Não é todo o dia que se vê um pato de estimação em uma torcida organizada, um goleiro batendo recorde de defesas ou “hipotéticos” espiões em treinamentos. A Copa do Mundo, desde a sua primeira semana, vem contribuindo com mais histórias curiosas — principalmente, fora de campo — para serem contadas no futuro. A Playmaker Brasil reuniu algumas para serem listadas — e sim, algumas delas beiram o inimaginável.
1 – Merlin, o Pato mexicano que conquistou o coração dos torcedores na Copa do Mundo

A depender do seu nível de credulidade, sua reação pode ser a mais normal ou a mais espantosa possível ao saber que um pato ganhou fama nesta Copa do Mundo. Batizado “Merlin”, a ave ficou popular por sua viagem para encontrar a presidenta do México, Claudia Sheinbaum.
Em clima de Copa, Merlin foi à caráter para torcer. Vestido com uma réplica da camisa da seleção mexicana e um tênis de cordão, ele viralizou nas redes sociais e tornou-se um mascote não oficial de um países-sede do torneio.
A mandatária da presidência pode não ser muito bem quista pela população local, mas ganhou notabilidade ao proclamar que o “pato tem sido um símbolo da Copa do Mundo, um símbolo do que as famílias mexicanas representam, de quem somos como famílias mexicanas, e isso é, acima de tudo, o que o mundo está vendo do México hoje”.
2 – Eloy Room é agraciado pela realeza holandesa

Eloy Room bateu o recorde de defesas de um goleiro (15) em uma partida de tempo normal em uma Copa do Mundo. Depois de atingir o feito, o arqueiro de Curaçao, que brilhou de baixo das traves no jogo contra o Equador, celebrou com o Rei e Rainha da Holanda (que tecnicamente ainda conta com Curaçao como parte do reino).
“Acho que daqui a 40 anos, ainda vou lembrar”, Room previu compreensivelmente.
A história de Room é a prova do quanto a vida de um jogador de futebol pode mudar em tão pouco tempo. Menos de seis meses atrás, o goleiro de Curaçao treinava sozinho para se manter em forma enquanto buscava um clube profissional. No sábado passado (20), ele pode ter alcançado o ápice de sua carreira ao superar uma marca histórica — que, anteriormente, só era mencionada por Tim Howard, que bateu o recorde, só que em uma partida que foi para a prorrogação.
3 – Dois partos de filhos de jogadores na mesma semana

Ser pai é o desejo de muitos homens espalhados pelo mundo inteiro. Nesta segunda semana de Copa do Mundo, esta dádiva foi levada ainda mais a sério. Jérémy Doku, da Bélgica, e Leo Ostigard, da Noruega, não abriram mão de acompanhar o nascimento de seus filhos e cada um deu seu jeito de ver a chegada de mais um novo ser humano na terra.
O belga já havia sido desfalque da seleção na partida contra o Irã, em função de uma infecção respiratória. Só que, no mesmo dia, o camisa 11 dos “Belgian Red Devils” foi a público comunicar que deixaria a concentração da Bélgica para acompanhar o nascimento de seu primeiro filho.
O pedido foi atendido pela federação e o jogador viajou, de última hora, para Londres e deu suporte a esposa Shireen Raymond, com quem é casado desde novembro de 2025. Para eliminar qualquer tipo de curiosidade: é um menino, batizado de “Praise”.

Ostigard aderiu uma nova forma: a remota. Sua parceira Aurora Eidmann entrou em trabalho de parto e o jogador acompanhou a chegada do primeiro filho via FaceTime.
Nas palavras dele, ele citou como foi a experiência e que isso foi acordado com a esposa previamente, sabendo o quanto era importante estar com a seleção norueguesa na Copa:
“É difícil colocar em palavras. Claro que foi doloroso não estar lá, mas senti que participei da melhor maneira possível”.
“Aurora e eu conversamos muito sobre isso e tentamos encontrar a melhor solução possível. Ela compreendeu muito bem que eu queria estar com a Noruega na Copa do Mundo. Foi assim que acabou acontecendo. Foi muito bom marcar um gol. Ela ficou muito feliz por mim. Estou ainda mais orgulhoso dela do que de mim mesmo” — afirmou o zagueiro, que marcou um dos gols da vitória norueguesa sobre o Iraque, por 4 a 1.
Sobre o nome do filho, o jogador brincou e propôs um exercício de apuração para os jornalistas. Para quem quiser descobrir, terão que ir atrás das informações e seguir a pista dada por Ostigard.
Única coisa que posso dizer, e vocês terão que descobrir o resto, é que começa com a letra A. Agora vocês têm trabalho pela frente. Isso vai ser um quebra-cabeça — brincou na entrevista aos jornalistas
4 – Espionagem: a paranoia de Mauricio Pochettino

O desempenho dos Estados Unidos nesta Copa do Mundo vem chamando a atenção de todos. Com uma propostsa de jogo bem azeitada e com vitórias contundentes sobre Paraguai e Austrália, o time estadunidense veio para superar as expectativas e o técnico Mauricio Pochettino prega toda cautela possível com sua equipe — mas a um nível que beira a paranoia.
O treinador argentino foi flagrado em um momento mais afastado de seus comandados no campo de treinamento. Naquela situação, Pochettino ignorou o retorno de Pulisic, um dos destaques do elenco, para girar a câmera do celular pela paisagem à sua frente.
A lente da câmera estava apontada para uma paisagem californiana, mas cumpria o papel de satisfazer a paranoia do comandante. Amante do futebol inglês e tendo comandado o Tottenham por muitos anos, pode-se dizer que Pochettino foi contaminado ao extremo pelas precauções anti-espionagem. Evitar qualquer tipo de presença de um suposto “estagiário” com um iPhone para o treinamento, certamente é o objetivo principal do argentino, depois, claro, de mais um triunfo na Copa do Mundo.
5 – Alguém tem uma chuteira pra emprestar?

Trevoh Chalobah acreditava que sua participação na Copa do Mundo havia terminado antes mesmo de começar. O zagueiro do Chelsea ficou fora da lista final de Thomas Tuchel e aproveitava alguns dias de descanso em Nova York.
Tudo mudou quando Tino Livramento sofreu uma lesão e precisou deixar a competição. Chalobah recebeu uma mensagem do treinador inglês enquanto retornava ao hotel após um passeio pela Times Square.
“Eu soube na hora” — relembrou o defensor.
O problema era que ele sequer estava preparado para jogar. Em férias, não havia levado chuteiras para os Estados Unidos. Após uma corrida contra o tempo para resolver a situação, Chalobah embarcou para integrar o elenco inglês e poucos dias depois já estava no banco de reservas diante de Gana.
6 – Messi transforma Bangladesh em território argentino

A paixão de Bangladesh pela Argentina não é novidade, mas voltou a ganhar força nesta Copa do Mundo graças a Lionel Messi.
Sempre que a Albiceleste entra em campo, cidades inteiras do país asiático se mobilizam para acompanhar as partidas. Ruas são decoradas com bandeiras argentinas, telões são instalados e milhares de pessoas se reúnem em eventos coletivos para assistir ao camisa 10.
O fenômeno impressiona até os próprios técnico Lionel Scaloni:
“O que a camisa da seleção transmite é algo insano. Ficamos orgulhosos de que o povo em Bangladesh apoie a Argentina dessa forma.” — comentou Scaloni.
A relação entre os dois países atravessa gerações e remonta, principalmente, à idolatria por Diego Maradona. Agora, Messi segue alimentando essa conexão, podemos dizer “improvável”, entre a América do Sul e o sul da Ásia.
7 – “Eygpt”?

Nem mesmo uma Copa do Mundo está livre de erros simples. Antes do confronto entre Nova Zelândia e Egito, a federação neozelandesa publicou nas redes sociais uma imagem do tradicional galhardete — a famigerada “flâmula” — entregue ao adversário antes das partidas.
O detalhe chamou atenção rapidamente: o nome do Egito aparecia escrito como “Eygpt”.
A publicação foi removida algum tempo depois, mas não antes de circular pelas redes sociais e virar motivo de brincadeiras entre torcedores.
8 – Meu escritório é no Teatro Romano de Amã

A estreia da Jordânia em uma Copa do Mundo mobilizou o país inteiro. Na véspera da partida contra a Argélia, o primeiro-ministro Jafar Hassan anunciou uma medida excepcional: o início do expediente público foi adiado para que os cidadãos pudessem acompanhar o jogo.
Com a bola rolando às 6h da manhã no horário local, milhares de torcedores se reuniram no histórico Teatro Romano de Amã para assistir ao confronto.
A festa ficou ainda maior quando Nizar Al Rashdan abriu o placar para os jordanianos. Embora a equipe tenha sofrido a virada e perdido por 2 a 1, o clima foi de celebração. Afinal, a simples presença da Jordânia em uma Copa do Mundo já representava um momento histórico para o país.
9 – “Procurando um escocês”
https://x.com/MLB/status/2067065249312678373?s=20
A passagem da torcida escocesa pelos Estados Unidos também tem rendido histórias curiosas fora dos estádios. Após invadirem Boston durante os primeiros dias da Copa do Mundo, milhares de integrantes da tradicional “Tartan Army”, como é conhecida a torcida da Escócia, seguiram rumo a Miami para acompanhar o duelo decisivo contra o Brasil.
Antes da partida, muitos escoceses aproveitaram a estadia na Flórida para acompanhar o jogo entre Miami Marlins e Texas Rangers, da MLB. A presença dos visitantes chamou tanta atenção que moradores locais passaram a entrar na brincadeira.
Uma torcedora apareceu no estádio com um cartaz simples e direto: “Procurando um escocês”. Não demorou para encontrar candidatos entre os integrantes da animada torcida, que transformou mais uma vez um evento esportivo em uma grande confraternização.
E a conexão entre escoceses e americanos não ficou restrita à Flórida. Em Boston, cidade que recebeu uma verdadeira invasão da Tartan Army durante a primeira fase do torneio, o fenômeno ganhou repercussão suficiente para virar assunto na imprensa local. O jornal Boston Globe chegou a buscar relatos de moradores que criaram laços de amizade — e até romances — com torcedores escoceses durante o Mundial.
A simpatia também alcançou figuras importantes do esporte norte-americano. Proprietário do New England Patriots, Robert Kraft demonstrou entusiasmo com a relação criada entre Massachusetts e a Escócia e chegou a defender a realização de partidas da NFL em território escocês no futuro, como forma de fortalecer ainda mais essa aproximação.
Créditos da foto de capa: Reprodução/MLB via X