A Inglaterra terminou a Copa do Mundo de 2026 na terceira colocação, alcançando sua melhor campanha em uma competição masculina em 60 anos. O desempenho da seleção também valorizou seus jogadores no mercado de transferências, e os defensores estão entre os nomes mais procurados nesta janela.
Dos 27 jogadores que viajaram para a América do Norte — 26 da convocação original e Trevoh Chalobah, chamado para substituir o lesionado Tino Livramento — sete já trocaram de clube neste verão, enquanto outros dois estão envolvidos em especulações.
Morgan Rogers deixou o Aston Villa rumo ao Chelsea em uma negociação de £ 117 milhões. Elliot Anderson foi do Nottingham Forest para o Manchester City por £ 116 milhões, enquanto Anthony Gordon trocou o Newcastle pelo Barcelona em uma transferência próxima dos £ 70 milhões.
Jordan Henderson fez uma mudança dentro de Londres e deixou o Brentford para assinar com o Chelsea sem custos, após rescindir seu contrato. Já o goleiro James Trafford foi contratado pelo Leeds por £ 45 milhões, vindo do Manchester City.
Mas um dos pontos que mais chama atenção é a procura pelos defensores da Inglaterra. E, curiosamente, muitos deles estão mudando de clube por valores considerados relativamente baixos em comparação com os jogadores de ataque.
Defensores ingleses ganham espaço no mercado
Com Djed Spence próximo de trocar o Tottenham pela Inter de Milão, onde poderá reencontrar o companheiro de seleção John Stones, Trevoh Chalobah já tendo acertado com o Como e Ezri Konsa sendo alvo do Arsenal, quatro defensores que estiveram na Copa do Mundo podem mudar de clube nesta janela.
Se ampliarmos um pouco o período analisado, a movimentação é ainda maior. Marc Guehi deixou o Crystal Palace rumo ao Manchester City em janeiro, enquanto Jarell Quansah saiu do Liverpool para o Bayer Leverkusen em julho de 2025.
Isso significa que seis dos nove defensores da Inglaterra convocados para a Copa do Mundo podem ter trocado de clube em pouco mais de um ano. E o mais interessante é que vários desses negócios representam boas oportunidades para os clubes compradores.
Entre os principais exemplos está Djed Spence. Aos 26 anos, o lateral do Tottenham pode custar apenas £ 25,6 milhões à Inter de Milão. O valor parece ainda mais interessante depois da boa participação do jogador na Copa, especialmente pela velocidade e pela disposição para atacar.
Spence também foi importante defensivamente. Na semifinal contra a Argentina, por exemplo, protagonizou um carrinho preciso para impedir que Giuliano Simeone marcasse. A mudança também representa um salto competitivo: enquanto o Tottenham terminou a última Premier League em 17º, a Inter é atual campeã italiana e também conquistou a Copa da Itália.

Stones aparece como oportunidade de mercado
John Stones é outro caso interessante. Aos 32 anos, o zagueiro está disponível sem custos após uma passagem extremamente vitoriosa pelo Manchester City, na qual conquistou seis títulos da Premier League e uma Champions League.
A principal dúvida em relação ao defensor era sua condição física. Porém, Stones respondeu bem na Copa do Mundo, participando de cinco das oito partidas da Inglaterra. O jogador também esteve presente nos Mundiais de 2018 e 2022 e soma 94 jogos pela seleção.
Além disso, Stones participou das campanhas que levaram a Inglaterra às finais da Eurocopa em 2021 e 2024. Para a Inter, portanto, trata-se de uma contratação que pode oferecer experiência e qualidade sem a necessidade de pagar uma taxa de transferência.
Ezri Konsa também está valorizado. O zagueiro de 28 anos participou de todos os oito jogos da Inglaterra na Copa do Mundo e chamou a atenção do Arsenal, que chegou a oferecer £ 30 milhões pelo jogador. O Aston Villa, porém, pretende receber quase o dobro.
Mesmo uma negociação abaixo dos £ 50 milhões poderia representar um bom negócio para o Arsenal. Konsa já disputou 28 partidas pela seleção inglesa e ajudou o Aston Villa a conquistar a Europa League em maio.
A necessidade do Arsenal aumentou depois da lesão de William Saliba, que deve ficar afastado por um período prolongado. Com isso, Konsa seria uma opção experiente e pronta para assumir um papel importante imediatamente.

Chalobah busca mais espaço
Trevoh Chalobah teve participação menor na Copa. O defensor entrou apenas na disputa pelo terceiro lugar contra a França, partida em que a Inglaterra venceu por 6 a 4 e na qual ele conquistou sua segunda partida pela seleção.
Mesmo assim, o jogador conseguiu uma transferência importante. O Chelsea receberá inicialmente £ 25,7 milhões pela negociação com o Como, podendo ganhar outros £ 5,1 milhões em bônus.
O negócio chama atenção porque o Chelsea pagou £ 52 milhões por Maxence Lacroix, contratado do Crystal Palace. Chalobah, por sua vez, passou praticamente toda a carreira no clube londrino, desde os oito anos de idade, mas decidiu sair em busca de mais minutos.
A chegada de Lacroix e a forte concorrência formada por Wesley Fofana, Levi Colwill, Axel Disasi, Tosin Adarabioyo, Benoit Badiashile e Jorrel Hato tornaram a disputa por espaço ainda mais complicada.
Para Chalobah, o Como oferece justamente aquilo que faltava em Londres: a possibilidade de ser titular regularmente.

Guehi e Quansah também mudaram
Marc Guehi é outro exemplo de como os defensores ingleses estão sendo valorizados. Aos 26 anos, ele participou de todos os jogos da Inglaterra na Copa e custou apenas £ 20 milhões ao Manchester City em janeiro.
O preço foi influenciado pelo fato de seu contrato com o Crystal Palace estar próximo do fim. Um cenário parecido aconteceu com Trent Alexander-Arnold, que deixou o Liverpool rumo ao Real Madrid em maio de 2025 por apenas £ 8,5 milhões.
Entre os nomes citados, a maior transferência foi a de Jarell Quansah. O zagueiro deixou o Liverpool pelo Bayer Leverkusen por £ 35 milhões no verão passado. A idade, apenas 22 anos na época, ajudou a justificar o investimento maior.
Estilo da Inglaterra valoriza defensores
O crescimento da procura pelos defensores ingleses também pode ser explicado pelo desempenho recente da seleção.
Nos últimos oito anos, a Inglaterra disputou duas semifinais de Copa do Mundo, uma quartas de final e duas finais de Eurocopa. Tanto com Gareth Southgate quanto com Thomas Tuchel, a equipe se caracterizou por organização defensiva, consistência e dificuldade para ser derrotada.
Na Copa de 2018, a Inglaterra sofreu apenas oito gols em sete partidas. Em 2026, repetiu os mesmos números nos primeiros sete jogos, antes da loucura da vitória por 6 a 4 sobre a França na disputa pelo terceiro lugar.
Na Euro 2021, foram somente dois gols sofridos em sete partidas. Três anos depois, na Euro 2024, a equipe sofreu seis gols em sete jogos.
Sob o comando de Tuchel, a Inglaterra também terminou as Eliminatórias para a Copa do Mundo sem sofrer um único gol, vencendo os oito jogos e conquistando 24 pontos.
Na Copa, a seleção mostrou inicialmente uma postura mais ofensiva, especialmente na vitória por 4 a 2 sobre a Croácia. Depois, porém, voltou a demonstrar sua força defensiva.
Contra o México, nas oitavas de final, a Inglaterra precisou resistir durante os últimos 40 minutos com um jogador a menos após a expulsão de Quansah, mas venceu por 3 a 2. Nas quartas, a defesa conseguiu neutralizar a Noruega e Erling Haaland.
A estratégia funcionou até a semifinal, quando a Argentina, comandada por Lionel Messi, encontrou espaços nos minutos finais e marcou duas vezes para eliminar os ingleses.
Ainda assim, o desempenho coletivo da Inglaterra ajudou a colocar seus defensores em evidência. E, enquanto nomes como Rogers, Anderson e Gordon movimentam cifras enormes, os defensores ingleses aparecem como algumas das melhores oportunidades do mercado nesta janela de transferências.



