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Islam Makhachev quebra recorde de Anderson Silva com vitória no UFC 330; russo já é um dos maiores da história do UFC?

Islam Makhachev já havia entrado para a história do UFC antes mesmo do UFC 330. Campeão dos leves e, posteriormente, dono do cinturão dos meio-médios, o russo alcançou uma posição reservada a poucos lutadores na organização. Mas a vitória sobre Ian Machado Garry, na noite de sábado (15), acrescentou uma nova dimensão ao seu legado: ao defender o título dos 77 kg por decisão unânime, Makhachev chegou a 17 vitórias consecutivas no octógono, superando o recorde de 16 que pertencia a Anderson Silva.

A pergunta, portanto, já não é apenas se Makhachev é um dos melhores lutadores de sua geração. A discussão passou a ser outra: onde ele deve ser colocado quando a história do UFC é analisada como um todo?

O recorde de Anderson Silva agora pertence a Makhachev

A marca de 17 vitórias consecutivas tem um peso enorme porque o recorde anterior pertencia a um dos maiores nomes que já passaram pelo esporte. Anderson Silva construiu sua sequência entre 2006 e 2013, período em que se tornou campeão dos médios e dominou a categoria durante anos.

Makhachev, agora, ultrapassou essa marca justamente em uma fase em que sua carreira ganhou uma nova dimensão. A vitória sobre Garry não foi apenas a 17ª consecutiva: foi também a confirmação de que o russo conseguiu transportar seu domínio para uma categoria acima daquela em que construiu boa parte de sua trajetória.

E há um detalhe importante: a vitória não veio contra um adversário qualquer. Garry entrou como segundo colocado do ranking e conseguiu oferecer resistência em alguns momentos, especialmente nas trocas em pé. Ainda assim, Makhachev encontrou as soluções necessárias com wrestling, controle e pressão para vencer os cinco rounds.

O segundo elemento que coloca Makhachev na conversa dos maiores é a capacidade de conquistar títulos em duas categorias. Ele já havia sido campeão dos leves e conseguiu transportar o mesmo domínio para os meio-médios, tornando-se campeão da segunda divisão. No UFC 330, portanto, não estava tentando conquistar um novo cinturão: estava fazendo sua primeira defesa do título dos 77 kg.

Essa diferença é fundamental para compreender seu momento atual. Makhachev não subiu de categoria apenas para buscar uma conquista pontual. Ele mudou de divisão e permaneceu no topo. É um feito que o coloca em uma lista extremamente restrita dentro do UFC. Mas também é aqui que surge uma ponderação importante: conquistar dois cinturões não significa automaticamente possuir o maior currículo da história. Georges St-Pierre, Demetrious Johnson e Anderson Silva, por exemplo, construíram legados extremamente longos dentro de suas respectivas divisões. Makhachev ainda está escrevendo essa parte da história.

A grande diferença para Anderson Silva

O recorde de vitórias consecutivas agora é de Makhachev, mas a comparação com Anderson Silva precisa ser feita com cuidado. A sequência do brasileiro foi construída durante um dos períodos mais dominantes da história do UFC. Silva acumulou 11 lutas valendo cinturão e dez defesas de título durante sua série de 16 vitórias. Makhachev, por sua vez, possui sete vitórias em disputas de cinturão e cinco defesas de título.

Ou seja: o russo já superou Silva em uma estatística objetiva, mas ainda precisa de longevidade para igualar o peso histórico de toda aquela era. E justamente por isso o recorde pode ser tão importante. Makhachev tem apenas 34 anos e permanece no auge competitivo. Se continuar vencendo nos próximos anos, a diferença entre os dois poderá deixar de ser apenas uma questão estatística.

Há também uma característica de Makhachev que merece atenção: ele raramente depende de uma única maneira de vencer. O russo pode controlar uma luta no chão, trabalhar contra a grade, administrar a distância ou utilizar a trocação para preparar suas quedas. Contra Garry, mesmo enfrentando um adversário com vantagem considerável de altura e alcance, encontrou maneiras de reduzir o espaço e transformar a luta em um problema de grappling.

Essa capacidade de adaptação ajuda a explicar por que sua sequência se tornou tão longa. Makhachev não precisa necessariamente apresentar a atuação mais espetacular do card. Seu objetivo é resolver o problema que está diante dele. Foi assim nos leves e continua sendo assim nos meio-médios.

Ainda falta uma coisa para colocá-lo no topo absoluto

Se existe um argumento contra colocar Makhachev imediatamente no primeiro escalão absoluto da história, ele está na longevidade. O russo já possui conquistas que muitos campeões jamais alcançarão. É campeão em duas categorias, tem uma sequência recorde de 17 vitórias e permanece no topo do ranking peso por peso. Mas alguns dos nomes que disputam com ele o posto de maior lutador da história acumularam domínio por períodos ainda mais longos e enfrentaram múltiplas gerações de adversários.

Por isso, talvez seja mais justo dizer que Makhachev já pertence ao grupo dos grandes, mas ainda está construindo seu argumento para ser o maior de todos. E o mais assustador para os concorrentes é que essa construção ainda não terminou.

Agora, a questão passa a ser quem conseguirá interromper essa sequência. Michael Morales, que estava presente em Philadelphia e havia batido o peso como reserva do evento, aparece entre os candidatos ao próximo desafio. Carlos Prates também ganhou força na corrida, enquanto Shavkat Rakhmonov permanece como outro nome relevante na divisão.

Qualquer um desses confrontos acrescentará uma nova camada à discussão. Se Makhachev continuar vencendo, o recorde de 17 rapidamente deixará de parecer apenas uma marca histórica e começará a se transformar em uma barreira para as próximas gerações.

É por isso que o UFC 330 pode ser lembrado como um daqueles eventos que mudam a maneira como uma carreira é analisada. Makhachev já não está perseguindo os grandes nomes do passado. Ele começou a criar marcas que os próximos grandes nomes terão de perseguir.

Anderson Silva agora está atrás dele na principal sequência de vitórias da organização. O segundo cinturão já está em sua coleção. Aos 34 anos, o russo ainda tem tempo para transformar uma carreira extraordinária em algo ainda maior.

A história, neste momento, não é mais sobre se Makhachev pertence à elite do UFC. É sobre até onde ele pode subir dentro dela.

(Foto: Getty Images)