Fernando Diniz - Corinthians
Futebol Libertadores

Corinthians: classificação na Libertadores não apaga preocupação com atuações recentes

Na quinta-feira (21), o Corinthians empatou fora de casa com o Peñarol, em jogo válido pela quinta rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América. Com o resultado, o Timão, que já havia confirmado sua vaga nas oitavas de final, também garantiu a primeira colocação do Grupo E da competição continental.

O cenário, obviamente, é positivo para o clube paulista. Além da classificação antecipada, terminar na liderança do grupo dá mais tranquilidade para o Corinthians pensar na sequência da temporada. Inclusive, mesmo utilizando apenas três titulares no início da partida, a equipe conseguiu buscar o empate fora de casa e terminou o confronto com números interessantes.

O Corinthians finalizou 19 vezes contra 13 do Peñarol e teve 65% da posse de bola. Ou seja, dentro da proposta de Fernando Diniz, o time mais uma vez conseguiu controlar a bola e ocupar o campo ofensivo.. No entanto, apesar do resultado importante e dos números aceitáveis, o desempenho recente da equipe ainda gera preocupação.

O próprio Corinthians parece entender isso. Afinal, a decisão de preservar muitos titulares no duelo pela Libertadores também passa diretamente pela situação complicada no Campeonato Brasileiro. Hoje, a prioridade do clube claramente é reagir na competição nacional.

E o motivo é simples: o Timão aparece na zona de rebaixamento. A equipe ocupa a 17ª posição do Brasileirão, com 18 pontos, em um momento onde a pressão cresce rodada após rodada. Neste cenário, embora a campanha continental seja positiva, as atuações recentes deixam claro que ainda existem muitos problemas para corrigir.

Atuações recentes ligam alerta no Corinthians

O principal ponto de preocupação é justamente a repetição de um roteiro parecido em várias partidas recentes. O Corinthians até consegue controlar a posse de bola e acumular finalizações, porém, encontra enormes dificuldades para transformar esse domínio em atuações realmente convincentes.

Na derrota por 3 a 1 para o Botafogo, por exemplo, o Timão terminou o jogo com 20 finalizações contra 13 do adversário e também teve 65% da posse de bola. No entanto, os números escondem um problema evidente: apenas duas das 20 tentativas foram no alvo.

Enquanto isso, o Botafogo foi muito mais eficiente. O clube carioca acertou seis finalizações no gol e marcou três vezes. Ou seja, mesmo com mais posse e mais volume ofensivo, o Corinthians não conseguiu transformar o controle da partida em resultado positivo.

O cenário foi parecido em outros compromissos recentes. Contra o Barra, pela quinta rodada da Copa do Brasil, o Corinthians avançou, mas sem empolgar. O time venceu os dois jogos apenas por 1 a 0 e esteve longe de apresentar o domínio esperado diante de um adversário tecnicamente inferior.

Já na rodada anterior da Libertadores, o empate contra o Santa Fé também deixou uma sensação negativa. Além de não vencer, o Corinthians viu o adversário terminar a partida com mais finalizações e mais chutes no alvo, algo preocupante para uma equipe que tenta se consolidar sob o comando de Fernando Diniz.

Além disso, neste mesmo mês, o Timão também sofreu a derrota por 2 a 1 para o Mirassol, fora de casa. O resultado pesou ainda mais pelo contexto. Afinal, o Mirassol faz uma campanha ruim no Campeonato Brasileiro e, mesmo assim, conseguiu superar o Corinthians de maneira justa dentro de campo.

Neste cenário, começa a surgir uma preocupação importante: o Corinthians consegue ter posse de bola, algo muito característico do estilo de Fernando Diniz, mas apresenta dificuldades para transformar esse controle em eficiência e vitórias convincentes.

Corinthians precisa reencontrar confiança no Brasileirão

O mais preocupante para o torcedor é justamente a queda recente de desempenho após um início bastante animador de Fernando Diniz no comando do clube. Em um primeiro momento, o Corinthians rapidamente deu sinais de evolução, recuperando confiança e apresentando atuações mais organizadas.

No entanto, os últimos jogos mudaram um pouco essa percepção. O time segue tendo momentos de controle com a bola nos pés, porém, perdeu grande parte da capacidade de transformar posse em superioridade real dentro das partidas.

Isso ajuda a explicar a situação complicada no Campeonato Brasileiro. O Corinthians já se aproxima do segundo turno dentro da zona de rebaixamento, vendo a pressão aumentar cada vez mais. E, neste cenário, apenas controlar a posse de bola não será suficiente.

O Timão precisa voltar a transmitir segurança ao torcedor. Mais do que ter a bola ou apresentar  estatísticas favoráveis, a equipe precisa transformar seu estilo de jogo em atuações eficientes. Afinal, permanecer brigando na parte inferior da tabela pode tornar o ambiente ainda mais pesado nas próximas semanas.

Dessa forma, embora a classificação na Libertadores seja importante e mereça ser valorizada, ela não apaga os sinais de alerta deixados pelas exibições recentes. O Corinthians segue vivo no torneio continental, porém, precisa melhorar rapidamente para evitar que a situação no Brasileirão se torne ainda mais perigosa.

Créditos da foto de capa: Rodrigo Coca/Corinthians.