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Copa do Mundo 2026 termina sob pressão e Conselho da Europa cobra explicações da FIFA

Nem mesmo o sucesso esportivo da Copa do Mundo de 2026 foi suficiente para impedir que a FIFA encerrasse o torneio cercada por questionamentos. Ao longo da competição disputada na América do Norte, a entidade presidida por Gianni Infantino esteve envolvida em uma série de polêmicas, que agora motivam cobranças por mais transparência e mudanças na organização do Mundial.

Com a próxima edição marcada para Espanha, Portugal e Marrocos, em 2030, autoridades europeias já demonstram preocupação com a condução da principal competição do futebol mundial.

Conselho da Europa cobra respostas da FIFA

Gianni Infantino, Presidente da FIFA. Foto: EFE/EPA/Sam Wasson
Gianni Infantino, Presidente da FIFA. Foto: EFE/EPA/Sam Wasson

 

Quem elevou o tom foi Alain Berset, secretário-geral do Conselho da Europa. Em declaração recente, o dirigente afirmou que a Copa do Mundo deixou uma série de questões sem resposta e defendeu a abertura de um diálogo com a FIFA antes da próxima edição do torneio.

Entre os episódios citados está o caso envolvendo Folarin Balogun, cuja suspensão foi revertida em uma decisão considerada inédita e que levantou suspeitas sobre possíveis interferências externas.

Berset também questionou episódios de ataques racistas durante a competição, críticas à condução da arbitragem e, principalmente, a crescente aproximação da FIFA com o mercado de apostas esportivas.

“A Copa do Mundo de 2026 levantou uma pergunta atrás da outra. A celebração termina, mas os questionamentos permanecem”, afirmou.

Mercado de apostas entra no centro das críticas

Outro ponto que chamou a atenção das autoridades europeias foi a parceria firmada entre a FIFA e a ADI Predictsheet, empresa ligada ao mercado de previsões esportivas, anunciada oficialmente em abril deste ano.

Para Alain Berset, a expansão desse tipo de plataforma representa um novo desafio para a integridade das competições.

Segundo ele, o foco das apostas deixou de ser apenas o resultado das partidas e passou a incluir ações individuais durante os jogos, como passes, cartões e escanteios — situações que, em tese, podem ser manipuladas sem alterar o placar final.

Na avaliação do Conselho da Europa, esse modelo amplia o risco de fraudes e exige uma regulamentação mais rigorosa antes da Copa do Mundo de 2030.

Caso Balogun amplia pressão sobre a entidade

Folarin Balogun, EUA, Copa do Mundo 2026. Foto: Créditos da foto: Reprodução/Getty Images
Folarin Balogun, EUA, Copa do Mundo 2026. Foto: Créditos da foto: Reprodução/Getty Images

 

Além da discussão sobre apostas, o episódio envolvendo Folarin Balogun segue repercutindo nos bastidores.

A suspensão do atacante da seleção dos Estados Unidos foi revista poucos dias depois de aplicada, sem que a FIFA apresentasse uma justificativa pública detalhada para a mudança. A decisão alimentou críticas de políticos europeus, que pedem uma investigação sobre uma possível influência política no caso.

As suspeitas ganharam força diante das alegações de que integrantes do governo dos Estados Unidos, incluindo o presidente Donald Trump, teriam participado de articulações nos bastidores — hipótese que ainda não foi comprovada.

Diálogo antes de 2030

Infantino - Fifa
Créditos da foto: Getty Images Sport.

 

Diante do cenário, o Conselho da Europa pretende iniciar conversas formais com a FIFA para discutir mecanismos que reforcem a transparência e a credibilidade da competição.

A expectativa é que temas como governança, independência disciplinar, combate ao racismo e regulamentação do mercado de apostas estejam entre as prioridades antes da próxima Copa do Mundo.

Mesmo após o encerramento do torneio, a pressão sobre a FIFA permanece alta. Para as autoridades europeias, a edição de 2030 representa uma oportunidade para que a entidade responda às críticas e fortaleça a confiança em sua principal competição.

Créditos da foto de capa: Reprodução/Reuters