Khamzat Chimaev
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Khamzat Chimaev diz esperar Strickland em defesa de cinturão; escolha seria justa?

Khamzat Chimaev, atual campeão da divisão dos médios do UFC, antecipou qual será o adversário em sua primeira defesa de cinturão. Em interações na rede social X (antigo Twitter), o russo declarou que está esperando Sean Strickland, atual número 3 da categoria, como próximo desafiante. A fala de Chimaev rapidamente ganhou repercussão entre fãs e especialistas, que passaram a debater se a escolha seria, de fato, justa.

O UFC ainda não confirmou a luta e também não anunciou quando Chimaev voltará ao octógono — ele não luta desde agosto, quando derrotou Dricus du Plessis na disputa pelo título, no UFC 319. Apesar da ausência de confirmação oficial, a expectativa de um confronto entre Chimaev e Sean Strickland gerou burburinho no mundo do MMA, principalmente no que diz respeito ao merecimento esportivo.

Como Strickland entrou na rota de Chimaev?

Ex-campeão da divisão, Strickland reapareceu com força na corrida pelo cinturão após uma vitória avassaladora sobre Anthony Hernandez, no último dia 21. O nocaute sobre a promessa dos médios foi decisivo para recolocar seu nome no radar da organização. Em um cenário de disputas acirradas, performances dominantes ainda pesam muito na definição de um desafiante.

Strickland já tem histórico com o topo da categoria. O norte-americano conquistou o cinturão em 2023 e, desde então, se manteve entre os principais nomes da divisão. Naturalmente, ser ex-campeão o coloca em posição privilegiada em qualquer debate por nova chance. Isso ajuda a explicar por que Chimaev, mesmo sem anúncio oficial, já o enxerga como provável adversário.

Mas não é só o desempenho esportivo que sustenta essa possível escolha. O perfil “falastrão” de Strickland também conta pontos. Conhecido por declarações polêmicas — muitas vezes além do limite — ele costuma gerar manchetes, engajamento e, sobretudo, vendas. Em um esporte cada vez mais dependente de promoção e narrativa, Strickland é um personagem que movimenta as redes e ajuda a vender a luta.

Ainda assim, há questionamentos. Das últimas quatro vezes em que subiu ao octógono, Strickland perdeu duas — justamente para du Plessis. O retrospecto recente é irregular se comparado a outros nomes do ranking. Isso alimenta o debate sobre se a escolha seria baseada puramente no mérito ou também em fatores extracampo.

Imavov vive fase mais sólida

Se o critério fosse apenas desempenho recente, o favorito natural ao “title shot” seria Nassourdine Imavov. Número 2 do ranking dos médios, o russo-francês atravessa o melhor momento da carreira. São cinco vitórias consecutivas, com atuações consistentes e evolução técnica evidente.

Imavov, além de melhor colocado, construiu uma sequência que o credencia esportivamente. Em uma divisão marcada por alternância no topo, manter regularidade é um diferencial. Por isso, muitos analistas consideravam praticamente certo que ele seria o próximo a desafiar Chimaev.

Comparativamente, o momento de Strickland é menos sólido. As derrotas recentes para du Plessis ainda pesam, mesmo com o nocaute recente. Já Imavov não apenas venceu, como o fez contra adversários relevantes, consolidando-se como ameaça real ao campeão.

Luta será na Casa Branca?

Há também o fator político e simbólico. Existe a possibilidade de Chimaev defender o cinturão em um evento especial do UFC na Casa Branca, previsto para junho, como parte das comemorações dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos. Nesse contexto, colocar frente a frente dois lutadores ligados à Rússia poderia não ser o cenário mais atraente para a organização, considerando o simbolismo do local.

Assim, a escolha de Strickland pode dialogar melhor com o mercado norte-americano. Um ex-campeão dos Estados Unidos, conhecido do público e com histórico de rivalidades, tende a gerar maior identificação em um evento comemorativo de caráter nacional.

É melhor para Chimaev

Do ponto de vista técnico, porém, muitos enxergam Imavov como o desafiante mais difícil para Chimaev. O estilo versátil, a boa defesa de quedas e o momento embalam a tese de que ele ofereceria maior risco ao reinado do campeão. Chimaev, por sua vez, sempre se destacou pela intensidade e pelo grappling sufocante, mas ainda não enfrentou Imavov no auge.

No fim das contas, a decisão do UFC raramente é apenas esportiva. Chimaev pode até preferir Strickland por enxergar nele um rival mais midiático ou até stylisticamente interessante. Mas a organização equilibra ranking, narrativa, mercado e contexto político. Se Chimaev realmente enfrentar Strickland, a escolha será defensável sob a ótica do espetáculo. Ainda assim, para parte da comunidade do MMA, ficará a sensação de que Imavov merecia estar um passo à frente na fila pelo cinturão de Chimaev.

Foto: Reprodução/UFC