Folarin Balogun parecia destinado a deixar o Monaco antes do encerramento da janela de transferências, mas a negociação com o Everton terminou de maneira inesperada. Depois de uma operação que avançou, travou, voltou a avançar e finalmente foi interrompida pelo próprio jogador, o atacante da seleção dos Estados Unidos permanece no clube francês. O detalhe mais importante, porém, é que isso não significa necessariamente que Balogun continuará no Monaco durante toda a temporada 2026/27.
A situação financeira do clube ajuda a explicar por que a história ainda pode ganhar novos capítulos. O Monaco tinha a intenção de negociar pelo menos um jogador para gerar receita, e Balogun aparecia como uma das principais possibilidades. Quando o negócio com o Everton parecia perdido, o clube chegou a encaminhar a saída de Lamine Camara para o Chelsea. Quando a transferência do atacante americano voltou a ganhar força, a operação pelo meio-campista foi cancelada. No fim, o Monaco não vendeu nenhum dos dois.
Isso deixa uma necessidade financeira que permanece intacta. E, segundo o CEO Thiago Scuro, Balogun continua sendo um jogador que pode ser negociado mesmo depois do fechamento da janela nas principais ligas europeias.
Balogun e a transferência que morreu nas últimas horas
A negociação com o Everton ganhou contornos incomuns porque praticamente todas as etapas foram superadas antes de chegar ao obstáculo definitivo. O clube inglês chegou a demonstrar preocupação com o exame médico do atacante, o que colocou a transferência em risco. As partes renegociaram os termos e conseguiram reabrir o caminho para o negócio, mas, quando tudo parecia novamente encaminhado, Balogun decidiu abandonar a operação.
A explicação oficial foi vaga, mas significativa. Segundo Scuro, alguma coisa fez o jogador não se sentir “confortável” com a transferência. A decisão coloca o atacante no centro da questão porque, independentemente da necessidade financeira do Monaco, o clube não pode simplesmente ignorar a vontade de seu principal ativo.
Esse é o primeiro elemento que torna o futuro de Balogun tão complexo. O Monaco precisa avaliar suas necessidades econômicas, mas também precisa administrar um jogador que não quis ir para o Everton mesmo depois de o acordo ser reconstruído. Uma nova negociação, portanto, dependerá não apenas de uma proposta financeiramente satisfatória, mas de um destino que convença o próprio atacante.
O Monaco ainda precisa vender
A novela também revela um problema maior no planejamento do Monaco. O clube aparentemente havia estruturado sua janela contando com a saída de pelo menos uma peça importante. Quando Balogun esteve perto do Everton, Camara foi preservado. Quando Balogun parecia permanecer, o Monaco autorizou a negociação do meio-campista com o Chelsea. Quando a transferência do atacante voltou à vida, a operação de Camara foi interrompida.
No final, a equipe francesa ficou sem nenhuma das receitas que esperava obter. Por isso, a permanência de Balogun não deve ser interpretada automaticamente como uma decisão definitiva. Se surgir um mercado disposto a pagar próximo do valor que o Everton havia aceitado desembolsar, a situação pode mudar rapidamente. O próprio Scuro deixou a porta aberta ao afirmar que o clube ainda precisa conversar com o jogador para definir os próximos passos.
A questão agora é menos “Balogun vai ficar?” e mais “onde ainda existe um mercado capaz de levar Balogun?”
Com as cinco principais ligas europeias já encerradas, o número de alternativas diminuiu drasticamente. Ainda assim, alguns mercados continuam abertos e podem oferecer ao Monaco uma última oportunidade de concretizar a venda.
A Turquia é uma das possibilidades mais imediatas, com a janela aberta até 4 de setembro. Portugal também ainda permite movimentações até 5 de setembro, enquanto a Arábia Saudita possui uma janela mais extensa, que avança até outubro. São mercados com capacidade financeira para realizar operações relevantes e, portanto, podem funcionar como uma espécie de última porta de saída para Balogun.
Mas existe uma diferença importante entre ter dinheiro e estar disposto a pagar o preço pedido. O atacante foi avaliado em cerca de US$ 54 milhões na negociação com o Everton. Esse valor restringe significativamente o grupo de potenciais compradores, especialmente porque qualquer clube interessado precisa avaliar não apenas a capacidade financeira de realizar a transferência, mas também o salário e a adaptação do jogador ao novo campeonato.
Além disso, existe o fator esportivo. Balogun é um atacante de 25 anos com experiência relevante no futebol europeu e pela seleção americana. Não se trata de um jogador sem mercado. Mas também não é uma contratação barata que possa ser feita sem grande planejamento. O Monaco terá de encontrar um comprador que enxergue nele uma peça de primeira linha e aceite pagar por isso.
O verdadeiro problema é o encaixe
A novela com o Everton mostrou que não basta encontrar um clube disposto a pagar. Balogun também precisa acreditar no projeto. Esse talvez seja o aspecto mais importante da situação. O Monaco não pode simplesmente transformar uma necessidade financeira em uma transferência automática. O episódio com o Everton mostrou que o jogador possui poder suficiente para interromper uma operação no último momento. Qualquer nova negociação terá, portanto, de passar por três filtros: o preço exigido pelo Monaco, a disposição financeira do comprador e a vontade de Balogun de aceitar o destino.
A combinação desses três fatores torna improvável uma solução simples. O Monaco queria vender Balogun, tentou substituí-lo financeiramente por Camara e acabou sem nenhuma das duas receitas. Agora, com as principais ligas fechadas, o clube precisa explorar mercados alternativos sem transformar uma necessidade de caixa em uma negociação precipitada.
Para Balogun, a situação também representa uma encruzilhada. Ele pode permanecer em um clube europeu competitivo e tentar recuperar espaço, ou aceitar uma transferência para um mercado que talvez ofereça menos prestígio esportivo, mas maior protagonismo.
O que parecia ser apenas uma novela de Deadline Day acabou revelando um problema muito maior. O futuro de Folarin Balogun ainda está aberto, mas o relógio corre contra todos: o Monaco precisa vender, o atacante precisa jogar e os mercados capazes de pagar por ele estão desaparecendo rapidamente.
A transferência para o Everton fracassou. A transferência de Camara também. Mas, para o Monaco, a necessidade que colocou toda essa operação em movimento continua existindo. E isso significa que a história de Balogun provavelmente ainda não terminou.
(Foto: Getty Images)



