A noite deste sábado (15), em Londres, ficará marcada como um dos capítulos mais intensos e dramáticos da história recente do boxe britânico com a revanche entre Conor Benn e Chris Eubank Jr. Trinta e cinco anos após o lendário primeiro confronto entre Nigel Benn e Chris Eubank Sr., seus filhos voltaram a dividir o mesmo palco, desta vez, no imponente Estádio do Tottenham Hotspur, para definir de uma vez por todas quem levaria adiante a honra familiar.
E se no primeiro duelo, em abril, Chris Eubank Jr. havia levado a melhor por decisão unânime, a revanche trouxe um desfecho completamente diferente: Conor Benn se impôs com autoridade, dominou a maior parte do combate e venceu por larga vantagem nos cartões de pontuação, deixando o rival à beira do nocaute nos instantes finais.
O clima antes do início do combate era de espetáculo total. Eubank Jr. entrou no ringue sob uma atmosfera carregada, embalado por 50 Cent ao vivo, numa apresentação que parecia anunciar sua confiança para repetir o triunfo do primeiro encontro.
Conor Benn destrói um econômico Chris Eubank Jr
Mas, quando o gongo soou, a narrativa mudou radicalmente. Conor Benn, conhecido pelo apelido “O Destruidor”, mostrou desde os primeiros segundos que não estava disposto apenas a equilibrar a rivalidade: queria apagá-la com violência técnica e intensidade.
Nos três rounds iniciais, Benn imprimiu um ritmo sufocante, pressionando o rival com combinações variadas no corpo e na cabeça. Sua agressividade e precisão obrigaram Eubank Jr. a lutar quase sempre em recuo, lançando poucos golpes, embora alguns deles, quando conectavam, demonstrassem a capacidade de explosão que sempre o caracterizou.
Ainda assim, Benn ditava o ritmo com clareza. Ao final dos primeiros nove minutos, era perceptível que Eubank tinha dificuldades para encontrar seu tempo e estabelecer qualquer espécie de domínio. A superioridade de Conor Benn era tão evidente que, ao chegar à metade da luta, muitos já o viam com 6 a 0 nos cartões dos juízes.
A dúvida que pairava entre analistas e torcedores era se Eubank estaria apenas esperando o momento certo para uma arrancada nos rounds finais, algo que ele já havia feito em outras ocasiões ao longo da carreira. No entanto, quando Benn praticamente “arrancou a cabeça” do adversário com um de seus golpes mais devastadores no sétimo round, parecia claro que o roteiro havia virado definitivamente a seu favor.
Mesmo abalado, Eubank Jr. mostrou coragem e tentou reagir. No oitavo round, encaixou uma sequência precisa e agressiva que interrompeu brevemente o avanço de Benn, num dos momentos mais tensos da luta. Era a demonstração de que, apesar do domínio do rival, Eubank não estava disposto a entregar o confronto facilmente, e que sua resistência física continuava sendo uma virtude fundamental.
Ao entrar nos rounds finais, entretanto, Conor Benn retomou o controle absoluto. Nos 30 minutos iniciais, Eubank Jr. não havia conseguido impor seu estilo, sua movimentação característica, nem a cadência de contragolpes que costuma utilizar para quebrar o ritmo dos adversários. Benn, por sua vez, mantinha a calma, a potência e a inteligência tática, parecendo estar caminhando para uma vitória tranquila por pontos.
Mas o melhor ainda estava por vir. No último minuto do 12º round, quando já vencia com margem confortável, Conor Benn conectou um golpe devastador que levou Eubank Jr. ao chão. A queda foi pesada, e o estádio explodiu. Eubank levantou-se, visivelmente atordoado, mas foi novamente derrubado instantes depois. Salvou-se pelo gongo, literalmente, encerrando a luta ainda em pé, porém derrotado de forma categórica.

As papeletas dos juízes refletiram o domínio quase absoluto de Benn: 119-107, 116-110 e 118-108. Com a vitória, Conor Benn se coloca agora como um sério candidato ao título mundial, finalmente quebrando o discurso de que seria apenas um “puncher” sem técnica refinada.
Após o confronto, o clima entre os dois foi respeitoso. Mesmo com o placar global agora empatado em 1 a 1, Benn descartou de forma direta a possibilidade de uma trilogia. “Sinto que este é o fim da saga Benn-Eubank. Acabou!”, afirmou, deixando claro que deseja seguir em frente, mirando desafios maiores em sua carreira. Além disso, Conor Agradeceu ao rival, reconheceu o peso histórico do confronto e destacou que, sem a rivalidade entre seus pais, nada disso existiria.
Assim, encerra-se, ao menos por enquanto, uma das mais emblemáticas sagas familiares do boxe britânico. E, com a performance apresentada, Conor Benn não apenas igualou o placar, mas também tomou para si o capítulo final da rivalidade. Agora, ele mira um novo horizonte: o topo do mundo.
(Imagem de capa: Getty Images)