A Copa do Mundo começou mostrando uma realidade que os defensores conhecem muito bem. Quando os grandes atacantes estão inspirados, parar essas estrelas se transforma em uma tarefa extremamente complicada. E os primeiros jogos do torneio deixaram isso bastante claro. Harry Kane marcou duas vezes pela Inglaterra, Erling Haaland também fez dois gols pela Noruega, Kylian Mbappé balançou as redes duas vezes pela França e Lionel Messi já soma cinco gols em apenas duas partidas pela Argentina.
Desta forma, o torneio vê alguns dos principais nomes do futebol mundial confirmarem aquilo que todos já esperavam. Em momentos decisivos, eles continuam aparecendo. Diante disso, conversando com a BBC, o ex-zagueiro Ashley Williams analisou justamente esse cenário e explicou como os defensores podem tentar diminuir o impacto de atletas tão decisivos durante a Copa do Mundo.
O ponto mais interessante é que não existe uma solução única. Embora todos sejam atacantes de elite e estejam brilhando nesta Copa do Mundo cada um apresenta características próprias. Sendo assim, a forma de enfrentá-los também precisa mudar.
Como a Copa do Mundo desafia os defensores
Messi talvez seja o exemplo mais claro disso. Mesmo aos 38 anos, o argentino segue sendo um dos jogadores mais difíceis de controlar nesta Copa do Mundo. Afinal, ele não depende apenas da velocidade ou da força física para fazer diferença. Sua leitura de jogo continua sendo especial. O craque encontra espaços com facilidade, toma decisões rápidas e consegue criar problemas para qualquer sistema defensivo.
Neste cenário, Williams acredita que a responsabilidade não pode ficar apenas nas mãos de um marcador. Para ter alguma chance de reduzir o impacto de Messi na Copa do Mundo, toda a equipe precisa colaborar. O trabalho coletivo se torna fundamental, principalmente porque o argentino consegue aparecer em diferentes zonas do campo ao longo dos 90 minutos.
Já Mbappé representa um desafio diferente. Enquanto Messi costuma controlar o ritmo das jogadas, o francês é um atacante que acelera tudo ao seu redor. Quando encontra espaço, transforma qualquer lance em uma situação perigosa. Não por acaso, o atacante do Real Madrid começou o torneio da FIFA em grande forma.
Para os defensores, isso significa que a concentração precisa permanecer no máximo durante toda a partida. Um erro de posicionamento, um espaço deixado sem cobertura ou uma reação lenta podem ser suficientes para que Mbappé encontre o caminho do gol. Além disso, a França possui diversas opções ofensivas de qualidade, o que torna a missão ainda mais complicada. Na Copa do Mundo, não basta apenas controlar Mbappé. Também é necessário acompanhar os movimentos dos outros jogadores que atuam ao seu redor.
Copa do Mundo reúne atacantes de estilos muito diferentes
Se Messi e Mbappé já criam dores de cabeça para qualquer defesa, Haaland apresenta um problema completamente diferente. O norueguês é um atacante que pune adversários atacando espaços. Muitas vezes, ele não precisa participar da construção da jogada para ser decisivo. Basta uma oportunidade para transformar uma partida.
Neste cenário, Williams entende que boa parte do trabalho para conter Haaland começa antes mesmo de ele receber a bola. Em uma Copa do Mundo marcada por jogos equilibrados e poucos erros, impedir passes em profundidade se torna algo fundamental. Afinal, quando encontra campo para correr ou recebe a bola em condições favoráveis dentro da área, o atacante costuma ser extremamente eficiente.
Os números ajudam a explicar isso. Haaland construiu uma reputação justamente pela capacidade de transformar oportunidades em gols. Desta forma, a Copa oferece aos defensores um desafio muito específico quando o assunto é enfrentar a Noruega. Muitas vezes, a prioridade não é marcar Haaland diretamente, mas sim evitar que ele seja acionado em situações perigosas.
Kane, por sua vez, exige outro tipo de atenção. O inglês continua sendo um dos melhores finalizadores do futebol mundial, mas atualmente oferece muito mais do que gols. Durante esta Copa do Mundo, assim como já acontece há alguns anos em sua carreira, o atacante mostra uma enorme capacidade para participar da construção das jogadas. Ao recuar para buscar a bola, Kane cria dúvidas para os adversários.
Se um defensor acompanha esse movimento, pode abrir espaços importantes nas costas da defesa. Se ninguém acompanha, o camisa 9 ganha liberdade para organizar ataques. É justamente esse equilíbrio delicado que torna o inglês tão difícil de enfrentar nesta Copa do Mundo. Além disso, suas movimentações acabam beneficiando companheiros que atacam os espaços deixados pelos defensores. Ou seja, mesmo quando não finaliza, Kane continua influenciando diretamente o jogo.
No fim das contas, a análise de Ashley Williams mostra algo que a própria Copa do Mundo vem confirmando desde os primeiros dias de competição. Existem maneiras de tentar dificultar a vida dos grandes atacantes. Existem estratégias para reduzir espaços, controlar movimentações e diminuir o número de oportunidades criadas. No entanto, colocar tudo isso em prática é outra história.
Afinal, estamos falando de alguns dos melhores jogadores de sua geração. O Mundial reúne talentos capazes de decidir partidas em um único lance e que normalmente precisam de muito pouco para fazer diferença.
Desta forma, embora existam caminhos para tentar conter Messi, Mbappé, Haaland e Kane, a missão continua extremamente complicada. E, considerando o nível que os quatro apresentaram até aqui na Copa do Mundo, tudo indica que os defensores ainda terão muitos problemas para resolver ao longo do torneio.
Créditos da foto de capa: Getty Images.