmula 1 concordam sobre a direção ideal para o regulamento de 2026. O espanhol sugeriu que algumas fabricantes de motores ainda resistem a alterações mais profundas nas regras atuais, especialmente em relação à gestão de energia das novas unidades de potência.
Desde o início da temporada, diversos pilotos criticaram o comportamento dos carros nas classificações, com cenas incomuns de desaceleração em retas e estratégias focadas quase exclusivamente em preservar carga elétrica para determinados setores da pista.
Para Sainz, a Fórmula 1 precisa continuar ajustando o regulamento ao longo do ano para evitar que esse tipo de situação comprometa o espetáculo. “Acho que eles fizeram um trabalho brilhante até aqui e agora todos parecem estar trabalhando na mesma direção. Só precisamos convencer alguns fabricantes de unidade de potência de que isso não é a resposta ideal para a Fórmula 1 nas classificações. Precisamos continuar evoluindo.” declarou o piloto.
A fala do espanhol também evidencia uma mudança importante dentro do paddock. No começo da temporada, havia divergências claras entre pilotos, equipes e FIA sobre a gravidade dos problemas do novo regulamento. Agora, existe uma percepção maior de união entre os competidores em busca de soluções.
A linha do tempo de Sainz na Williams desde o anúncio da sua chegada
Além de liderar discussões importantes sobre o futuro da Fórmula 1, Carlos Sainz também vive um momento de reconstrução na carreira dentro da Williams. A contratação do espanhol pela equipe britânica foi anunciada ainda em 2024, depois da confirmação de que Lewis Hamilton deixaria a Mercedes para assumir uma vaga na Ferrari em 2025. Sem espaço para continuar em Maranello, Sainz optou por um projeto de longo prazo na Williams.
Na época, a decisão surpreendeu parte do paddock, já que o piloto também recebeu interesse de outras equipes do grid. Mesmo assim, Sainz apostou no crescimento da Williams dentro do novo ciclo técnico da Fórmula 1. O início da parceria foi visto como extremamente positivo nos bastidores. A equipe destacou repetidamente a capacidade técnica do espanhol no desenvolvimento do carro e na análise de dados, características consideradas fundamentais para acelerar a recuperação da Williams.
Ao longo do fim de 2025 e do início de 2026, Sainz assumiu um papel cada vez mais importante dentro da estrutura do time, funcionando não apenas como principal piloto, mas também como uma das vozes mais influentes no direcionamento técnico da equipe.
Embora a Williams ainda esteja distante da disputa constante por vitórias, o espanhol conseguiu ajudar a equipe a se aproximar do pelotão intermediário e mostrar evolução em algumas etapas da temporada atual, conquistando seu primeiro pódio pela equipe no GP do Azerbaijão e depois mais um pódio no GP do Catar, os dois de terceiro lugar.
Sainz se fortalece como liderança dentro e fora das pistas
A temporada de 2026 vem consolidando Carlos Sainz como uma das figuras mais influentes da Fórmula 1 atual, tanto esportivamente quanto politicamente dentro da categoria. Além de liderar a GPDA, o espanhol vem participando ativamente das discussões sobre segurança, regulamentos e qualidade do espetáculo, assumindo uma posição de articulação entre pilotos e FIA.
Ao mesmo tempo, sua experiência passou a ser vista como peça-chave dentro da Williams em um momento de reconstrução técnica da equipe. Mesmo sem disputar vitórias regularmente neste momento, Sainz continua sendo tratado como um dos pilotos mais respeitados do grid pela consistência, capacidade analítica e postura nos bastidores.
E com a Fórmula 1 ainda segue tentando ajustar os detalhes do novo regulamento de 2026, a tendência é que a influência do espanhol nas decisões da categoria continue crescendo ao longo da temporada.
Foto: (Fórmula 1)