Siphiwe Tshabalala, África do Sul, Copa do Mundo de 2010
Futebol Copa do Mundo

Copa do Mundo: 5 jogadores folclóricos que ficaram conhecidos pela competição

A Copa do Mundo é o palco reservado para os maiores craques do planeta. Porém, nem sempre são os campeões ou os vencedores da Bola de Ouro que ficam eternizados na memória coletiva dos torcedores. Em algumas ocasiões, jogadores de seleções menos tradicionais ou atletas longe do estrelato aproveitam o torneio para construir histórias únicas.

A edição de 2026 já começou a produzir personagens curiosos. Um dos casos mais comentados é o do neozelandês Tim Payne, que viralizou nas redes sociais por situações inusitadas envolvendo sua participação no Mundial. E não seria a primeira vez que um atleta se tornaria figura folclórica graças à Copa do Mundo.

Ao longo da história, diversos jogadores ganharam notoriedade muito mais pelo que fizeram durante o torneio do que propriamente pela carreira em clubes. Entre gols históricos, comemorações inesquecíveis e estilos extravagantes, alguns nomes permanecem vivos no imaginário popular décadas depois.

Roger Milla: o veterano que encantou o mundo

Roger Milla, Camarões, Copa do Mundo de 1994
Foto: Divulgação/Fifa

 

Quando a Copa do Mundo de 1990 começou, poucos imaginavam que um atacante camaronês de 38 anos seria um dos protagonistas do torneio. Roger Milla já havia até encerrado sua trajetória pela seleção, mas foi convencido a retornar justamente para a disputa realizada na Itália.

A decisão não poderia ter sido mais acertada. Saindo do banco de reservas, Milla marcou quatro gols e conduziu Camarões até as quartas de final, algo inédito para uma seleção africana naquele momento.

Além dos gols, ficou eternizada sua comemoração próxima à bandeirinha de escanteio, com passos de dança que se transformaram em uma das imagens mais famosas da história das Copas.

Quatro anos depois, nos Estados Unidos, voltou a marcar e tornou-se o jogador mais velho a balançar as redes em um Mundial. O feito só reforçou seu status de personagem lendário do torneio.

Salvatore Schillaci: o herói improvável da Itália

Salvatore Schillaci, Itália, Copa do Mundo de 1990
Foto: Divulgação/AFP via Getty Images

 

A Copa do Mundo de 1990 também apresentou ao mundo um dos casos mais curiosos da história do futebol. Antes do torneio, Salvatore Schillaci era praticamente desconhecido fora da Itália.

Convocado sem grande expectativa, o atacante começou a competição no banco de reservas. Bastaram alguns minutos em campo para tudo mudar. Schillaci marcou contra a Áustria na estreia e nunca mais saiu do time titular.

Com seis gols, terminou como artilheiro da competição e foi eleito o melhor jogador daquele Mundial. Seus olhos arregalados após os gols tornaram-se uma marca registrada.

Embora tenha construído uma carreira respeitável, nunca mais alcançou o mesmo brilho exibido durante aquelas semanas de verão italiano. Ainda assim, seu nome segue diretamente associado à Copa de 1990.

Siphiwe Tshabalala: o homem que parou a África do Sul

Siphiwe Tshabalala, África do Sul, Copa do Mundo de 2010
Foto: Clive Mason/Getty Images

 

Nem sempre é necessário fazer uma campanha histórica para entrar para o folclore das Copas. Às vezes, basta um único momento.

Foi exatamente isso que aconteceu com Siphiwe Tshabalala em 2010. Atuando diante de sua torcida, na primeira Copa do Mundo realizada em solo africano, o meia sul-africano entrou para a história ao marcar o primeiro gol daquela edição.

O chute potente no empate por 1 a 1 contra o México percorreu o planeta. A comemoração, acompanhada por uma coreografia ao lado dos companheiros, virou símbolo do torneio.

A África do Sul acabou eliminada ainda na fase de grupos, mas Tshabalala conquistou um espaço permanente na memória dos torcedores. Até hoje, seu gol é lembrado como um dos momentos mais emblemáticos da Copa de 2010.

Guillermo Ochoa: o goleiro das Copas do Mundo

Guillermo Ochoa, México, Copa do Mundo de 2018
Foto: Reprodução/The Sporting News

 

Poucos jogadores conseguem elevar tanto o nível quando vestem a camisa da seleção quanto Guillermo Ochoa. Em clubes, construiu uma carreira sólida, mas sem alcançar o estrelato das principais ligas europeias. Nos Mundiais, porém, tornou-se praticamente um super-herói para o México.

A atuação contra o Brasil em 2014 é uma das mais lembradas da história recente da competição. Ochoa fez defesas espetaculares diante de Neymar, Thiago Silva e companhia, garantindo o empate sem gols.

Quatro anos depois, repetiu o protagonismo na vitória mexicana sobre a Alemanha. Em 2022, voltou a aparecer com destaque ao defender um pênalti de Robert Lewandowski.

O curioso é que, a cada Copa, surgiam brincadeiras nas redes sociais afirmando que o goleiro “se transformava” quando chegava o Mundial. Ochoa virou praticamente um personagem exclusivo do torneio.

Taribo West: cabelo extravagante e personalidade marcante

Taribo West, Nigéria, Copa do Mundo de 1998
Foto: Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images

 

Se existe alguém que representa o lado mais irreverente das Copas do Mundo, esse alguém é Taribo West.

O zagueiro nigeriano disputou os Mundiais de 1998 e 2002, mas ficou famoso muito além de suas atuações defensivas. Seu visual extravagante, marcado por tranças coloridas em tons de verde e azul, chamava atenção imediatamente.

Dentro de campo, também não passava despercebido. Taribo era conhecido pela intensidade nas divididas e pela personalidade forte.

A Nigéria daquela geração reunia jogadores talentosos e ajudou a popularizar o futebol africano no cenário internacional. Mesmo sem campanhas profundas, o defensor transformou-se em uma das figuras mais reconhecíveis da história recente da competição.

Personagens que ajudam a construir a magia da Copa do Mundo

A cada quatro anos, a Copa do Mundo produz novos heróis, vilões e personagens improváveis. Alguns conquistam títulos, outros sequer chegam perto da taça, mas todos contribuem para tornar o torneio um evento diferente de qualquer outro no esporte.

Roger Milla, Salvatore Schillaci, Siphiwe Tshabalala, Guillermo Ochoa e Taribo West representam justamente esse lado mais humano e imprevisível do futebol. Jogadores que, por motivos distintos, ultrapassaram os limites dos resultados e se transformaram em símbolos de suas respectivas Copas.

E se a história servir de parâmetro, o Mundial de 2026 certamente ainda revelará novos personagens capazes de entrar para essa galeria de figuras inesquecíveis.

Créditos da foto de capa: Clive Mason/Getty Images