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Corinthians pode ter esperanças em Labyad e Lingard

O torcedor do Corinthians ainda não viu, nem de perto, a melhor versão de Jesse Lingard e Zakaria Labyad. E, curiosamente, isso pode ser exatamente o motivo para existir algum otimismo real em relação ao segundo semestre do Timão.

Em meio a atuações ainda irregulares, lampejos técnicos e dificuldades naturais de adaptação, os dois estrangeiros começaram a dar sinais de que podem se transformar em peças úteis, e até importantes, após a pausa para a Copa do Mundo.

O gol de Labyad diante do Peñarol, no empate em Montevidéu que garantiu a classificação do Corinthians em primeiro lugar na Libertadores, não foi apenas um lance isolado. Foi, talvez, o primeiro momento em que o marroquino conseguiu mostrar no jogo exatamente aquilo que a comissão técnica enxergou nos treinamentos desde sua chegada ao CT Joaquim Grava: mobilidade curta, inteligência para atacar espaços e capacidade de acelerar jogadas próximas da área.

Internamente, o jogador já havia surpreendido nos treinamentos, especialmente após a evolução física obtida durante seu período inicial de recondicionamento. Essa percepção garantiu a confiança de Fernando Diniz em apostar no jogador.

Labyad e Lingard chegaram ao Corinthians sem inspirar confiança

Labyad chegou ao Corinthians depois de um longo período sem atuar regularmente e vindo de um contexto menos intenso no futebol chinês. Isso naturalmente gerou uma defasagem física importante. O futebol brasileiro exige um volume de aceleração, pressão e recomposição muito superior ao que ele encontrava anteriormente.

Tecnicamente, Labyad parece ser um jogador que pode crescer muito quando o time estiver mais organizado coletivamente. Ele não é um meia clássico de cadência, como Rodrigo Garro, mas um articulador de último terço. Seu melhor futebol aparece quando recebe perto da área, em espaços reduzidos, combinando rapidamente com atacantes e infiltrando sem bola. O gol contra o Peñarol simboliza exatamente isso: leitura de espaço, aproximação e timing ofensivo.

A pausa para a Copa do Mundo pode ajudá-lo principalmente em dois aspectos. O primeiro é físico. Pela primeira vez desde que chegou ao Brasil, Labyad terá semanas completas de preparação sem a pressão imediata por jogos decisivos. Isso pode permitir que ele alcance um nível de intensidade mais próximo do restante do elenco. O segundo aspecto é tático. Quanto mais ele entender os movimentos dos jogadores ao redor, maior será sua influência em zonas perigosas.

Além disso, existe um detalhe importante: Labyad é ambidestro e consegue ocupar diferentes setores ofensivos. Em um calendário pesado como o brasileiro, isso pode transformá-lo numa peça extremamente valiosa de rotação. Não como protagonista, mas como aquele jogador capaz de mudar ritmo de partidas travadas entrando no segundo tempo.

Lingard vem aparecendo bem e marcando gols importantes para o Corinthians
Lingard vem aparecendo bem e marcando gols importantes para o Corinthians (Imagem: Rodrigo Coca/Corinthians)

Já Jesse Lingard talvez represente um caso diferente. O inglês chegou cercado de desconfiança pelo histórico recente irregular, mas os sinais técnicos apresentados até aqui foram até mais animadores do que os números mostram. Lingard ainda parece distante do auge físico dos tempos de Manchester United, porém há algo muito relevante acontecendo: ele começou a entender o ritmo do futebol brasileiro.

Os bons momentos recentes vieram justamente quando ele passou a jogar de maneira mais agressiva sem bola, atacando profundidade e aparecendo em zonas centrais para finalizar. Seu gol contra o Peñarol em Itaquera pela terceira rodada da Libertadores nasceu exatamente dessa movimentação de infiltração que sempre foi uma de suas maiores virtudes.

Lingard nunca foi um camisa 10 tradicional. Seu melhor futebol na Europa apareceu como meia de transição, quase um segundo atacante móvel. E talvez o Corinthians esteja começando a entender isso. Quando ele recebe aberto e precisa construir jogadas longas, suas limitações aparecem. Mas quando atua acelerando em direção à área, atacando espaços criados pelos companheiros, o cenário muda completamente.

Existe também uma questão física muito importante. O calendário europeu, apesar de intenso, é diferente do brasileiro em deslocamentos, clima e sequência de partidas. Lingard chegou ao país ainda tentando se adaptar a viagens longas, gramados variados e ao próprio estilo caótico do Brasileirão. Mesmo assim, já começou a produzir participações ofensivas relevantes.

A tendência é que a pré-temporada no meio do ano ajude enormemente sua evolução. Com semanas completas de treinamento, o inglês poderá recuperar explosão física, algo fundamental para seu estilo de jogo. E há um fator psicológico importante: jogadores europeus normalmente demoram alguns meses para compreender o ambiente competitivo sul-americano. Quando isso acontece, muitos crescem rapidamente.

Pós-Copa, ambos podem realmente reforçar o Timão

O Corinthians pode se beneficiar justamente dessa evolução simultânea dos dois estrangeiros. Enquanto Lingard oferece ruptura, intensidade e chegada na área, Labyad entrega criatividade curta, associação e improviso em espaços congestionados. São características complementares, não concorrentes.

E talvez esteja aí o principal motivo de esperança para o torcedor corintiano. O Timão ainda não extraiu quase nada do potencial técnico desses jogadores. Diferentemente de atletas que já parecem ter atingido seu teto, Lingard e Labyad ainda vivem um período claro de adaptação física, cultural e tática. Isso significa que existe margem concreta de crescimento.

Num elenco que precisará de profundidade para enfrentar Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil após a Copa do Mundo, ter dois estrangeiros tecnicamente refinados entrando em rotação pode elevar bastante o nível competitivo do time.

Isso acontece, principalmente, porque ambos parecem encaixar em algo que o Corinthians busca: mais dinamismo ofensivo, mobilidade e menos previsibilidade no último terço. A partir daí, o segundo semestre pode acabar sendo o momento em que o torcedor finalmente descobrirá por que o clube apostou nesses nomes.

(Imagem de capa: Rodrigo Coca/Corinthians)