Coco Gauff sempre lidou com muitos erros em seus jogos, o que também impedia a tenista de ter o sucesso que poderia ter. O serviço era um dos pontos que mais precisavam de atenção e a estadunidense tinha plena consciência disso. Por isso, antes do US Open de 2025, a atleta contratou Gavin MacMillan para o seu time de técnicos.
Especialista em biomecânica, MacMillan ajudou Aryna Sabalenka no passado. Hoje número 1 do mundo, a bielorrussa já sofreu com seu saque, cometendo inúmeras duplas faltas, chegando a ser líder na estatística em 2022, com 428. Desde 2024, Gauff se mantém no topo: foram 430 em 2024; 431 em 2025; e já tem 302 em 2026.
Com quase 100 duplas faltas a mais que a 2ª da lista, Coco deve se manter como líder até o fim da temporada. Entretanto, desde o Cincinnati Open, onde foi campeã, é possível notar uma grande melhora.

Saque não é mais um problema para Coco Gauff
Coco Gauff já conquistou dois títulos de Grand Slam, mas ainda lidava com muitos problemas em seu saque. Isso nunca foi um segredo e era apontado como o grande problema para a tenista consertar. Ainda muito jovem, a impressão sempre foi que, quando corrigisse o serviço, poderia entrar em uma era de domínio.
A entrada de MacMillan no time de técnicos veio para corrigir esse problema. Não houve uma melhora imediata, algo comprovado por Coco ainda ser líder em duplas faltas cometidas no circuito. Entretanto, uma hora a evolução ia chegar e, em Cincinnati, ficou claro que teve uma enorme melhora.
Na estreia no US Open, o saque continuou sendo uma grande arma da tenista. Em entrevista após a sua vitória dominante sobre Zeynep Sonmez, a estadunidense falou sobre a evolução e como isso afetou seu jogo.
“Psicologicamente, agora eu vou tentar o ace, ou sei que posso sacar e provavelmente a devolução não virá. No último ano, eu literalmente torcia para (o serviço) entrar. É uma grande diferença saber que em quase todos os saques eu basicamente tento acertar 110, 115, 120 milhas por hora (177, 185, 193 km/h) se eu puder.”
Na partida, Gauff colocou 62% de seu primeiro saque em quadra, ganhando 71% desses pontos. Além disso, a velocidade média foi de 180 km/h. Ainda houve três duplas faltas cometidas, mas a evolução apresentada é notável para quem assiste. Do outro lado da quadra, as adversárias estão com cada vez mais dificuldade na devolução.

O que mudou no saque de Coco Gauff?
No tênis, o serviço é o principal fundamento para qualquer atleta. É algo que pode facilitar ou dificultar a vida do tenista e, claro, todos buscam que seja um facilitador. Para Coco Gauff, nos últimos anos, essa não era a situação, enfrentando grandes problemas em seu saque, principalmente quando ficava nervosa em quadra.
MacMillan chegou para ajudar nisso e logo deu algumas dicas: maior consistência no lançamento da bola, não lançar muito à frente do corpo e manter o pulso mais reto. Não é a solução completa, óbvio, e houve muito trabalho para mostrar alguma melhora. Contudo, foi o começo e estamos vendo os resultados.
Análises após o Cincinnati Open mostram que Gauff estava conseguindo sacar mais próximo à linha. Alinhado a isso, conseguia manter a velocidade do saque, o que evidencia uma melhora significativa na precisão da tenista. Dessa forma, a confiança também vai crescendo e, em um esporte individual, é algo imprescindível.
A soma desses fatores resulta na evolução que estamos vendo. Em um passado recente, vimos o mesmo acontecer com Sabalenka, que, logo em seguida, entrou em um período de domínio. Coco Gauff pode repetir esse sucesso e passar a ser tão dominante quando na WTA.
Foto: Ben Solomon/USTA



