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Copa do Mundo

Conheça Mohamed Hany, o ídolo egípcio com recorde negativo na Copa do Mundo

Mohamed Hany construiu uma carreira que poucos jogadores conseguem alcançar. Aos 30 anos, o lateral direito é um dos grandes símbolos do Al Ahly, clube que defendeu durante toda a trajetória profissional, conquistou títulos nacionais e continentais e se transformou em uma das referências da seleção do Egito ao lado de Mohamed Salah. Na Copa do Mundo de 2026, porém, seu nome entrou para a história por um motivo que ele certamente gostaria de evitar.

O defensor se tornou apenas o segundo jogador a marcar dois gols contra em uma mesma edição da Copa do Mundo. O primeiro havia sido o búlgaro Ivan Vutsov, em 1966. Isso significa que uma marca que permanecia sem ser repetida havia 60 anos voltou a acontecer justamente com um dos atletas mais experientes da seleção egípcia.

A ironia está justamente no contraste entre os acontecimentos do Mundial e a trajetória do jogador. Hany não é um defensor inexperiente ou um nome desconhecido dentro do futebol africano. Pelo contrário. Ele é um dos jogadores mais vitoriosos de sua geração e uma verdadeira bandeira do maior clube do Egito.

De homem de confiança a protagonista de uma marca histórica

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Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach

Nascido em 1996, Mohamed Hany chegou à Copa do Mundo como uma das peças mais experientes do Egito. Titular durante toda a fase de grupos, o lateral ocupa uma posição importante dentro da seleção não apenas pelo que faz em campo, mas também por sua influência no vestiário.

Ao lado de Mohamed Salah, Hany é tratado como uma das lideranças do elenco.

Sua história com a seleção começou ainda sob o comando de Héctor Cúper. Desde então, o defensor passou a fazer parte de diferentes ciclos do futebol egípcio e acumulou experiência em competições internacionais, incluindo participações na Copa Africana de Nações.

Na Copa de 2026, os números mostram que seu desempenho não pode ser resumido apenas pelos dois gols contra.

Até o momento destacado no texto original, Hany apresentava 87% de aproveitamento nos passes. O lateral também participou diretamente de um gol do Egito ao dar uma assistência para Mostafa Ziko na partida contra a Nova Zelândia.

Esses dados ajudam a explicar por que ele permaneceu como titular mesmo depois do primeiro gol contra diante da Bélgica.

Hany possui características importantes para o funcionamento da equipe. Embora seja lateral direito de origem, apresenta um perfil ofensivo e tem facilidade para chegar à linha de fundo. Sua velocidade permite acelerar as jogadas pelo lado do campo, enquanto a experiência ajuda na construção desde o setor defensivo.

Em determinados momentos da carreira, chegou até mesmo a atuar mais avançado. Quando o espanhol Javier Garrido, ex-jogador da Lazio, comandava o Al Ahly, Hany foi utilizado como um jogador de lado mais próximo do ataque.

Sua intensidade também aparece nos duelos. O lateral costuma apresentar bons índices de disputas vencidas e utiliza a capacidade física para participar das duas fases do jogo.

Por tudo isso, os dois gols contra representam uma situação ainda mais difícil para o jogador. Não se trata de um atleta que chegou ao Mundial apenas para completar o elenco. Hany é um dos pilares da seleção.

Dois gols contra e uma marca que não era repetida desde 1966

A história das Copas mostra como é raro um jogador marcar dois gols contra em uma mesma edição.

Antes de Mohamed Hany, isso havia acontecido apenas uma vez.

Em 1966, Ivan Vutsov marcou duas vezes contra a própria equipe defendendo a Bulgária. Durante as seis décadas seguintes, nenhum outro jogador repetiu a marca.

Hany encerrou essa sequência na Copa de 2026.

O primeiro episódio aconteceu contra a Bélgica e influenciou diretamente o empate por 1 a 1. Depois, diante da Austrália, o defensor voltou a marcar contra a própria meta.

O segundo lance também levou o torneio a uma marca coletiva inédita. A Copa chegou a 13 gols contra, superando o recorde de 2018.

A edição disputada oito anos antes havia terminado com 12 gols contra. Agora, o novo recorde foi estabelecido ainda com partidas importantes pela frente, o que significa que o número pode aumentar.

Para Hany, a estatística ficará registrada independentemente do restante da competição.

No entanto, existe um detalhe importante em sua campanha. Mesmo depois do segundo gol contra, o Egito conseguiu eliminar a Austrália nos pênaltis após empate por 1 a 1 e avançou para enfrentar a Argentina. Assim, o erro não encerrou imediatamente a participação da seleção no torneio.

O “Totti do Egito” e uma vida inteira no Al Ahly

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Foto: Getty Images

Se o Mundial apresentou Mohamed Hany para parte do público internacional por causa de um recorde negativo, sua história no Egito é completamente diferente.

O lateral é um verdadeiro símbolo do Al Ahly.

Formado pelo próprio clube, Hany nunca defendeu outra equipe profissional. A temporada recém encerrada foi a 11ª consecutiva vestindo a mesma camisa.

Essa fidelidade fez com que ele fosse comparado a Francesco Totti, maior símbolo da história da Roma e um dos exemplos mais famosos de jogadores que passaram toda a carreira no mesmo clube.

Hany é uma espécie de “Totti do Egito”.

O lateral ainda possui mais um ano de contrato com o Al Ahly e existe a possibilidade de uma última renovação antes de encerrar a carreira no clube onde nasceu para o futebol.

A ligação não é apenas sentimental. Ela também foi construída por meio de títulos.

Um dos momentos mais importantes aconteceu em 2020, quando Hany conquistou a Tríplice Coroa com o Al Ahly. A equipe venceu o Campeonato Egípcio, a copa nacional e a Liga dos Campeões da África.

Ao longo de mais de uma década, o lateral participou de um dos períodos mais vitoriosos do clube. Essa trajetória explica por que é tão respeitado pelos torcedores e por que ocupa uma posição de liderança na seleção.

Um recorde negativo não apaga uma carreira vitoriosa

A Copa do Mundo de 2026 colocou Mohamed Hany em uma situação incomum.

De um lado está uma carreira construída durante mais de uma década no mesmo clube, repleta de títulos, protagonismo e identificação com a torcida. Do outro, uma marca negativa que apenas um jogador havia registrado em toda a história da competição.

Os dois gols contra certamente passarão a fazer parte da história de sua participação no Mundial.

Mas eles não contam tudo.

Hany chegou ao torneio como titular da seleção, registrou 87% de passes certos e deu uma assistência. Aos 30 anos, já acumulava experiência em competições africanas e mais de uma década defendendo o Al Ahly.

O contraste talvez seja justamente o elemento mais interessante de sua história.

Mohamed Hany é, ao mesmo tempo, um dos grandes ídolos de seu clube e o protagonista de um dos recordes mais indesejados da história das Copas. Um jogador acostumado a ser lembrado pelos títulos agora também ficará marcado por dois lances infelizes.

Ainda assim, uma Copa do Mundo dura poucas semanas. A história construída por Hany com a camisa do Al Ahly já ultrapassa uma década. E, por mais doloroso que seja o recorde negativo, ele representa apenas um capítulo de uma carreira muito maior.

(Foto de capa: Molly Darlington/Getty Images)

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Kaique