A semifinal italiana de Roland Garros que prometia ser um dos momentos mais marcantes do tênis do país nas últimas décadas acabou não acontecendo. A desistência de Matteo Arnaldi por motivo de doença garantiu a classificação direta de Flavio Cobolli para a decisão do Grand Slam francês, mas o impacto da notícia vai muito além de uma simples vaga herdada. O episódio simboliza a consolidação de uma nova geração do tênis italiano e coloca Cobolli diante da oportunidade de transformar uma campanha já histórica em um marco definitivo para sua carreira.
Aos 24 anos, o atual número 14 do mundo disputará sua primeira final de Grand Slam e, independentemente do resultado, deixará Paris com um feito importante: a entrada no top 10 do ranking da ATP. Trata-se de uma ascensão que poucos previam há pouco mais de um ano e que confirma o crescimento constante de um jogador que, até recentemente, vivia à sombra de nomes mais consolidados do circuito.
Cobolli tem a oportunidade que muda uma carreira
A caminhada de Flavio Cobolli em Roland Garros já era histórica antes mesmo da desistência de Matteo Arnaldi. Cabeça de chave número 10, o italiano aproveitou um torneio marcado pelas eliminações precoces de favoritos como Jannik Sinner e Novak Djokovic para construir a melhor campanha de sua carreira em Grand Slams.
O tenista de 24 anos venceu nomes como Andrea Pellegrino, Yibing Wu e Learner Tien. Ele chegou às quartas de final após superar o norte-americano Zachary Svajda em quatro sets. A vitória por 6/2, 6/3, 6/7(3) e 7/6(5) foi marcada por momentos de tensão, já que Cobolli desperdiçou uma vantagem confortável no quarto set antes de confirmar a classificação para seu primeiro mata-mata de quartas em Paris.
Nas quartas de final veio o resultado que consolidou sua candidatura ao título. Diante do canadense Felix Auger-Aliassime, então cabeça de chave número 4, Cobolli saiu atrás no placar, mas reagiu para vencer por 4/6, 6/4, 6/4 e 6/4. A vitória garantiu sua primeira semifinal de Grand Slam e também sua entrada inédita no top 10 do ranking mundial.
Além dos resultados, a campanha chamou atenção pela maturidade exibida pelo italiano. Em um torneio repleto de zebras e pressão emocional, Cobolli mostrou consistência, capacidade de reação e controle nos momentos decisivos. Sua classificação para a final transformou-se em mais um capítulo do crescimento do tênis italiano, que já havia colocado Sinner na decisão do torneio em 2025 e agora vê surgir mais um protagonista capaz de competir entre a elite do circuito.
Com a desistência de Arnaldi, Cobolli chega à decisão sem precisar disputar a semifinal, acumulando pouco mais de 13 horas em quadra durante toda a competição, um fator que pode representar vantagem física importante diante de Alexander Zverev na busca pelo primeiro título de Grand Slam da carreira.
O desafio chamado Alexander Zverev
Se a classificação para a final veio sem desgaste, a missão do próximo domingo será tudo menos tranquila. Do outro lado da rede estará Alexander Zverev, atual número 3 do mundo e um dos jogadores mais consistentes do circuito nos últimos anos.
O alemão chega à sua quarta final de Grand Slam após derrotar o jovem tcheco Jakub Mensik em quatro sets. Mais experiente em grandes decisões, Zverev disputará sua segunda final em Roland Garros e parece cada vez mais preparado para finalmente conquistar o título que falta em sua carreira.
A trajetória recente do alemão demonstra maturidade. Durante anos, Zverev foi acusado de não conseguir reproduzir nos Grand Slams o mesmo nível que apresentava nos torneios regulares da ATP. Essa narrativa mudou. Em Roland Garros, ele vem jogando bem e mostrando que pode espantar seus demônios e ganhar seu primeiro Grand Slam.
Além disso, o retrospecto favorece o alemão. Em quatro confrontos entre ambos, Zverev venceu três. O histórico mostra equilíbrio crescente, especialmente nesta temporada, quando cada um venceu uma partida. Cobolli levou a melhor na semifinal do ATP de Munique, enquanto Zverev respondeu com vitória nas quartas de final do Masters 1000 de Madri. Os dois outros confrontos, disputados em 2025, terminaram com triunfos do alemão.
(Foto: Getty Images)