Na insistência, pressão e drama, o Flamengo venceu o Racing, por 1 a 0, no jogo de ida das semifinais da Libertadores 2025. O gol da vitória foi marcado por Jorge Carrascal, no segundo tempo. O resultado pôs o Mengão em vantagem no duelo, fazendo com que jogue pelo empate no duelo na Argentina para avançar para a final. Veja como foi a partida no Maracanã.
Antes da bola rolar…
O Flamengo chegou embalado para o duelo contra o Racing após vencer o concorrente direto Palmeiras por 3 a 2, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. A equipe comandada por Filipe Luís entrou em campo com moral e praticamente força máxima — a única ausência foi Everton Cebolinha, que segue em recuperação de lesão.
Em relação à escalação do último domingo, o treinador promoveu três mudanças: Varela, Danilo e Carrascal assumiram as vagas de Emerson Royal, Léo Ortiz e Samuel Lino. Entre as alterações, a do zagueiro chamou atenção. Ortiz chegou a se lesionar contra o Palmeiras, mas se recuperou a tempo do confronto pela Libertadores — ainda assim, iniciou entre os suplentes.
Do outro lado, o Racing ocupa a nona colocação no Campeonato Argentino e vem de vitória sobre o Aldosivi. O técnico Gustavo Costas teve boas notícias na lista de relacionados: o goleiro Gabriel Arias, os laterais Mura e Rojas, o volante Nardoni, o meia Sosa e o atacante Adrián Martínez viajaram com o grupo ao Rio de Janeiro. Todos vinham de problemas físicos e foram poupados nas rodadas anteriores. Por outro lado, o zagueiro Franco Pardo, o volante Alan Forneris e o atacante Elías Torres, lesionados, ficaram de fora.
O primeiro tempo de tensão, chances de gol e trocação tática

O jogo começou com o time rubro-negro nervoso e cometendo muitos erros técnicos. Os argentinos, por outro lado, iniciaram o duelo de forma mais solta e ameaçaram logo nas primeiras chegadas, com Adrián Martínez (mesmo que em posição irregular) e Marcos Rojo. La Academia tinha uma estratégia clara: acelerar as jogadas com ligações diretas. Em boa parte das investidas ofensivas, o Racing explorou transições em velocidade e lançamentos para Martínez — quase sempre partindo dos pés de Bruno Zuculini, Agustín Almendra e Gastón Martirena, os principais responsáveis pela saída rápida.
Do lado do Flamengo, a marcação alta dos argentinos dificultava a construção, mas o time encontrou seus primeiros espaços com uma alteração sutil e eficaz. A escolha por Carrascal na esquerda, no lugar de Samuel Lino, deu liberdade para Alex Sandro explorar o corredor quando o colombiano levava a bola para o meio. Foi justamente em uma dessas jogadas que surgiu a melhor chance: após cruzamento de Carrascal e desvio de Varela, Arrascaeta acertou a trave de Cambeses.
Na parte defensiva, os rubro-negros se mostraram concentrados nos desarmes, mas ainda se afobavam nas saídas em velocidade. O Racing, atento, direcionava sua pressão sobre Jorginho, um dos principais articuladores do Fla — tentando interceptar a bola e surpreender a defesa desprevenida.
A partir dos 20 minutos, o panorama mudou. O Flamengo passou a dominar a posse e criou mais ao variar as posições de Arrascaeta e Carrascal, confundindo a marcação rival. Pedro, por sua vez, recuava da área para abrir espaços às infiltrações de Luiz Araújo, gerando mais mobilidade no ataque.
Mesmo com o maior controle, o time de Filipe Luís levou um susto: Solari desviou um escanteio da direita e obrigou Rossi a fazer uma defesa espetacular. O Flamengo respondeu com finalizações perigosas de Arrascaeta, Varela e Pedro — este, em duas oportunidades. O primeiro tempo terminou sem gols, mas refletindo bem o que se esperava do confronto: um duelo intenso, equilibrado e cheio de alternativas ofensivas.7
Na base da insistência e do coração rubro-negro

O segundo tempo começou mais truncado, com muitas faltas e reclamações em campo. Percebendo a queda de ritmo, Filipe Luís promoveu alterações para dar novo fôlego e velocidade à equipe. Plata e Ayrton Lucas entraram nas vagas de Luiz Araújo e Alex Sandro, respectivamente. As chances de gol demoraram a aparecer, mas o Flamengo voltou a incomodar após as mudanças. Arrascaeta arriscou de média distância e obrigou Cambeses a espalmar para escanteio.
O Rubro-Negro passou a atacar com mais frequência, principalmente pela esquerda, com Carrascal puxando as jogadas. No entanto, essa postura ofensiva acabou se perdendo com o passar dos minutos, e a centralização das ações — ponto forte do time — desapareceu. Isso explica, em parte, a atuação mais discreta de Arrascaeta. Um momento de preocupação veio com Pedro, que machucou o punho em uma disputa e precisou ser substituído. Filipe promoveu novas trocas: Bruno Henrique e Samuel Lino entraram nas vagas do uruguaio e do camisa 9. O Fla perdeu um pouco de qualidade técnica e criatividade, mas ganhou força e velocidade pelos lados.
O Racing, por sua vez, não criou grandes oportunidades, embora tenha dado mais espaço para o Flamengo trabalhar a posse. Mesmo com a entrada de jogadores importantes que voltavam de lesão, La Academia não conseguiu agredir a última linha defensiva rubro-negra. As únicas ameaças vieram de erros de passe na saída de bola do Fla, prontamente corrigidos pelo sistema defensivo.
Os mandantes chegaram a balançar as redes com Samuel Lino, mas o lance foi anulado por impedimento. O gol, no entanto, amadurecia. E ele veio na base da insistência: após rebote de Cambeses, Jorge Carrascal apareceu para empurrar para o fundo da rede e fazer o Maracanã explodir. 1 a 0 Flamengo, com doses de drama, paciência e merecimento. Fim de jogo: vitória suada, mas justa, para os comandados de Filipe Luís.
Próximos jogos de Flamengo e Racing
Com a vitória, o Flamengo jogará pelo empate no jogo de volta na quarta que vem (29), no El Cilindro. A próxima partida do Fla é contra o Fortaleza, fora de casa, no sábado (25), às 19h30 (horário de Brasília). O time é vice-líder do Brasileirão 2025, com 61 pontos somados — atrás somente do Palmeiras pelo número de vitórias.
O Racing precisará vencer por mais de um gol de diferença para avançar para a final. Na sequência dos compromissos, La Academia volta a campo para a encarar o Central Córdoba pela 14ª jornada do Campeonato Argentino, no dia 2 de novembro, na rodada após as eleições argentinas.
Créditos pela foto de capa: Gilvan De Souza/Flamengo — Reprodução.