Se alguém esperava humildade ou discurso padrão, esquece. Khamzat Chimaev fez exatamente o que todo mundo imaginava: respondeu às críticas com aquela confiança ou arrogância, dependendo do ponto de vista, que virou sua marca registrada, meio que sem ligar nem um pouco para o que os outros pensam.
O campeão dos médios do UFC volta ao octógono no aguardado UFC 328, onde encara Sean Strickland em uma luta que promete ser tão intensa no microfone quanto dentro da jaula. E antes mesmo do primeiro soco, o clima já tá daquele jeito.
“Não ligo”: Chimaev manda recado direto
Muito se fala sobre a inatividade de Chimaev. Apesar de estar no topo da divisão dos médios, o lutador não tem o ritmo de lutas que muitos fãs esperam de um campeão, olhar para ele, depois de ver Alexandre Pantoja ou Israel Adesanya, fica bem complicado.
Mas, pelo visto, isso não tira o sono dele nem um pouco.
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Em entrevista recente, o recado foi direto:
“Eu não ligo. Esses caras que ligam. Eu tô fazendo milhões. Essas pessoas só falam e não fazem nada.”
Sem filtro. Sem meia palavra. Bem no estilo Chimaev. A mensagem é clara: enquanto ele estiver ganhando dinheiro e vencendo lutas, a opinião externa fica em segundo plano. E, sejamos justos, dentro do octógono ele ainda não deu muitos motivos para ser questionado.
Porque esse é o ponto: quando luta, Chimaev normalmente atropela. Desde que chegou ao UFC, ele construiu uma reputação de lutador dominante, com um estilo sufocante, físico absurdo e uma capacidade de impor ritmo que poucos conseguem acompanhar, nem sempre é interessante de assistir, mas se lembrar do embate contra Gilbert Burns…
A maioria dos seus adversários simplesmente não encontrou resposta. É por isso que, mesmo com menos lutas do que outros nomes da divisão, ele segue sendo tratado como um dos caras mais perigosos do mundo.
Strickland promete caos dentro e fora
Do outro lado, porém, está Sean Strickland e aí a história muda um pouco. Se Chimaev é intensidade física, Strickland é intensidade verbal. O americano não perde uma oportunidade de provocar, cutucar e transformar qualquer coletiva em entretenimento puro.
Ou seja: a construção dessa luta promete, muito pelo fato do norte-americano sempre se apresentar cheio de confiança, ainda mais agora que simplesmente dominou Anthony Hernandez, o famoso Fluffy.
E dentro do cage, apesar de muitos colocarem Chimaev como favorito, Strickland é o tipo de cara que adora estragar roteiro, costuma fazer um barulho legal quando se encontra como azarão, Adesanya já viu esse roteiro, e Fluffy também… Não vai ser uma luta fácil, principalmente se conseguir levar o combate para rounds mais longos.
A crítica faz sentido?
Agora, vamos ao ponto mais importante: a crítica sobre a inatividade é justa? Em partes, sim.
No MMA moderno, especialmente no UFC, existe uma expectativa clara de que campeões sejam ativos. Defender cinturão uma vez por ano, ou até menos, começa a incomodar fãs e até a própria organização. Vale lembrar que o UFC quer fazer cards fortíssimos, e normalmente, precisa dessas disputas pelo cinturão, ainda mais agora que a Paramount chegou na jogada.
A divisão dos médios é competitiva. Tem nomes pedindo passagem. E quando o campeão demora para lutar, o cenário trava. Por outro lado, também existe o lado do lutador.
Chimaev não está errado ao priorizar ganhos financeiros e sua própria carreira, e é necessário lembrar que o Ramadã está no meio deste rolê todo, mesmo motivo pelo qual Islam Makhachev esteve mais ausente neste início de ano. Lutar menos, ganhar mais e preservar o corpo é uma estratégia cada vez mais comum. A diferença é que, quando você é campeão… a cobrança vem junto.
O que está em jogo no UFC 328
A luta contra Strickland vai além de uma simples defesa de cinturão.
Para Chimaev, é a chance de:
Reafirmar seu domínio na categoria
Silenciar (pelo menos temporariamente) as críticas
E começar a construir um legado mais sólido como campeão
Porque talento ele já mostrou que tem. O que falta agora é consistência em atividade. Inclusive, já se fala nos bastidores sobre a possibilidade dele buscar um segundo cinturão no futuro, algo que só grandes nomes conseguem. Mas, pra isso, ele precisa lutar mais.
Se vencer Strickland de forma convincente, a expectativa é clara: que Chimaev volte ao octógono ainda este ano. Caso contrário, a pressão vai aumentar e não vai ser pouca. O UFC gosta de campeões ativos. Os fãs também. E a divisão precisa andar.
Confiança ou soberba?
Chimaev segue sendo um dos personagens mais interessantes do MMA atual. Confiante, dominante e totalmente alheio às críticas, ele joga no próprio ritmo. E, até agora, tem funcionado. Mas no esporte mais imprevisível do mundo, uma coisa é certa:
uma noite ruim pode mudar tudo.
E contra alguém como Strickland, isso nunca pode ser descartado. Se ele vai continuar ignorando as críticas… ou se vai precisar lidar com novas, a resposta vem no UFC 328. E como sempre, com Chimaev envolvido, pode esperar espetáculo.
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