O Coritiba vive o momento de maior tensão na temporada. Decidindo no Couto Pereira, o clube foi derrotado e eliminado pelo Santos na Copa do Brasil, nos 16 avos de final. Apesar de ter começado bem a temporada, com vitória em clássico no Paranaense e sendo uma das sensações durante as rodadas iniciais do Campeonato Brasileiro, o Coxa se vê no meio de uma sequência ruim de resultados, e a pressão da torcida só aumenta contra o time e contra a SAF que comanda o clube.
O colapso físico e o elenco curto
Um dos fatores principais para a perda de “gás” do Coritiba é a condição física, somada ao tamanho do elenco. A equipe teve um início de temporada interessante, com vitória no Campeonato Paranaense contra o Athletico, na casa do rival, e somando pontos importantes nas primeiras rodadas do Brasileirão, chegando a vencer o Cruzeiro no Mineirão, o Corinthians na Neo Química Arena e o Mirassol no Maião. Porém, com o calendário corrido por conta da Copa do Mundo, o elenco sentiu o preço, demonstrando cansaço e acumulando lesões no departamento médico do time. Esse cansaço dificultou a estratégia de Fernando Seabra em manter a pressão alta de marcação, um dos diferenciais do Coxa.
Maicon, Keno e Pedro Morisco são alguns dos jogadores que estão afastados por lesão. Além de agregarem tecnicamente, Maicon e Keno, principalmente, são jogadores experientes e fazem a diferença em clubes como o Coritiba, que subiu na última temporada para a Série A, possui uma torcida que pressiona bastante o clube e exige que o Coxa mantenha a permanência na elite do futebol brasileiro. Na derrota para o Santos, a lesão precoce de Tinga fez diferença na estrutura de jogo, e ficou nítido o abalo psicológico da equipe após o gol sofrido, além da dificuldade em demonstrar reação em busca do resultado.
“Nó” tático e defesa vazada
Pelo cansaço demonstrado pela equipe, pelas lesões dos jogadores do elenco e pela diferença de qualidade entre o time titular e os que compõem o banco de reservas, o Coritiba tem se mostrado um time previsível. Há um problema de repertório na construção das jogadas: falta aquele jogador que irá conseguir furar as defesas mais fechadas. Além do ataque não estar em dia, desperdiçando gols, a defesa também tem sido um ponto de extrema atenção por parte dos Coxas-Brancas.
Durante os últimos 10 jogos, somando Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, o Coritiba perdeu quatro, empatou cinco e venceu somente uma partida, diante de sua torcida, contra o Atlético Mineiro, que vive uma temporada delicada e cheia de crises. Dentro desse mesmo período, o Coxa possui uma média de 1,5 gols sofridos por partida, totalizando 15. O ritmo do ataque não consegue acompanhar os gols sofridos, e a equipe possui uma média de 0,90 gols feitos nas últimas 10 partidas, sendo nove gols no total.
A pressão interna e o fantasma do rebaixamento
Com a eliminação da Copa do Brasil e a sequência ruim no Campeonato Brasileiro, mesmo estando na parte superior da tabela do Brasileirão, o Coritiba está há apenas três pontos da zona de rebaixamento. Por ser um clube tradicional e com torcida expressiva, o Coxa tem tido dificuldades em se manter na elite do futebol nacional, e a pressão da torcida pode pesar no psicológico da equipe.
A presença na segunda divisão tem sido frequente, e são raras as temporadas em que o clube conseguiu se manter na primeira. Desde 2016, as únicas vezes em que o Coritiba conseguiu a manutenção na Série A foram no próprio ano de 2016 e em 2022. Em todas as outras vezes em que disputou a competição, terminou na zona de rebaixamento.
Além de tudo o que se passa dentro de campo, a SAF do Coritiba costuma ser bastante criticada por parte dos torcedores pela falta de investimentos e planejamento do elenco, pelo déficit financeiro, mesmo com os investidores, e pela falta de identificação com a torcida.
(Foto: Hedeson Alves/AGIF)