Inter Miami, de Messi, está sem rumo
Copa do Mundo

Copa do Mundo de 2026 pode definir o futuro da MLS na era pós-Messi

A Copa do Mundo de 2026 representa muito mais do que um grande evento esportivo para os Estados Unidos. Para a Major League Soccer (MLS), principal liga de futebol do país, o torneio pode ser o momento mais importante de sua história desde sua criação, em meados da década de 1990. Com o Mundial sendo realizado em solo norte-americano, ao lado de Canadá e México, a competição surge como uma oportunidade única para transformar o crescimento recente do futebol em uma popularidade duradoura.

A MLS já percorreu um longo caminho desde que foi criada como uma exigência da FIFA para que os Estados Unidos pudessem sediar a Copa do Mundo de 1994. Três décadas depois, a liga conta com 30 franquias, atrai jogadores renomados do futebol mundial e possui equipes avaliadas em centenas de milhões de dólares. Ainda assim, a competição continua buscando um espaço definitivo entre as principais propriedades esportivas do país

A chegada de Lionel Messi ao Inter Miami elevou a visibilidade da liga a níveis nunca vistos, mas a proximidade do fim da carreira do astro argentino faz com que a MLS precise pensar em como manter esse crescimento quando sua principal atração deixar os gramados.

A Copa do Mundo como oportunidade histórica

Foto: Getty Images

Quando os Estados Unidos receberam a Copa de 1994, o legado mais importante foi justamente o nascimento da MLS. Agora, a expectativa é descobrir qual será o legado deixado pelo Mundial de 2026.

O comissário da liga, Don Garber, já afirmou que a competição poderá funcionar como um verdadeiro combustível para o futebol norte-americano. A lógica parece simples: milhões de pessoas acompanharão os jogos, o assunto dominará a mídia esportiva durante semanas e o interesse pelo futebol tende a crescer significativamente. No entanto, especialistas apontam que não existe garantia de que esse aumento de interesse se transforme automaticamente em crescimento para a MLS.

A realidade é que o futebol já cresceu bastante nos Estados Unidos. Hoje, a modalidade possui uma presença muito maior do que possuía há duas décadas. A audiência das principais ligas internacionais aumentou, os estádios da MLS recebem bons públicos e o número de jovens praticando futebol continua crescendo.

Mesmo assim, o esporte ainda disputa espaço com gigantes como NFL, NBA, MLB e NHL.

Por isso, a Copa do Mundo surge como uma oportunidade rara para aproximar o futebol do público que ainda não acompanha regularmente a modalidade.

O crescimento da MLS e o impacto do acordo com a Apple

Nos últimos anos, a MLS adotou uma estratégia agressiva para ampliar seu alcance. Um dos principais movimentos foi a parceria com a Apple TV.

Inicialmente, os jogos estavam disponíveis através de um pacote adicional chamado MLS Season Pass. Porém, em 2026, a liga decidiu remover essa barreira, tornando as partidas acessíveis para todos os assinantes da plataforma.

Os primeiros resultados foram positivos. Segundo dados divulgados pela própria MLS, a audiência média semanal chegou a 7,9 milhões de espectadores nos três primeiros meses da temporada de 2026. O número representa um crescimento de 62% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Outro dado considerado extremamente relevante é a idade média do público. Com 39,6 anos, a MLS possui a audiência mais jovem entre as principais ligas esportivas masculinas da América do Norte.

Além disso, mais de 100 jogadores da liga participaram da Copa do Mundo de 2026 representando suas seleções nacionais, reforçando a imagem de uma competição cada vez mais conectada ao cenário internacional.

O problema da visibilidade na mídia tradicional

Apesar dos avanços, a MLS ainda enfrenta uma dificuldade importante: a falta de espaço nos principais canais esportivos dos Estados Unidos.

Grande parte das discussões esportivas no país continua concentrada em emissoras como ESPN, FOX Sports e TNT. Embora a FOX transmita algumas partidas da MLS, a cobertura diária da liga ainda é limitada quando comparada ao espaço dedicado a outras modalidades.

Esse cenário cria uma situação curiosa. Enquanto o interesse pelo futebol cresce, quem mais se beneficia muitas vezes é a Premier League, por ser mais atrativa, e onde realmente os grandes craques mundiais estão.

A competição possui ampla cobertura da NBC Sports, forte presença nos programas esportivos e uma tradição consolidada entre os torcedores norte-americanos. Assim, existe o risco de que a Copa aumente o interesse pelo futebol sem necessariamente gerar o mesmo impacto para a MLS.

O desempenho de Estados Unidos e Canadá pode ser decisivo

Canadá, Copa do Mundo 2026
Foto: Reprodução/Fifa.com

Outro fator apontado como fundamental para o sucesso da MLS após a Copa é o desempenho das seleções anfitriãs.

Os Estados Unidos e o Canadá possuem forte ligação com a liga. Muitos dos jogadores que defenderão essas equipes foram formados em academias ligadas à MLS ou atuam atualmente na competição.

Caso as duas seleções consigam campanhas expressivas, alcançando fases avançadas do torneio, o impacto sobre o interesse do público pode ser gigantesco. O futebol ganharia espaço no noticiário esportivo, nas redes sociais e nas conversas cotidianas.

Por outro lado, uma eliminação precoce poderia reduzir significativamente esse efeito.

Diferentemente do México, onde o futebol já ocupa naturalmente o centro da cultura esportiva nacional, Estados Unidos e Canadá ainda convivem com a sensação de que o esporte permanece em uma posição secundária em relação a outras modalidades.

O desafio da era pós-Messi

Messi
Créditos da foto: Getty Images.

Nenhuma figura contribuiu mais para a popularização recente da MLS do que Lionel Messi.

Desde sua chegada ao Inter Miami, o argentino transformou a percepção da liga dentro e fora dos Estados Unidos. Audiências cresceram, ingressos passaram a ser disputados e o interesse internacional pela competição aumentou de forma significativa.

No entanto, Messi completará 39 anos durante o ciclo da Copa do Mundo de 2026, e sua aposentadoria parece cada vez mais próxima.

Por isso, a grande missão da MLS será usar o Mundial como uma ponte para o futuro. A liga precisa garantir que os torcedores atraídos pelo argentino permaneçam interessados quando ele não estiver mais em atividade.

A mudança para um calendário mais próximo ao modelo europeu também faz parte dessa estratégia, facilitando a integração da MLS ao mercado global do futebol.

No fim das contas, a Copa do Mundo de 2026 pode representar um divisor de águas. A MLS já demonstrou que é uma liga sólida e em crescimento. Agora, busca algo ainda maior: transformar o interesse momentâneo gerado pelo maior torneio do planeta em uma paixão permanente pelo futebol norte-americano. Se conseguir alcançar esse objetivo, o verdadeiro legado da Copa não estará apenas nos estádios lotados, mas no futuro da própria MLS.

 

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Kaique