Alejandro Davidovich Fokina é, sem dúvidas, um dos tenistas mais peculiares do circuito atual. Em 2025, ele volta a ser assunto ao alcançar mais uma semifinal do Masters 1000 de Monte Carlo, torneio que, aliás, parece ter um vínculo especial com o espanhol. Mas o que mais chama atenção, mesmo diante de resultados expressivos, não é apenas o desempenho com a raquete: é a forma com que ele joga, se comporta e provoca reações, boas e ruins, dentro do circuito.
Fokina não é unanimidade. Longe disso. Há quem o admire pela ousadia, estilo imprevisível e coragem de quebrar padrões. Há quem critique o jeito espalhafatoso, teatral e, às vezes, até desrespeitoso. Em um esporte conhecido pela formalidade e pelo comportamento “correto” em quadra, o espanhol vai na contramão e não faz questão de se enquadrar. E talvez seja exatamente por isso que se tornou um personagem tão interessante para o tênis moderno.
Uma carreira fora do comum
Nascido em Málaga, na Espanha, em 1999, Davidovich Fokina começou a jogar tênis ainda criança, influenciado pelo pai, que era boxeador. A combinação de explosão física e criatividade fez dele um jogador diferente desde cedo. Ele cresceu sob a influência da escola espanhola de tênis, baseada na consistência e na paciência no saibro, mas nunca se contentou com o padrão.
Já nos torneios juvenis, Alejandro mostrava que era imprevisível: tentava drop shots em momentos improváveis, sacava por baixo, exibia movimentação quase teatral e buscava o ponto espetacular, mesmo em vez do mais seguro. Em 2017, venceu o torneio juvenil de Wimbledon, mas o saibro sempre foi onde ele se sentiu mais à vontade, especialmente em Monte Carlo, onde chegou à final em 2022 e volta a brilhar agora em 2025.
O estilo de jogo de Fokina é um mix de improviso, agressividade e golpes inesperados. Ele tem um forehand pesado, movimentação rápida, gosta de subir à rede e é um dos poucos jogadores do circuito atual que parece jogar com alegria — ou nervos à flor da pele, dependendo da leitura.
Isso o torna espetacular para quem assiste, mas também gera inconstância. Ele pode aplicar um “tweener” (entre as pernas) e acertar, mas também errar bolas fáceis logo em seguida. Em alguns jogos, parece um gênio prestes a explodir no ranking; em outros, perde a cabeça por um erro do juiz e entrega um set de bandeja.
Mas em Monte Carlo, ele costuma crescer. Foi lá que eliminou Novak Djokovic em 2022, em uma de suas maiores vitórias da carreira. E é ali, no saibro europeu, onde seu estilo arriscado parece ganhar mais confiança. Em 2025, já derrubou nomes como Jack Draper e Ben Shelton, e chega na semifinal como azarão com chances reais.
Os rivais que não gostam da “festa” de Fokina
A irreverência de Fokina já incomodou muitos no circuito. Em 2023, Daniil Medvedev reclamou abertamente de suas celebrações exageradas após pontos comuns. Stefanos Tsitsipas, outro ex-top 5, também já trocou olhares e palavras duras com o espanhol, após um jogo quente no ATP de Hamburgo.
Nick Kyrgios, ele mesmo um especialista em criar confusão, chegou a dizer em uma live que Fokina era “bom, mas age como se fosse uma estrela do rock” e que “vai cansar os juízes e os adversários antes de ganhar algo grande”. O espanhol, por sua vez, nunca respondeu diretamente, mas deixa claro que não vai mudar.
“Jogo do meu jeito. Se gostam, ótimo. Se não, paciência. Não estou aqui para agradar ninguém além de mim mesmo”, disse em uma coletiva durante o US Open de 2024, após mais uma partida polêmica.
A campanha de 2025 em Monte Carlo é mais um lembrete de que Fokina pode, sim, competir no mais alto nível. Mesmo sem ser um top 5, ele é sempre perigoso em torneios longos, especialmente em melhor de três sets. A irregularidade continua sendo um obstáculo para voos mais altos, mas a personalidade é inegavelmente parte do pacote.
Seu nome nunca aparece entre os favoritos absolutos. Mas em todos os sorteios, nenhum cabeça de chave quer vê-lo no caminho. E essa é, talvez, a melhor definição para Alejandro Davidovich Fokina: um improvável disruptor em um esporte que, historicamente, celebra o controle.
Se ele vencer o próximo jogo e for à final de Monte Carlo, repetirá o feito de 2022 e deixará claro que, com ou sem aceitação do circuito, está aqui para ficar. Amado ou odiado, Fokina é daqueles que fazem o tênis sair da mesmice. Por isso, continua sendo um dos nomes mais intrigantes da nova geração.
(Foto: Getty Images)