Futebol Copa do Mundo

A Croácia na Copa do Mundo: como joga, principais jogadores e a análise dos quadriculados

A Copa do Mundo de 2026 pode representar o último grande ato de uma das gerações mais marcantes da história do futebol da Croácia. Depois de chegar à final em 2018 e alcançar o terceiro lugar em 2022, a Croácia desembarca nos Estados Unidos, Canadá e México carregando uma mistura rara de experiência, tradição e renovação gradual. Não é mais uma surpresa. Não é mais a seleção subestimada que encantou o mundo na Rússia. Agora, os croatas carregam o peso de suas próprias conquistas.

Durante décadas, a Croácia foi tratada como uma pequena potência ocasional, capaz de produzir talentos extraordinários, mas sem profundidade suficiente para competir continuamente entre os gigantes. A geração liderada por Luka Modric mudou completamente essa percepção. Desde 2018, os croatas disputaram decisões, eliminaram favoritos e construíram uma identidade competitiva que poucas seleções possuem. O problema é que o tempo não para nem para os maiores jogadores.

Aos 40 anos, Modric chega possivelmente à sua última Copa do Mundo. Ivan Perisic também se aproxima do fim da carreira internacional. Ao redor deles, uma nova geração tenta assumir responsabilidades sem romper totalmente com a identidade construída nos últimos anos. É justamente esse equilíbrio entre passado e futuro que definirá o teto da Croácia no torneio.

O grupo não será simples. A estreia contra a Inglaterra já foi classificada pelo técnico Zlatko Dalic como um jogo capaz de “destruir tudo” em caso de derrota, uma referência direta ao impacto emocional que um começo ruim pode gerar em torneios curtos. Além dos ingleses, os croatas ainda terão pela frente Gana e Panamá em um grupo que exige atenção desde o primeiro minuto.

A sensação é que a Croácia chega mais vulnerável do que em 2018 ou 2022. Mas também existe algo que o futebol aprendeu a respeitar: quando a camisa quadriculada entra em uma Copa do Mundo, raramente ela vai embora sem causar problemas.

(Foto: Getty Images)

Como joga a Croácia?

Zlatko Dalic Croácia
Zlatko Dalic tem um dos trabalhos mais longevos da Copa do Mundo e mostra competitividade (Foto: Getty Images)

Poucas seleções possuem uma relação tão simbiótica entre treinador e elenco quanto a Croácia de Zlatko Dalic. Desde que assumiu em 2017, o treinador levou o país à final da Copa de 2018 e ao terceiro lugar em 2022, transformando-se provavelmente no técnico mais importante da história do futebol croata.

Seu trabalho nunca foi baseado em revoluções táticas. Dalic é um treinador que entende as características do grupo que possui. Em vez de reinventar o futebol croata, ele potencializou aquilo que a seleção sempre produziu melhor: meio-campistas inteligentes, jogadores tecnicamente refinados e enorme capacidade de competir sob pressão.

A estrutura mais utilizada costuma variar entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3. Em determinados momentos, principalmente contra adversários mais fortes, a equipe também pode utilizar uma linha com três zagueiros, algo que Dalic testou nos últimos ciclos.

A principal característica continua sendo o controle do ritmo da partida. Mesmo sem a intensidade física das grandes seleções modernas, a Croácia compensa através da inteligência coletiva. O time não acelera por acelerar. Procura desgastar emocionalmente o adversário, controlar espaços e transformar partidas caóticas em jogos de xadrez. Isso ajuda a explicar por que os croatas costumam crescer em torneios eliminatórios. Eles raramente entram em pânico.

O problema aparece quando precisam aumentar o ritmo. A equipe envelheceu. Perdeu velocidade pelos lados do campo e já não consegue pressionar durante 90 minutos como fazia em ciclos anteriores. Por isso, a posse de bola deixou de ser apenas uma ferramenta ofensiva e passou a funcionar também como mecanismo defensivo.

Principais jogadores

Luka Modric Croácia
Líder da geração, Luka Modric chega para a sua quinta Copa do Mundo jogando em alto nível (Foto: Getty Images)

Mesmo aos 40 anos, Luka Modric segue sendo o principal símbolo do futebol croata. O meio-campista disputará sua quinta Copa do Mundo e continua exercendo enorme influência técnica e emocional dentro da equipe. Após superar uma fratura facial sofrida no fim da temporada europeia, ele chega recuperado para liderar o grupo mais uma vez.

No entanto, esta já não é uma seleção que depende exclusivamente dele. Joško Gvardiol talvez seja hoje o jogador mais importante do elenco. O defensor do Manchester City representa a transição entre gerações. Forte fisicamente, dominante nos duelos e extremamente confortável com a bola nos pés, ele é visto como futuro líder da seleção. Sua recuperação de lesão foi tratada quase como prioridade nacional antes da convocação.

Mateo Kovacic também continua fundamental. Quando saudável, oferece exatamente o equilíbrio que permite à Croácia manter sua identidade de posse e controle. Sua condição física gera alguma preocupação, mas Dalic apostou em sua experiência para o torneio.

No ataque, nomes como Andrej Kramaric, Ante Budimir, Igor Matanovic e Petar Musa dividem responsabilidades. Nenhum deles possui o status de estrela mundial, mas a força ofensiva croata costuma surgir muito mais do coletivo do que de individualidades.

Entre os jovens, Martin Baturina, Luka Sucic, Petar Sucic e o zagueiro Luka Vuskovic representam a próxima geração. O último, nascido em 2007, é considerado um dos maiores talentos do futebol croata e já ganhou espaço no elenco principal.

Como foi o ciclo para a Copa do Mundo?

O ciclo até 2026 foi muito menos tranquilo do que os resultados finais podem sugerir. A eliminação precoce na Euro 2024 gerou questionamentos sobre o envelhecimento do elenco e sobre a capacidade da seleção de continuar competindo entre as melhores do mundo. Muitos acreditavam que a Croácia havia chegado ao fim de um ciclo histórico.

Dalic, porém, optou por uma transição gradual. Em vez de promover uma ruptura radical, passou a integrar jovens talentos ao redor da estrutura veterana que ainda sustentava a equipe. O resultado foi uma campanha de classificação consistente, encerrada sem derrotas.

Mesmo assim, o período pré-Copa trouxe dificuldades. Gvardiol, Kovacic e Modric enfrentaram problemas físicos importantes durante a temporada europeia. A derrota para a Bélgica em amistoso também gerou preocupações, amenizadas parcialmente pela vitória sobre a Eslovênia na despedida antes do embarque para o Mundial.

O sentimento em torno da seleção é curioso: existe confiança na capacidade competitiva do grupo, mas também a consciência de que talvez esta seja a última oportunidade da geração mais vitoriosa da história croata.

Onde pode chegar?

Avaliar a Croácia antes de uma Copa do Mundo virou um exercício perigoso. Em 2018, poucos acreditavam que chegaria à final. Em 2022, novamente superou expectativas e terminou entre os quatro melhores. Agora, em 2026, a seleção chega cercada por dúvidas semelhantes. No papel, existem equipes mais talentosas. França, Inglaterra, Brasil, Argentina e Espanha parecem possuir elencos mais profundos e fisicamente mais preparados.

Mas a Croácia oferece algo que poucas seleções conseguem replicar: experiência acumulada em momentos decisivos. Praticamente todo o núcleo principal do elenco já disputou quartas de final, semifinais ou decisões de Copa do Mundo. Isso tem um valor difícil de mensurar quando os jogos entram nos momentos de maior pressão.

O cenário mais provável parece ser uma classificação para o mata-mata e uma campanha que dependerá muito dos cruzamentos. Se escapar dos gigantes logo nas primeiras fases eliminatórias, a Croácia possui qualidade suficiente para voltar a sonhar com quartas de final ou até algo maior.

Talvez não seja mais a equipe brilhante de 2018. Talvez não possua o frescor físico de outras seleções emergentes. Mas enquanto Luka Modric continuar comandando o meio-campo e a camisa quadriculada continuar carregando a memória das campanhas recentes, ninguém terá o direito de tratar a Croácia como azarã.

Afinal, depois de duas Copas consecutivas entre os quatro melhores do mundo, talvez a maior força dos croatas seja justamente essa: eles já provaram que não precisam ser favoritos para chegarem longe.

Os jogos da Croácia na Copa do Mundo

Grupo L

17/06 – 17h: Inglaterra x Croácia (AT&T Stadium – Dallas)
23/06 – 20h: Croácia x Panamá (BMG FIeld – Toronto)
27/06 – 18h: Croácia x Gana (Lincoln Financial Field – Filadélfia)