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Manchester City mostra que pode brigar com Arsenal pela Premier League; Confira

O Manchester City deu uma verdadeira demonstração de poder ao celebrar o histórico marco dos 1000 jogos de Pep Guardiola como técnico, em grande estilo, com uma vitória imponente sobre o Liverpool no último domingo (9), em confronto válido pela 11ª rodada da Premier League 2025/26. No Etihad Stadium, os Citizens atropelaram os Reds por 3 a 0, em um resultado que serviu de alerta para o líder Arsenal — que viu sua vantagem cair para quatro pontos — e que também abalou as esperanças do Liverpool em manter a briga pelos títulos.

Na temporada anterior, o técnico Guardiola teve de enfrentar um período de reconstrução no Manchester City, após o fim da sequência inédita de quatro conquistas consecutivas da Premier League, o que gerou questionamentos sobre a capacidade do técnico espanhol, hoje com 54 anos, de reinventar o time. A resposta veio da forma mais contundente possível: uma atuação eletrizante, intensa e repleta de qualidade, que mostrou um City rejuvenescido e pronto para lutar novamente pelo título.

Se Pep Guardiola pudesse escolher um presente para comemorar seu milésimo jogo, certamente teria pedido exatamente essa exibição. O espetáculo, porém, teve pouco de festivo para Arsenal e Liverpool. Os Gunners seguem na liderança, mas apenas após 11 rodadas, e o Manchester City já mostrou que sabe pressionar os adversários até o limite. Depois do tropeço do Arsenal contra o Sunderland no sábado, ao ceder o empate nos acréscimos, a equipe de Manchester aproveitou a brecha de maneira devastadora.

Para o Liverpool, a tarde no Etihad Stadium foi uma dura lição. No mesmo estádio, em fevereiro passado, os Reds haviam vencido o Manchester City por 2 a 0, consolidando a campanha do título. Desta vez, o cenário foi o oposto: o Liverpool foi dominado, sem conseguir responder à intensidade dos Citizens. Apesar de não ser um resultado que encerra suas ambições — afinal, o campeonato ainda está em sua 11ª rodada —, a derrota expôs fragilidades que o time precisará corrigir após a pausa da Data Fifa de novembro.

Foto: Getty Images

Manchester City se impõe explorando as fragilidades do Liverpool

Durante toda a partida, o Manchester City explorou as brechas no meio-campo e na defesa do Liverpool, repetindo o que outros adversários já haviam feito nesta temporada. O técnico Arne Slot demonstrou irritação quando o gol de cabeça de Virgil van Dijk, que empataria o jogo em 1 a 1 antes do intervalo, foi anulado por impedimento.

Na jogada, Andy Robertson — em posição irregular — abaixou-se diante do goleiro Gianluigi Donnarumma, dificultando sua visão. Embora muitos tenham considerado que a interferência do lateral foi mínima, o lance foi corretamente invalidado, e o Liverpool acabou pagando caro: pouco antes do intervalo, um chute desviado de Nico González ampliou o placar para 2 a 0 e praticamente definiu o confronto.

O técnico Pep Guardiola parecia renovado, motivado pela missão de reerguer o City após uma temporada abaixo das expectativas. Com um ataque poderoso, liderado pela força imparável de Erling Haaland, o time voltou a exibir o futebol vistoso que caracteriza a era Guardiola.

O primeiro gol do City foi uma obra-prima — uma sequência fluida de passes que começou perto da bandeira de escanteio e terminou com Haaland, subindo mais alto que Ibrahima Konaté, cabeceando com precisão o cruzamento de Matheus Nunes. A jogada contou com 19 passes e simbolizou perfeitamente a filosofia de jogo do técnico catalão.

Curiosamente, Haaland havia desperdiçado um pênalti minutos antes, defendido por Giorgi Mamardashvili, após o goleiro cometer falta em Jeremy Doku. No entanto, o artilheiro norueguês se redimiu rapidamente ao marcar seu 99º gol na Premier League, em mais uma demonstração de sua incrível eficiência.

Foto: Getty Images

O impacto de Jeremy Doku: o novo catalisador do Manchester City

Entre os destaques do confronto, Jeremy Doku brilhou intensamente. O atacante belga de 23 anos, que chegou do Rennes em 2023 por 55,4 milhões de libras, consolidou-se como peça fundamental do novo Manchester City. Antes visto como um talento promissor, mas inconstante, o atacante belga agora é o motor criativo e desequilibrante do time.

Contra o Liverpool, ele foi simplesmente imparável. O lateral-direito Conor Bradley, que vinha de uma grande atuação na vitória sobre o Real Madrid pela Champions League, mas o norte-irlandês sofreu com a velocidade e a força física do belga. Nenhum defensor pareceu capaz de contê-lo nessa fase exuberante.

Além dele, o francês Rayan Cherki deu mais dinamismo ao meio-campo do Manchester City, Phil Foden voltou à sua melhor forma e Bernardo Silva, com sua habitual inteligência tática, manteve o ritmo da equipe com passes precisos e decisões rápidas.

A vitória, incontestável em todos os aspectos, fez o Arsenal e seu técnico Mikel Arteta — ex-auxiliar de Guardiola — refletirem durante a pausa internacional. Já o Liverpool voltou à realidade após um breve período de recuperação.

Problemas e lições para o Liverpool

Com a derrota, o Liverpool caiu para a oitava posição, a oito pontos do Arsenal e quatro atrás do City, mas o mais preocupante é a perda de confiança. O time já soma cinco derrotas, uma a mais do que em toda a campanha do título.

Mesmo após investir cerca de 450 milhões de libras em reforços durante o verão europeu, a equipe ainda não parece ter se ajustado. Hugo Ekitike, um dos destaques contratados, teve atuação discreta; Alexander Isak, comprado por 125 milhões de libras, segue sem jogar após três semanas lesionado; e Florian Wirtz, contratado por 116 milhões de libras, teve mais um dia difícil.

O jovem meia alemão mostrou talento, mas ainda sofre com o ritmo físico da Premier League. Contra o City, foi facilmente desarmado e acabou sendo substituído por Federico Chiesa aos 38 minutos do segundo tempo, sob vaias e ironias da torcida local, que lembrava o fato de ele ter recusado uma transferência para o City anteriormente.

Guardiola celebra e projeta o futuro

Após o apito final, Guardiola celebrou a vitória  e o marco de 1000 jogos, mas já direcionou o foco para os desafios seguintes. “Agora é hora de descansar e voltar com energia renovada”, disse ele, antes de refletir sobre sua trajetória. “O período no Barcelona B foi essencial. Aprendi muito e percebi que podia ser treinador. Disputar meu milésimo jogo diante da minha família e contra o Liverpool foi algo muito especial. Tenho enorme respeito por esse clube”.

A tarde foi toda dele: uma celebração marcante em um confronto direto pelo título, que ainda contou com o empate entre Arsenal e Manchester City no Emirates Stadium. Foi, sem dúvida, um capítulo memorável na carreira do técnico que continua a redefinir os padrões do futebol moderno.

(Foto: Getty Images)