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Contra o Inter, Corinthians deixa uma impressão que torna a demissão de Diniz ainda mais questionável

O Corinthians perdeu por 2 a 1 para o Internacional no Beira-Rio, chegou à sétima derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro e viu Fernando Diniz deixar o comando da equipe imediatamente após a partida. Pelo resultado, a decisão da diretoria parece consequência natural de uma sequência que já havia levado o time a eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores. Pela atuação, porém, o cenário é mais complexo.

O Corinthians não fez uma partida para ser tratado como um time completamente dominado ou incapaz de competir. Pelo contrário. Depois de sofrer um gol aos 42 segundos, a equipe reagiu, passou a controlar boa parte das ações ofensivas, criou oportunidades suficientes para marcar mais de uma vez e terminou o jogo com três bolas na trave. No segundo tempo, principalmente, o time de Diniz conseguiu empurrar o Internacional para trás e parecia próximo do empate antes de sofrer o segundo gol.

É justamente essa contradição que torna a noite do Beira-Rio tão importante para entender o momento corintiano. A equipe perdeu, manteve uma sequência preocupante e está perigosamente próxima da zona de rebaixamento, mas apresentou elementos que indicavam alguma evolução durante os 90 minutos. O problema é que os erros que decidiram a partida foram exatamente aqueles que o Corinthians não poderia continuar cometendo.

E, no fim, a derrota acabou servindo como o último capítulo de uma decisão que talvez devesse ter sido tomada antes.

O Corinthians não perdeu porque foi completamente inferior ao Internacional

O início da partida foi praticamente tudo o que o Corinthians não poderia desejar. Com menos de um minuto, o Internacional abriu o placar após uma jogada que expôs imediatamente o principal problema da estratégia corintiana. Hugo Souza iniciou a construção por baixo e encontrou Rodrigo Garro dentro da área. O meia recebeu pressionado por Villagra, perdeu a bola e o Internacional rapidamente transformou a recuperação em assistência de Bruno Henrique para Alan Patrick, que encontrou Vitinho para marcar.

O gol teve um peso enorme porque aconteceu justamente em uma situação que costuma ser associada às equipes de Diniz: a tentativa de construir desde a defesa mesmo sob pressão. O problema não é sair jogando curto. O problema é fazer isso sem que todos os jogadores estejam preparados para reagir caso a primeira linha seja quebrada.

O Corinthians ficou exposto. A escolha de Diniz também merece análise. Para acomodar Rodrigo Garro, Yuri Alberto, Memphis Depay e Kaio César, o treinador recuou o argentino para uma função mais próxima de segundo volante e montou um 4-3-3 extremamente ofensivo. No papel, a formação tinha talento suficiente para criar problemas ao Internacional. Na prática, porém, deixava uma quantidade considerável de espaço para ser explorada quando o Corinthians perdia a bola.

Ainda assim, depois do gol, o time não desmoronou. A partir da metade do primeiro tempo, o Corinthians começou a encontrar mais espaços, teve maior volume de posse e conseguiu levar o jogo para o campo defensivo do Internacional. O problema passou a ser outro: a equipe produzia, mas não conseguia concluir.

Essa diferença é importante porque ajuda a separar duas coisas. O Corinthians apresentou problemas de organização e equilíbrio, mas não deixou o Beira-Rio sem competir. A equipe teve capacidade para reagir e criou oportunidades. Faltou transformar esse domínio em gols.

O segundo tempo mostrou um Corinthians que ainda conseguia reagir

A entrada de André no lugar de Breno Bidon no intervalo aumentou ainda mais a presença corintiana no campo ofensivo. O time voltou mais agressivo, circulou melhor a bola e começou a pressionar o Internacional de maneira mais constante.

Foi o melhor momento do Corinthians na partida. Yuri Alberto teve oportunidade, Kaio César também apareceu, e o time acertou três bolas na trave ao longo do jogo. A pressão era suficientemente grande para criar a sensação de que o empate poderia acontecer a qualquer momento.

É justamente nesse ponto que a derrota se torna ainda mais frustrante para o torcedor corintiano. O time tinha conseguido construir uma reação depois de um início desastroso. Mesmo sem apresentar uma atuação perfeita, havia encontrado caminhos para machucar o adversário.

Mas, quando parecia mais próximo de empatar, voltou a cometer o erro que marcou a partida. Garro foi desarmado dentro da área e o Internacional aproveitou a situação para ampliar. Alan Patrick, novamente protagonista, finalizou e marcou o segundo gol colorado. O meia terminou a noite com um gol e uma assistência e confirmou uma espécie de papel de carrasco do Corinthians: são quatro gols e quatro assistências contra o Timão.

Pouco depois, André diminuiu o placar e devolveu alguma esperança ao Corinthians, mas já era tarde. A equipe continuou tentando, mas não conseguiu encontrar o gol do empate.

O resultado, portanto, não corresponde exatamente à maneira como os dois times se comportaram durante todos os 90 minutos. O Internacional foi mais eficiente nos momentos decisivos. O Corinthians teve volume, criou chances e pressionou, mas voltou a perder por erros individuais e falta de eficiência.

E isso também explica por que a derrota não pode ser analisada apenas como um problema de desempenho naquele jogo.

O problema é que os mesmos erros continuam aparecendo

A principal questão para o Corinthians não é ter perdido para o Internacional. É ter perdido novamente de uma maneira que repete problemas já conhecidos.

A sequência de sete derrotas no Brasileirão não aconteceu porque o time foi massacrado em todos os jogos. Em alguns deles, houve momentos de bom futebol, mas a equipe não conseguiu transformar esses períodos em resultados. O problema está justamente na incapacidade de sustentar o desempenho e, principalmente, evitar erros que mudam completamente o roteiro das partidas.

Contra o Internacional, o Corinthians sofreu um gol praticamente no primeiro ataque e outro justamente quando estava em seu melhor momento. Isso é devastador para uma equipe que já entra em campo pressionada.

O modelo de Diniz exige coragem para construir desde trás, aproximação entre os jogadores e ocupação dos espaços. Mas também exige uma execução muito precisa. Quando um jogador perde a bola em uma região perigosa, o restante da estrutura precisa estar preparado para proteger a equipe.

O Corinthians não esteve, e Rodrigo Garro acabou sendo diretamente envolvido nos dois gols. Isso não significa que a derrota possa ser colocada individualmente nas costas do argentino. O problema é coletivo. Se um sistema permite que uma perda de bola de um meio-campista deixe praticamente toda a defesa exposta, existe uma questão estrutural que vai muito além do erro técnico de um jogador.

O Corinthians precisa encontrar um equilíbrio entre a liberdade ofensiva e a proteção defensiva. Contra o Internacional, esse equilíbrio não apareceu.

A demissão de Diniz acontece tarde demais para o momento do Corinthians

A maior discussão depois do jogo, portanto, talvez nem seja sobre a permanência de Diniz. Depois de sete derrotas consecutivas, eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores e uma equipe na 16ª posição do Brasileirão, a pressão pela mudança já era inevitável. O problema está no momento em que a diretoria decidiu agir.

Diniz teve 16 dias durante a Data Fifa para trabalhar. Foram dez dias de treinamento e seis de folga. A diretoria, especialmente o executivo Marcelo Paz e o presidente Osmar Stabile, optou por manter o treinador mesmo depois de resultados que já colocavam seu trabalho em dúvida.

Paz chegou a defender publicamente a continuidade do técnico em mais de uma oportunidade. Na última delas, inclusive, contou com o respaldo de lideranças do elenco, que pediram a manutenção do treinador. A decisão foi mantida.

Se a diretoria acreditava que Diniz ainda tinha condições de tirar o Corinthians da situação, a Data Fifa era justamente o momento para oferecer respaldo e permitir que o trabalho fosse desenvolvido. Se acreditava que o treinador já não tinha condições de continuar, aquele era o período ideal para fazer a troca.

O que aconteceu foi o pior dos dois mundos. Diniz teve tempo para trabalhar, mas saiu depois do primeiro jogo da retomada. E o novo treinador, que chegará agora, terá apenas alguns dias antes de um clássico contra o Palmeiras.

A diretoria ganhou duas semanas para preparar uma mudança que decidiu fazer depois que elas passaram. É difícil encontrar lógica nisso.

O Corinthians ainda precisa descobrir se o problema era Diniz ou algo maior

A troca de treinador pode produzir um efeito imediato. Um novo comando pode reorganizar o time, mudar o ambiente, recuperar jogadores e alterar comportamentos que pareciam cristalizados.

Mas também existe um risco importante: transformar a demissão em uma solução automática para problemas que são mais profundos. O Corinthians tem dificuldades defensivas, problemas de equilíbrio no meio-campo, baixa eficiência ofensiva e uma sequência de resultados que destruiu a confiança. A chegada de um novo treinador não garante que esses problemas desapareçam.

Ao mesmo tempo, a partida contra o Internacional mostrou que existe material para trabalhar. Yuri Alberto voltou a participar do ataque. Memphis teve presença ofensiva. Kaio César criou problemas pelo lado. André entrou bem. O time teve volume suficiente para acertar três bolas na trave e, em determinados momentos, empurrar o Internacional para dentro da própria área.

O que falta é transformar esses bons momentos em uma estrutura capaz de sobreviver aos momentos ruins. É justamente isso que o próximo treinador precisará fazer.

O próximo técnico terá pouco tempo para mudar muita coisa

O Corinthians está em 16º lugar, com 32 pontos, apenas um ponto acima do Internacional, que abre a zona de rebaixamento. O próximo compromisso será contra o Palmeiras, no domingo, em um clássico que chega em um momento especialmente delicado.

A diretoria trabalha com Ramón Díaz como principal opção. O argentino conhece o clube, o elenco e o ambiente de pressão que existe no Corinthians, o que pode facilitar uma transição tão curta.

Mas não haverá tempo para reconstruir completamente a equipe. O novo treinador precisará encontrar soluções rápidas para problemas que vêm se acumulando há meses. Mais do que apresentar uma nova ideia de jogo, será necessário recuperar confiança e reduzir os erros que transformam boas atuações em derrotas.

A partida contra o Internacional mostrou exatamente isso. O Corinthians não parece uma equipe sem futebol. Parece uma equipe que não consegue transformar o futebol que apresenta em resultado.

(Foto: Roberto Vinicius/AGIF)