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Copa do Mundo

Caso Balogun resgata polêmica de Garrincha em 1962 e deixa Bélgica à espera de decisão antes das oitavas

Folarin Balogun deveria ser desfalque certo dos Estados Unidos contra a Bélgica. Expulso diante da Bósnia e Herzegovina, o atacante viu a Fifa suspender sua punição e abrir uma enorme discussão às vésperas das oitavas de final.

O caso ganhou uma dimensão ainda maior porque existe um precedente histórico semelhante. Para encontrá lo, é preciso voltar 64 anos e lembrar de Garrincha na Copa do Mundo de 1962.

Balogun passa de suspenso a possível titular contra a Bélgica

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Foto: REUTERS

A confusão começou durante a vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina nos 16 avos de final da Copa do Mundo.

Balogun recebeu cartão vermelho direto depois de pisar no tornozelo do zagueiro Tarik Muharemovic. O lance aconteceu durante uma disputa de bola e foi considerado acidental por quem defende o atacante americano, mas a arbitragem entendeu que a entrada justificava a expulsão.

A consequência parecia simples.

Balogun deixaria o campo antes do fim da partida e também ficaria fora do confronto seguinte. Os Estados Unidos enfrentariam a Bélgica nas oitavas de final sem seu principal goleador na competição.

A situação mudou completamente com a intervenção da Fifa.

A entidade decidiu suspender a punição e permitiu que Balogun voltasse a ficar à disposição do técnico Mauricio Pochettino. A decisão provocou revolta imediata na Bélgica, que se preparava para enfrentar uma seleção americana sem o atacante.

A importância esportiva da mudança é enorme.

Balogun chegou às oitavas como artilheiro dos Estados Unidos na Copa do Mundo, com três gols. Não se trata de um jogador de pouca participação que dificilmente entraria em campo. A decisão da Fifa pode colocar novamente no jogo uma das principais armas ofensivas do adversário belga.

A Federação Belga reagiu formalmente e enviou uma carta à entidade máxima do futebol. Segundo a imprensa internacional, a Bélgica recebeu o direito de recorrer e passou a aguardar uma decisão definitiva antes da partida.

Isso criou uma situação incomum.

A poucas horas de um jogo eliminatório de Copa do Mundo, as duas seleções ainda não tinham certeza sobre a presença de um dos jogadores mais importantes do confronto.

Há 64 anos, Garrincha também foi expulso e liberado para jogar

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Foto: (A. Lecoq/L’Équipe)

A polêmica envolvendo Balogun fez um episódio antigo voltar ao centro das discussões.

Em 1962, Garrincha vivia uma das maiores atuações individuais já vistas em uma Copa do Mundo. O Brasil havia chegado ao Chile como atual campeão mundial, mas perdeu Pelé por lesão ainda no início da competição.

Sem seu principal jogador, Garrincha assumiu o protagonismo.

Na semifinal contra o Chile, país anfitrião do torneio, a Seleção venceu por 4 a 2 e garantiu uma vaga na decisão. O grande problema aconteceu aos 83 minutos.

Garrincha foi expulso por uma falta de reação.

A consequência poderia ter mudado a história da Copa. O Brasil estava classificado para a final, mas deveria enfrentar a Tchecoslováquia sem o jogador que havia se transformado em sua maior referência.

A suspensão acabou não sendo cumprida.

Garrincha foi liberado para disputar a decisão, participou da vitória brasileira por 3 a 1 e terminou o torneio como um dos grandes responsáveis pelo bicampeonato mundial da Seleção.

O episódio permanece cercado por histórias sobre bastidores e possíveis pressões políticas.

Ao longo dos anos, surgiram versões de que o governo brasileiro e os organizadores do torneio teriam atuado para evitar a ausência de Garrincha na final. O caso se transformou em um dos episódios disciplinares mais curiosos da história das Copas.

Agora, 64 anos depois, Balogun aparece em uma situação que inevitavelmente provoca comparações.

Nos dois casos, um jogador importante foi expulso durante o mata mata e corria o risco de perder uma partida decisiva. Nos dois casos, a punição deixou de produzir o efeito que parecia automático depois do cartão vermelho.

A diferença é que o futebol atual possui regulamentos, mecanismos disciplinares e uma estrutura de comunicação muito mais desenvolvidos do que em 1962. Justamente por isso, a falta de clareza aumenta a pressão sobre a Fifa.

Bélgica tenta impedir que Balogun entre em campo

Rudi Garcia Bélgica
Foto: Getty Images Sport

A Federação Belga deixou claro que não pretende aceitar a situação sem questionamentos.

Em comunicado oficial, a RBFA afirmou que está analisando todas as opções disponíveis para proteger os direitos das seleções participantes e os princípios fundamentais do jogo limpo. A escolha das palavras mostra que a Bélgica considera o caso maior do que uma simples discussão sobre um cartão vermelho.

O problema está na mudança das condições do confronto.

Desde a expulsão contra a Bósnia e Herzegovina, a preparação belga poderia considerar Balogun como um desfalque americano. A liberação do atacante altera o planejamento defensivo, a análise do adversário e até as possíveis escolhas para a escalação.

O momento da decisão também aumenta a tensão. Estados Unidos e Bélgica entram em campo às 21h, e a situação de Balogun ainda dependia de uma definição nas horas anteriores à partida. Em vez de concentrar todas as atenções no jogo, as duas seleções passaram a acompanhar uma disputa nos bastidores.

Para os americanos, a liberação representa a possibilidade de contar com seu artilheiro na competição, autor de três gols. Para os belgas, significa enfrentar um jogador que, pela consequência normalmente associada a um cartão vermelho direto, deveria estar suspenso.

A situação ganhou ainda mais peso depois da informação de que a Bélgica recebeu o direito de recorrer da decisão. A partir daí, a presença de Balogun deixou de ser uma certeza e passou a depender de uma nova definição antes do confronto.

A comparação com Garrincha aumenta a dimensão histórica do episódio. Há 64 anos, o brasileiro foi expulso em uma semifinal, conseguiu disputar a decisão e ajudou a Seleção a conquistar o título mundial. Agora, Balogun pode entrar em campo logo na partida seguinte ao seu cartão vermelho.

O atacante americano não possui a importância histórica de Garrincha, mas sua influência nesta Copa é considerável. Com três gols, ele é o principal goleador dos Estados Unidos e uma das peças mais importantes do time de Mauricio Pochettino.

É justamente por isso que a Bélgica insiste em contestar a decisão.

Se Balogun entrar em campo e tiver participação decisiva na classificação americana, a discussão não terminará com o apito final. A liberação do atacante poderá se transformar em um dos episódios mais controversos desta Copa do Mundo.

Por enquanto, Estados Unidos e Bélgica aguardam. Uma seleção espera ter seu artilheiro em campo. A outra tenta impedir que um jogador expulso na partida anterior participe das oitavas de final.

E, 64 anos depois de Garrincha, uma Copa do Mundo volta a ter uma partida eliminatória cercada pela mesma pergunta: um jogador expulso poderá entrar em campo no jogo seguinte?

(Foto de capa: FIFA)

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Kaique