Amanda Nunes x Kayla Harrison UFC
Lutas UFC

Como o UFC aposta nos brasileiros para lançar a era Paramount+ em 2026

O UFC inicia 2026 com uma mudança importante: a estreia da era Paramount+, novo motor de distribuição e exposição global da marca. E, olhando para o calendário inicial, fica claro que a organização escolheu um caminho específico para embalar essa transição: transformar lutadores brasileiros em protagonistas de quase todos os grandes eventos do primeiro trimestre.

Essa não é uma decisão casual. É uma aposta calculada baseada em dois fatores. Primeiro, o apelo histórico que o Brasil tem no MMA. Segundo, a percepção de que os brasileiros atravessam um momento esportivo especialmente interessante, com vários nomes em fases decisivas de suas carreiras. O UFC parece entender que a nova fase da empresa precisa de rostos carismáticos, estilos agressivos e lutas que criem narrativas fortes. E poucos países entregam tudo isso ao mesmo tempo como o Brasil.

Os brasileiros como os principais rostos do novo UFC

Os rumores que colocam Vinicius “Lokdog” Oliveira como provável atração principal do UFC Vegas 113, enfrentando Mario Bautista, reforçam o movimento. A escolha do UFC por um brasileiro em ascensão para liderar um evento no Apex, em Las Vegas, mostra o quanto a empresa está disposta a acelerar sua nova geração verde e amarela.

Lokdog representa exatamente o tipo de lutador que funciona no início de um novo ciclo: agressivo, imprevisível e com um estilo que viraliza. O UFC sabe que, na nova fase de transmissões, cada rodada precisa gerar cliques, cortes e debates. Um lutador como ele oferece isso por natureza.

Mas Lokdog é apenas a porta de entrada. O calendário oficial confirma o peso dos brasileiros na largada de 2026. No UFC 324, que abre a temporada numerada, a co-luta principal coloca Kayla Harrison frente a frente com Amanda Nunes. A volta de Nunes, possivelmente sua luta mais midiática desde a vitória sobre Julianna Peña, não é só um evento esportivo. É um símbolo. Depois de se aposentar como campeã dupla e peça central da divisão feminina, ela retorna em um momento em que o UFC precisa de figuras que ultrapassem o público hardcore.

Amanda sempre teve esse apelo. É bicampeã, nocauteadora, dominante e dona de um estilo que nunca exigiu narrativa artificial. Sua simples presença posiciona o evento como algo maior que uma etapa do calendário: trata-se de uma retomada histórica. Para o Paramount+, isso significa gerar interesse de espectadores que talvez não acompanhem todas as semanas, mas que querem ver algo importante.

A escolha de colocar Diego Lopes diante de Alexander Volkanovski pelo cinturão peso-pena segue a mesma lógica. Lopes virou sensação em 2024 e 2025 pela combinação de técnica, agressividade e carisma. Ele faz lutas movimentadas, luta para frente, aceita riscos e entrega o tipo de performance que sustenta um produto de streaming que vive do imediatismo. A revanche contra Volkanovski é uma luta surpreendente, já que muitos pensavam que Movsar Evloev ou Lerone Murphy ganhariam o title shot.

Se Diego vencer, o UFC ganha um novo campeão brasileiro com apelo jovem e explosivo. Se perder, ainda entrega uma luta vistosa com enorme valor de replay. De qualquer forma, funciona para essa fase inicial de construção de audiência no Paramount+.

E então vem Charles Oliveira x Max Holloway pelo cinturão BMF. É difícil imaginar escolha melhor para atrair o público global logo nos primeiros meses da nova era. Charles continua sendo um dos lutadores mais populares do UFC. É explosivo, técnico, vulnerável e perigoso ao mesmo tempo, uma combinação rara que faz qualquer luta sua parecer imprevisível. Holloway, por sua vez, virou símbolo do espírito do BMF: resistente, resistente e disposto a aceitar qualquer confronto.

Para o UFC e o Paramount+, trata-se da luta perfeita. Dois veteranos com legiões de fãs, dois estilos agressivos, duas carreiras marcadas por altos e baixos que ampliam a conexão com o público. E, claro, dois nomes que garantem entrega, independentemente do resultado.

O UFC só tem a ganhar, assim como a Paramount+

O pano de fundo geral revela o verdadeiro plano do UFC: usar lutadores brasileiros para impulsionar a transição para o Paramount+ porque eles carregam algo essencial nesse momento: autenticidade. Não são personagens construídos. Não precisam de promoção artificial. O público sabe exatamente o que esperar: luta franca, riscos, reviravoltas e momentos capazes de circular nas redes minutos depois do fim.

Ao colocar Lokdog, Nunes, Diego Lopes e Charles Oliveira como pilares da nova fase, o UFC envia uma mensagem clara. A era Paramount+ não quer apenas campeões dominantes ou nomes midiáticos. Quer emoção, identidade e impacto instantâneo.

E, por ora, nada entrega isso tão bem quanto os brasileiros.

(Foto: Getty Images)