Enzo Maresca, Treinador Chelsea Premier League
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Chelsea precisa amadurecer rápido para evitar nova crise na temporada

O Chelsea vive um daqueles momentos em que é impossível esconder as fragilidades. A derrota para a Atalanta na Champions escancarou tudo aquilo que Enzo Maresca tenta disfarçar desde o início da temporada: o time ainda não está pronto para competir com os grandes quando a coisa aperta de verdade. E não é só pela bola jogada, mas pela falta de maturidade para segurar resultados e lidar com pressão.

Contra os italianos, os Blues até largaram na frente, mas apagaram completamente no segundo tempo. O que era vantagem virou desespero, e esse filme tem passado com frequência. O Chelsea não vence há quatro jogos e a sensação é de que qualquer pancada emocional derruba o time por completo.

A defesa, que parecia ter encontrado alguma estabilidade, voltou a errar em lances cruciais. Desatenção no primeiro gol, marcação frouxa no segundo… tudo aquilo que um time jovem costuma sofrer quando enfrenta adversários cascudos. A Atalanta mordeu, empurrou, acelerou o jogo, e o Chelsea não soube responder no mesmo nível de intensidade.

Juventude talentosa, mas ainda crua

Maresca tem à disposição um elenco cheio de jogadores promissores, com muita qualidade técnica, mas que ainda não aprenderam a controlar o jogo quando ele começa a fugir das mãos. Eles entregam bons momentos, mostram recursos individuais, mas tudo isso se perde quando o emocional escorrega.

A rotação do treinador também vem chamando atenção. Contra a Atalanta, foram cinco mudanças em relação ao empate com o Bournemouth. Algumas forçadas, por desgaste e lesões, outras por opção. No papel, faz sentido poupar, ainda mais com o calendário em modo turbo. Na prática, vem atrapalhando mais do que ajudando. Falta ritmo coletivo, falta entrosamento nos setores mais sensíveis.

O caso da defesa é o mais evidente. Trevoh Chalobah saiu no intervalo por estar pendurado e por jogar demais. Wesley Fofana entrou, mas logo se lesionou. Bagunça total. Quando a espinha dorsal muda toda hora, não tem como cobrar organização lá atrás. E assim o Chelsea segue entregando gols que poderiam ser evitados.

Pontos positivos no meio da crise

No meio dessa turbulência, pelo menos uma boa notícia: Josh Acheampong. O garoto de 19 anos foi, sem exagero, o melhor jogador do Chelsea em campo na Itália. Corajoso, firme nos desarmes, se posicionando como veterano. Maresca até admitiu depois que se arrependeu de não tê-lo usado contra o Leeds. Parece que ali nasce um jogador que pode simbolizar a mudança de mentalidade que o time tanto precisa.

Mas não dá para depender apenas da molecada dar conta do recado. Thiago Silva saiu há pouco tempo, e a falta de lideranças claras no grupo pesa muito. Quando o jogo aperta, quem assume a bronca? Quem chama a responsabilidade? Por enquanto, ninguém.

O Chelsea tinha sido apontado como possível candidato ao título da Premier League depois de jogos muito bons contra Arsenal e Barcelona. O problema é que isso parece ter inflado expectativas cedo demais. Desde então, o time parece ter voltado para o estágio real do projeto: aprender a competir.

Tabela apertada e pressão crescente no Chelsea

A situação na Champions é delicada. Se quiser terminar entre os oito primeiros e escapar de playoff, o Chelsea precisará vencer os dois últimos jogos — contra Pafos e Napoli. Não dá para errar mais. A margem é zero.

E ainda tem a Premier League, que não espera ninguém recuperar confiança. Próxima parada: Everton no Stamford Bridge. Os Toffees vivem grande fase com David Moyes e tiveram a semana livre para treinar, ao contrário do Chelsea. Ou seja: pode ser mais um jogo complicado, com pressão da torcida logo cedo se as coisas derem errado.

Maresca até explicou parte da queda dizendo que o time sente o efeito de jogar a cada dois ou três dias. É verdade. Mas isso é realidade de quem quer brigar em alto nível. Não dá para usar como desculpa por muito tempo. Em algum momento, vai precisar mostrar soluções.

Hora de crescer de verdade

Esse Chelsea tem qualidade. Isso ninguém discute. Mas falta a casca. Falta aprender a sofrer sem derreter. Falta transformar talento em resultados mesmo nos dias ruins. É o famoso “jogar como time grande” — segurar quando o adversário cresce, não se desesperar com o primeiro erro, controlar a vantagem com maturidade.

O elenco é jovem, e um pouco de oscilação faz parte do processo. Só que a pressão que envolve o clube não aceita essa ideia com muita paciência. Especialmente após tanto investimento e tantas mudanças nos últimos anos, o torcedor quer evolução clara e contínua.

A chance está aí: crescer, endurecer o jogo e retomar as vitórias. E isso precisa começar agora. O Chelsea precisa parar de ser o time que encanta em um dia e desaparece no outro. Se quer sonhar com algo grande na temporada, primeiro terá que aprender a ser competitivo sempre.