Maja Chwalinska segue protagonizando uma das campanhas mais surpreendentes da história recente de Roland Garros. Vinda do qualifying e sem jamais ter passado das fases preliminares do torneio parisiense antes desta edição, a polonesa derrotou a russa Diana Shnaider por 2 sets a 0, com parciais de 7/6 (7-4) e 6/4, nesta quinta-feira, e garantiu vaga na primeira final de Grand Slam da carreira.
Aos 24 anos, a número 114 do mundo chegou à oitava vitória consecutiva em Paris e agora terá a chance de conquistar um título histórico diante da russa Mirra Andreeva, em uma decisão inédita entre duas tenistas que jamais se enfrentaram no circuito profissional.
O jogo
A semifinal foi marcada pelo equilíbrio e pela consistência de Chwalinska nos momentos decisivos. O primeiro set teve longa duração e foi disputado ponto a ponto. A polonesa conseguiu a primeira quebra logo no quarto game, mas viu Shnaider reagir imediatamente. Sem conseguir abrir vantagem novamente durante a parcial, as duas tenistas levaram a definição para o tiebreak. A russa chegou a liderar por 4 a 2, porém Chwalinska elevou seu nível nos momentos mais importantes, venceu cinco pontos consecutivos e fechou o desempate por 7 a 4.
O equilíbrio permaneceu no segundo set. Chwalinska voltou a quebrar o saque da adversária logo no início, mas novamente Shnaider respondeu rapidamente. A partida seguiu aberta, com as duas atletas enfrentando problemas físicos em determinados momentos e recebendo atendimento médico durante a parcial. Ainda assim, nenhuma delas diminuiu a intensidade das trocas de bola.
A definição aconteceu na reta final. Em um game irregular da russa no nono game, Chwalinska aproveitou a oportunidade para conquistar uma quebra decisiva, abrir 5 a 4 e assumir o controle do set. Sacando para a partida, a polonesa mostrou personalidade, confirmou o serviço sem maiores sustos e selou a classificação histórica para a final de Roland Garros.
A campanha de Chwalinska já entra para a história do torneio independentemente do resultado da decisão. A polonesa se tornou a primeira tenista vinda do qualifying a alcançar uma final em Roland Garros e apenas a segunda na era aberta a chegar à decisão de um Grand Slam após disputar o quali, repetindo o feito de Emma Raducanu no US Open de 2021. Além disso, será a primeira canhota a disputar a final em Paris desde 2019.
Chwalinska continua sua campanha histórica, mas Andreeva é um bicho diferente
A vitória sobre Shnaider reforça uma característica que tem marcado sua trajetória no torneio: a capacidade de competir sob pressão. Em nenhum momento da semifinal ela esteve em situação de quebra abaixo no placar, mesmo enfrentando uma adversária mais bem posicionada no ranking e acostumada a grandes torneios. Seu jogo variado, baseado em mudanças de ritmo, bolas anguladas e excelente leitura tática, voltou a neutralizar uma oponente teoricamente superior.
Outro aspecto impressionante é a evolução da polonesa ao longo de Roland Garros. Antes desta edição de Roland Garros, ela jamais havia derrotado uma adversária do top 50 e possuía apenas duas vitórias em nível WTA no saibro. Em Paris, já soma quatro triunfos contra jogadoras desse patamar, incluindo três integrantes do top 30, demonstrando uma maturidade competitiva que não aparecia em seu currículo até então.
Na final, porém, o desafio será ainda maior. Mirra Andreeva chega embalada por uma temporada de alto nível e disputará sua terceira final de WTA 1000 ou superior em pouco mais de um ano. Ainda assim, Chwalinska já mostrou durante toda a campanha que rankings e favoritismo pouco significam quando ela entra em quadra. Depois de derrubar sucessivas favoritas, a surpresa polonesa chega à decisão com confiança máxima e a oportunidade de completar uma das histórias mais improváveis da história recente do tênis feminino.
(Foto: Nicolas Gouhier/Roland Garros)



