O Manchester United vive uma nova fase sob o comando de Michael Carrick, e uma das principais mudanças promovidas pelo treinador está no meio-campo. A reformulação do setor se tornou uma prioridade do clube para a temporada, com a chegada de novos jogadores e a tentativa de construir uma base mais sólida para o time.
De certa forma, o objetivo do Manchester United no mercado poderia ser resumido como a busca por um novo Casemiro. Mas existe outra comparação ainda mais interessante: o clube também parece procurar o próximo Michael Carrick.
Vinte anos depois de chegar ao Manchester United vindo do Tottenham, Carrick agora ocupa o banco de reservas e tem a missão de reconstruir justamente o setor no qual se tornou um dos jogadores mais importantes da história recente dos Red Devils.
Como jogador, o ex-meio-campista permaneceu no clube durante 12 anos, disputou 464 partidas e foi uma peça fundamental durante grande parte desse período. Essa experiência pode ajudar Carrick a identificar o que falta ao meio-campo atual.
O Manchester United contratou alguns jogadores que tiveram bons momentos na posição ao longo das últimas duas décadas, mas poucos conseguiram manter um alto nível por muitos anos.
Carrick quer encontrar estabilidade no meio-campo do Manchester United
Casemiro é um dos exemplos mais recentes. O brasileiro teve duas boas temporadas em quatro anos no Old Trafford, mas não conseguiu apresentar regularidade durante todo o período. Outros nomes, como Anderson, Owen Hargreaves, Paul Pogba e Ander Herrera, também tiveram fases positivas.
Fred e Marouane Fellaini, cada um com características diferentes, tiveram momentos importantes. Por outro lado, outros reforços não conseguiram causar o impacto esperado.
Manuel Ugarte, Morgan Schneiderlin, Bastian Schweinsteiger e Sofyan Amrabat são citados entre os jogadores que tiveram dificuldades para se consolidar no meio-campo do Manchester United.
Essa falta de continuidade ajuda a explicar por que o setor se tornou uma prioridade para Carrick. O treinador conhece como poucos a responsabilidade de atuar no centro do campo pelo clube e parece querer construir uma nova estrutura.
Até agora, dois reforços chegaram para o meio-campo: Andrey Santos, vindo do Chelsea, e Youri Tielemans, contratado junto ao Aston Villa.
O Manchester United ainda deseja adicionar um terceiro jogador ao setor. O clube apresentou uma proposta de 60 milhões de libras ao Brighton por Carlos Baleba, que pode completar a reformulação promovida por Carrick.
Nenhum dos possíveis reforços representa necessariamente uma substituição direta para Casemiro. O próprio perfil do brasileiro torna difícil encontrar uma cópia exata de suas características, mas a ideia parece ser construir um meio-campo com novas soluções.

Andrey Santos e Tielemans são os primeiros reforços de Carrick
Michael Carrick deixou claro que vê a reformulação como parte de um processo de evolução do Manchester United. Para o treinador, não se trata apenas de contratar jogadores tecnicamente qualificados.
“Eu sei que temos um bom meio-campo. Trouxemos jogadores realmente muito bons e também bons caracteres, o que é importante. Precisamos evoluir e melhorar”, afirmou Carrick.
O mercado, no entanto, não foi simples para os Red Devils. Alguns dos alvos do clube acabaram não chegando por diferentes motivos.
Uma negociação de 35 milhões de libras por Ederson, da Atalanta, não avançou após exames médicos apontarem preocupações com o joelho do brasileiro. Aurélien Tchouaméni também era um jogador desejado, mas permaneceu no Real Madrid.
O Manchester United ainda tentou outras alternativas. Mateus Fernandes, porém, acabou no Tottenham, que pagou 85 milhões de libras ao West Ham pelo português. Elliot Anderson também deixou o Nottingham Forest, mas foi contratado pelo Manchester City por 116 milhões de libras.
As negociações mostram uma mudança no cenário do Manchester United. Durante anos, o clube esteve entre os principais compradores do futebol mundial e foi capaz de competir pelas transferências mais caras do mercado.
Paul Pogba, por exemplo, chegou ao Manchester United por um valor que estabeleceu um recorde mundial na época: 89 milhões de libras. Agora, o clube parece adotar uma estratégia diferente.

Manchester United aposta em custo-benefício no mercado
Em um mercado no qual alguns meio-campistas ultrapassaram a marca de 100 milhões de libras, Carrick acredita que o Manchester United conseguiu realizar boas negociações.
Andrey Santos chegou por 48 milhões de libras, enquanto Youri Tielemans custou apenas 35 milhões de libras devido a uma cláusula de rescisão.
Carrick demonstrou satisfação não apenas com os valores envolvidos, mas principalmente com as características dos dois jogadores.
“Certamente há jogadores que foram mais caros, isso é bastante óbvio. Estamos muito felizes com os dois que trouxemos e com o dinheiro gasto. Mas, deixando isso de lado, estou feliz por termos conseguido contratá-los”, disse o treinador.
Para Carrick, Santos e Tielemans oferecem equilíbrio e diferentes possibilidades ao Manchester United. A intenção parece ser montar um setor menos dependente de um único jogador.
O caso de Tielemans é particularmente interessante. O belga chega ao clube aos 29 anos, enquanto Carrick tinha 25 quando fez sua estreia pelo Manchester United.
Tielemans também possui uma das características que marcaram a carreira do atual treinador: a qualidade no passe. A contratação do belga pode indicar uma preferência de Carrick por um meio-campo mais construtivo.
Isso significa que a equipe pode apostar menos em jogadores exclusivamente responsáveis pela marcação e mais em atletas capazes de controlar o jogo com a bola.
A ideia de Carrick para o novo meio-campo
Uma possível dupla formada por Tielemans e Kobbie Mainoo, por exemplo, não teria um volante clássico especializado apenas em recuperar bolas. Mas Carrick também jogou em equipes que funcionavam dessa maneira.
Quando formava dupla com Paul Scholes, a combinação não era necessariamente composta por um meio-campista destruidor e outro construtor. A qualidade técnica e a inteligência dos jogadores eram fundamentais para o equilíbrio.
Carrick também utilizou Mason Mount em uma função mais recuada no meio-campo durante a pré-temporada. Mount, porém, aparece como dúvida física neste momento.
Casemiro ainda pode ser considerado a opção mais defensiva do setor, mas as experiências realizadas pelo treinador indicam que o Manchester United poderá apresentar diferentes configurações durante a temporada.
A importância dada por Carrick ao meio-campo vai além da parte técnica. Para o treinador, o setor é responsável por conectar toda a equipe e influencia diretamente a forma como o time joga com e sem a bola.
“O meio-campo conecta toda a equipe e tem uma grande influência na forma como o time atua com e sem a bola, além do caráter e da personalidade da equipe”, explicou.
A visão do treinador está diretamente ligada ao que ele representou como jogador. Carrick se destacou pela calma, regularidade e capacidade de dar estabilidade ao time.
Carrick quer construir uma espinha dorsal forte no Manchester United
Essa parece ser exatamente a base que ele pretende criar agora como treinador. Carrick acredita que consistência é um dos elementos mais importantes para uma equipe alcançar sucesso.
“Você precisa de uma base sólida no meio do time. Se olhar para todas as grandes equipes ao longo dos anos, a espinha dorsal é realmente forte”, afirmou.
O Manchester United precisa dessa estabilidade. Nas últimas duas décadas, Arsenal, Chelsea, Liverpool e Manchester City conseguiram construir meio-campos marcantes e realizar diversas contratações de sucesso para o setor.
Os Red Devils, por outro lado, tiveram mais dificuldades para encontrar jogadores capazes de se manter como referências durante um longo período. Bruno Fernandes, apesar de sua importância, atua mais próximo da função de um camisa 10.
Com Andrey Santos e Youri Tielemans, além da possibilidade de Carlos Baleba chegar ao clube, Michael Carrick tenta mudar essa realidade.
A reconstrução ainda não está completa, mas a estratégia já está clara. O Manchester United quer um meio-campo com mais equilíbrio, qualidade técnica, personalidade e consistência.
E, para identificar os jogadores ideais para essa missão, poucos treinadores conhecem tão bem o peso de comandar o meio-campo do Manchester United quanto Michael Carrick.
Foto: Reprodução/REUTERS



