A derrota por 2 a 1 para o Palmeiras, no Couto Pereira, vai muito além dos três pontos perdidos. O resultado expôs um Coritiba distante da equipe que surpreendeu durante o primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Mais do que ser superado pelo líder da competição, o time de Fernando Seabra abriu mão da principal marca construída ao longo da temporada: um meio-campo intenso, agressivo e capaz de ditar o ritmo do jogo.
Até a pausa para a Copa do Mundo, o Coxa se destacava justamente pela capacidade de pressionar alto, recuperar rapidamente a posse e acelerar as transições ofensivas. Contra o Palmeiras, quase nada disso apareceu.
Meio-campo perde intensidade e facilita a vida do Palmeiras

Com Thiago Santos, Sebastián Gómez e Josué formando o trio de meio-campo, o Coritiba foi dominado desde os primeiros minutos. Marlon Freitas e Andreas Pereira tiveram liberdade para organizar as jogadas, controlar a posse e encontrar espaços entre as linhas sem grande resistência.
A pressão, que tantas vezes sufocou adversários ao longo do campeonato, praticamente desapareceu. O Coxa marcou em bloco baixo, demorou para encurtar os espaços e permitiu que o Palmeiras construísse suas jogadas com tranquilidade.
O primeiro gol ilustra perfeitamente esse cenário. Andreas Pereira e Marlon Freitas trocaram passes na entrada da área sem qualquer pressão. A bola chegou até Sosa, que encontrou Maurício livre para abrir o placar logo aos sete minutos.
Na sequência da jogada, os erros defensivos ficaram evidentes. Jacy tentou antecipar o lance e deixou espaço às suas costas. Tiago Cóser foi superado logo depois, enquanto Maurício apareceu completamente livre para finalizar.
O segundo gol também nasceu de uma falha coletiva. Após recuperar a posse ainda em seu campo de defesa, o Palmeiras acelerou o contra-ataque com Sosa. O Coritiba demorou a recompor, ofereceu espaços novamente e viu Maurício aparecer sem marcação para ampliar o placar antes dos 20 minutos.
Pouca criatividade e ataque previsível
Se sem a bola o desempenho preocupou, com ela o cenário foi ainda mais limitado. O Coritiba até conseguiu rondar a área palmeirense em alguns momentos, mas faltaram velocidade, infiltrações e aproximação entre os setores. A circulação da posse foi lenta e previsível, dificultando qualquer tentativa de desmontar a defesa adversária.
Sem conseguir conectar o meio ao ataque, a principal alternativa passou a ser a bola aérea. Ainda assim, Carlos Miguel controlou as investidas e praticamente não foi exigido durante a primeira etapa.
Quando sofreu o segundo gol antes dos 20 minutos, o Coxa parecia sem respostas. Um comportamento muito diferente da equipe competitiva e intensa que marcou presença durante boa parte do campeonato.
Mudanças melhoram o time, mas reação acontece tarde demais

O Coritiba voltou diferente para o segundo tempo. As entradas de Paulo Roberto e Lucas Ronier deram uma nova dinâmica à equipe. O meio-campo voltou a competir com mais intensidade, o time passou a ocupar o campo ofensivo e conseguiu pressionar o Palmeiras por alguns minutos.
Paulo Roberto precisou de pouco tempo para deixar sua marca. No primeiro lance em que participou diretamente, marcou um belo gol e recolocou o Coxa na partida. Além do oportunismo do atacante, a jogada reforçou mais uma vez a importância de Josué, que chegou à nona assistência na Série A e segue como o principal articulador da equipe.
Lucas Ronier também elevou o nível ofensivo. Atuando entre as linhas, acelerou a circulação da bola, arriscou finalizações de média distância e trouxe uma mobilidade que fez falta durante toda a primeira etapa. A atuação fortalece sua candidatura por uma vaga entre os titulares.
Apesar da melhora, a reação aconteceu quando o Palmeiras já administrava uma vantagem confortável. A equipe paulista baixou naturalmente suas linhas, controlou a posse de bola e soube esfriar o jogo até o apito final.
Derrota liga sinal de alerta para Fernando Seabra
O revés no Couto Pereira mostrou que o problema não esteve apenas na qualidade do adversário.
O Coritiba perdeu justamente aquilo que o tornou competitivo durante o primeiro turno: intensidade sem a bola, agressividade no meio-campo e capacidade de recuperar rapidamente a posse.
Quando essas características desapareceram, o Palmeiras encontrou espaços, controlou o jogo e construiu a vitória com relativa tranquilidade.
Mais do que corrigir aspectos técnicos, Fernando Seabra terá como principal missão fazer o Coxa reencontrar sua identidade coletiva. Afinal, foi ela que colocou o clube entre as boas surpresas do Brasileirão.
Quando o Coritiba volta a campo?
O Coritiba terá a chance de reagir já no próximo domingo (26), às 18h30 (de Brasília), quando enfrenta o Bragantino, no Estádio Cícero de Souza Marques, pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O confronto tem peso direto na tabela. O Coxa ocupa a oitava colocação, com 26 pontos, enquanto o Massa Bruta aparece em quinto lugar, com 30. Um resultado positivo pode recolocar os paranaenses na disputa pelas primeiras posições — desde que o time volte a apresentar a intensidade e a personalidade que marcaram sua campanha no primeiro turno.
Créditos da foto de capa: Rodolfo Buhrer/AGIF



