A final da Copa da Liga Inglesa, entre Arsenal e Manchester City, se aproxima e com ela a primeira oportunidade de levantar um troféu na temporada 2025/26. Tradicionalmente tratada como um torneio secundário dentro do calendário inglês, desta vez a decisão ganha um peso diferente. O confronto entre os Citzens e os Gunners carrega mais do que um título: é um teste de momento, de projeto e de ambição.
Experiência contra necessidade
Se há algo que virou rotina na última década, é ver o City levantando troféus sob o comando de Pep Guardiola.
Desde 2016, o clube construiu uma hegemonia rara no futebol inglês e europeu. Já o Arsenal de Mikel Arteta ainda busca dar o próximo passo. Desde que assumiu, em 2019, o treinador conquistou apenas uma FA Cup (2019-20) e tenta agora consolidar um ciclo mais consistente de vitórias.
A Copa da Liga surge como a oportunidade mais imediata. O clube não vence o torneio desde 1993 e carrega o peso de três finais perdidas recentemente.
Do outro lado está justamente o maior especialista da competição nos últimos anos: o Manchester City venceu seis das oito edições entre 2013-14 e 2020-21. Ainda assim, finais ignoram histórico. O próprio City sentiu isso ao perder, de forma surpreendente, para o Crystal Palace na final da FA Cup da temporada passada.
Haaland no momento decisivo

O desempenho de Erling Haaland pode ser determinante. Após um início avassalador, o atacante atravessou um período de queda, com menos gols e participação reduzida. Isso coincidiu com a oscilação do City, que praticamente saiu da briga pelo título da Premier League e caiu precocemente na UEFA Champions League.
Mas há sinais de reação. Contra o Real Madrid, no meio da semana, Haaland voltou a ser protagonista:
- 7 finalizações em 56 minutos
- 1,14 de xG (maior marca desde novembro)
- 5 chutes no alvo
- 1 gol
Mesmo em um contexto de maior necessidade ofensiva, a atuação reacende a expectativa de que ele esteja recuperando sua melhor forma no momento mais importante. Ademais, há um detalhe curioso: Haaland ainda não marcou em Wembley com a camisa do City.
Coletivo do Arsenal como diferencial
Se de um lado, o City depende mais de uma referência clara no ataque, o Arsenal se sustenta em um modelo mais coletivo.
O artilheiro dos Gunners, Viktor Gyökeres, responde por cerca de 15% dos gols da equipe — bem menos que os 29% de Haaland no City. No total, 12 jogadores do Arsenal têm, ao menos, 4 gols na temporada. No City, são 7
Outro dado relevante está no banco: o Arsenal lidera a liga em participações diretas de reservas em gols, enquanto os Citzens aparecem na última posição. Em uma final equilibrada, profundidade de elenco pode ser decisiva.
Olho em Eze

Um nome que pode desequilibrar é Eberechi Eze. O meia vive bom momento e ganhou ainda mais confiança após um golaço contra o Bayer Leverkusen na Champions. Além da qualidade técnica, Arteta tem destacado sua evolução sem a bola — algo fundamental contra equipes de Guardiola.
Nos últimos 10 jogos, os números são impressionantes. Eze marcou 4 gols e deu 2 passes assistências, totalizando 6 participações em tentos.
Além disso, Eze já causou problemas ao Manchester City nesta temporada. Em setembro de 2025, no jogo válido pela 5ª rodada da Premier League, o camisa 10 foi quem deu o passe para Martinelli deixar tudo igual no Emirates. Sendo assim, pode ser que amanhã seja novamente uma peça-chave em um jogo que tende a ser mais travado.
Mais do que um título
Apesar da hegemonia recente do time de Guardiola, os Gunners entram com vantagem no retrospecto recente: são 6 jogos de invencibilidade contra o rival, com 2 vitórias e 4 empates. Entretanto, antes disso, havia perdido 15 dos 16 confrontos anteriores.
Além disso, a equipe de Arteta tem se destacado contra adversários do “big six”, acumulando a melhor pontuação nesses confrontos. Se há um cenário em que o Arsenal se sente confortável, é justamente esse.
Para o Manchester City, a final representa uma das últimas oportunidades de salvar a temporada com uma taça. Para o Arsenal, pode ser o ponto de virada de um projeto que busca deixar de ser promissor para se tornar vencedor.
Créditos da foto de capa: Reprodução/Premier League