Coco Gauff está na semifinal do Miami Open pela primeira vez. A estadunidense tem tido trabalho no torneio e todas as vitórias foram em três sets. Em quadra, suas dificuldades são as mesmas de sempre, com muitos erros não forçados cometidos. Na maioria das partidas, mesmo avançando, a tenista comete mais duplas faltas do que aces.
Então surge a pergunta: como consegue se manter no topo? A dificuldade no serviço é bem claro, assim como os problemas que tem com o seu forehand. Mas mesmo sendo dois fundamentos tão essenciais para o tênis, Gauff não sai do top 5 desde outubro de 2024. E no período que saiu, foi a n.º 6 do mundo.
E o segredo para se manter entre as melhores está nos seus pontos fortes. Atlética, com excelente backhand e sem nunca desistir, Coco Gauff consegue os resultados que precisa.

Pontos fortes salvam Coco Gauff
Os erros sempre chamam a atenção e não são poucos. Nos dados oficiais da WTA, Coco Gauff já cometeu 120 duplas faltas no circuito. É a líder nessa estatística, com folga, tendo 27 erros a mais que Victoria Mboko, tenista de 19 anos. Já nos aces, foram apenas 21, sendo dados oficiais após o fim de Indian Wells.
Além disso, os pontos ganhos no primeiro serviço também são bem abaixo. Usando a líder do ranking feminino como comparação, Aryna Sabalenka conquistou 73,5% dos pontos disputados no seu primeiro saque. Já Gauff está abaixo dos 68%, enquanto no segundo apenas 56,2% e salvando somente 50% dos break points contra enfrentados.
Seu serviço é um grande problema e, por vezes, é insustentável jogar sem conseguir sacar bem. Muitas de suas derrotas passam por esse fator, além da dificuldade com o forehand. Em muitas partidas, os erros com a direita chegam a ser vergonhosos, cometendo falhas bobas e entregando pontos de graça.
No entanto, Coco se segura nas poderosas armas que tem. Seu backhand é excelente e pouco a abandona. É com esse golpe que a estadunidense se mostra mais perigosa em quadra. O seu atleticismo também é algo que se destaca, permitindo que chegue em bolas mais difíceis. Essas duas características mantém a atleta entre as melhores do mundo.
Somado também ao seu espírito de luta, a n.º 4 do mundo consegue ficar nas partidas. Como no tênis tudo muda muito rápido, o fato de seguir brigando, mesmo em dias ruins, permite uma chance de recuperação. É o que acontece em diversos encontros, quando a tenista tem uma baixa em algum momento.
Ao se recuperar, algumas coisas passam a ‘encaixar’, o que faz com que o resultado venha no fim. E mesmo com o alto número de duplas faltas e erros não forçados, é dessa forma que Gauff se sustena.

Não é alto sustentável a longo prazo
Coco Gauff precisa, de forma urgente, apresentar melhoras em seu saque e forehand. O serviço é o que dita o jogo e, sem ele, a dificuldade sempre será mais elevada. Até porque chega um momento onde as adversárias conseguirão dominar a estadunidense.
Sem passar por mudanças e evoluções, a tenista se coloca em risco no circuito. O tênis é um esporte que não para e está sempre em adaptação. Para seguir entre as melhores, Gauff também necessita seguir essa regra. Já é uma surpresa que a atleta tenha sucesso estar no top 5 com a quantidade de erros que comete.
Só que, caso isso continue, nunca conseguirá ser a n.º 1. Para chegar lá, as correções precisam acontecer, pois potencial para isso a estadunidense tem.
Foto: Divulgação/Miami Open