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Corinthians de Diniz depende de Garro inspirado em todos os jogos e isso é um problema

Corinthians começa a dar sinais mais claros de evolução sob comando de Fernando Diniz, mas existe uma questão que continua acompanhando o time praticamente desde o início da temporada: a necessidade quase desesperada de ter Rodrigo Garro funcionando em alto nível para que o sistema ofensivo realmente aconteça.

E sinceramente? Esse talvez seja o principal problema estrutural do Timão hoje.

O empate por 1 a 1 contra o Independiente Santa Fe, fora de casa, pela Libertadores, reforçou bastante essa sensação. Mesmo sem uma atuação espetacular, Garro voltou a apresentar sinais positivos dentro do modelo de Diniz. Participou mais da construção ofensiva, apareceu entre linhas com maior frequência e pareceu mais confortável em um time que tenta valorizar a posse de bola e controlar melhor os jogos.

Ainda não foi aquela versão dominante de 2024, capaz de decidir partidas praticamente sozinho, mas o argentino ao menos voltou a transmitir sensação de protagonismo, algo que desapareceu durante vários momentos da temporada passada. E aí nasce o dilema do Corinthians.

Porque quando Garro joga bem, o time parece competitivo. Quando ele cai fisicamente e tecnicamente em algum momento, desaparece do jogo ou toma decisões erradas, o funcionamento ofensivo inteiro sofre junto.

Diniz recuperou Garro, mas também reacendeu dependência antiga do Corinthians

Existe mérito claro de Fernando Diniz nessa recuperação recente.

O Corinthians voltou a ter uma saída de bola mais trabalhada, mais aproximação entre os jogadores e uma estrutura que favorece atletas técnicos. Em vez daquele futebol acelerado e muitas vezes caótico visto em boa parte da passagem de Dorival Júnior, agora o Timão tenta construir as jogadas com mais paciência.

E isso muda completamente o cenário para Garro.

O argentino é um jogador que precisa tocar muito na bola, participar constantemente da circulação ofensiva e receber liberdade para interpretar espaços. Quando o jogo fica direto demais, ele perde impacto. Já em um sistema baseado em posse e associação curta, suas qualidades aparecem naturalmente.

Não por acaso, Garro rapidamente voltou a participar mais da criação ofensiva do Corinthians nos primeiros jogos sob comando de Diniz. Só que existe um detalhe importante: o time continua dependendo dele em um nível perigoso.

Contra o Santa Fe, por exemplo, ficou evidente como o Corinthians melhora quando Garro consegue conectar meio-campo e ataque. Mesmo sem números absurdos, o argentino ajudou o time a respirar em vários momentos fora de casa, principalmente em um contexto difícil como a altitude de Bogotá.

Mas também ficou claro que ainda falta um plano alternativo quando ele não consegue controlar o jogo. E o próprio histórico recente do jogador mostra que isso pode acontecer com frequência.

A temporada passada escancarou os limites físicos e técnicos do argentino

É curioso porque, há poucos meses, o debate em torno de Garro era completamente diferente. Em vez de protagonista, o argentino virou símbolo da irregularidade do Corinthians. Em muitos momentos da temporada passada, o camisa 8 parecia jogar em conflito constante consigo mesmo.

As críticas não eram apenas pelos números. Estatisticamente, ele ainda participava de gols e assistências. O problema estava muito mais no desempenho.

Garro passou a demonstrar dificuldade na leitura de espaços, acelerava jogadas quando precisava acalmar o time e, em outras situações, prendia demais a bola tentando resolver tudo sozinho. Em muitos jogos, parecia um jogador desconectado do restante da equipe.

E isso afetava diretamente o ataque. Yuri Alberto sofria pela falta de passes limpos em profundidade. Já Memphis Depay acabava recuando excessivamente para participar da construção, deixando o setor ofensivo menos agressivo.

O famoso trio “GYM”, que parecia capaz de colocar o Corinthians em outro patamar técnico, virou uma soma de atuações frustrantes em diversos momentos. Mas seria injusto ignorar o contexto físico de Garro.

Os problemas no joelho claramente impactaram sua mobilidade. E para um meia cuja principal característica depende justamente de mudança rápida de direção, leitura espacial e capacidade de escapar da pressão curta, qualquer perda física pesa muito.

Talvez esse seja o ponto central da discussão atual. Garro ainda é um jogador extremamente talentoso, mas parece cada vez mais difícil exigir dele atuações dominantes em sequência durante toda temporada.

Corinthians precisa encontrar mais protagonistas além de Garro

A boa notícia para o torcedor é que Fernando Diniz parece entender exatamente como potencializar o argentino. O treinador rapidamente criou um ambiente mais confortável para Garro, tanto taticamente quanto emocionalmente. As declarações públicas ajudam nisso. Diniz claramente tenta devolver confiança ao camisa 8.

E os sinais positivos já começam a aparecer. O problema é que o Corinthians não pode depender exclusivamente disso para sobreviver na temporada.

Se o time precisar da melhor versão de Garro em absolutamente todos os jogos, as oscilações inevitavelmente vão aparecer. Principalmente porque o argentino já demonstrou não conseguir sustentar intensidade máxima física e técnica durante períodos muito longos.

E convenhamos: quase nenhum meia sul-americano consegue. Por isso, o próximo passo de Diniz talvez seja ainda mais importante do que recuperar Garro. O treinador precisa recuperar o restante do elenco junto com ele.

Memphis precisa voltar a assumir protagonismo criativo. Yuri Alberto necessita receber mais bolas em condição real de finalização. Breno Bidon precisa crescer como organizador secundário no meio-campo. Até jogadores como André Carrillo e Matheus Pereira terão que assumir mais responsabilidade na construção ofensiva.

Porque, neste momento, o Corinthians ainda transmite uma sensação perigosa: quando Garro está inspirado, o time parece organizado e competitivo. Quando ele oscila, tudo volta a ficar pesado ofensivamente. E essa dependência talvez seja o maior obstáculo para Fernando Diniz transformar a melhora recente em algo realmente sustentável ao longo da temporada.

No fim das contas, a recuperação de Rodrigo Garro é uma excelente notícia para o Corinthians. Mas ela também escancara uma realidade importante: o Timão ainda parece precisar demais de um jogador que, física e tecnicamente, talvez já não consiga entregar excelência absoluta toda semana.

Foto: Reprodução