Curaçao Juninho Bacuna
Futebol Copa do Mundo

Curaçao a um passo da história: 90 minutos para virar o menor país a disputar uma Copa do Mundo!

A seleção de Curaçao está a um empate de entrar para a história do futebol mundial. A pequena ilha caribenha, com pouco mais de 150 mil habitantes, está a 90 minutos de garantir a sua presença na Copa do Mundo de 2026, que acontecerá nos Estados Unidos, México e Canadá. Simplesmente um feito gigantesco para qualquer país, mas ainda maior para eles, que até poucos anos atrás, estavam longe de se imaginar nesta realidade.

Depois de ter feito uma exímia campanha nas Eliminatórias, Curaçao terá depisar na Jamaica, sem nem pensar na possibilidade de sair derrotado de lá. Com certeza está sendo difícil de ser entendido pelos populares do país, mas é importante não cair na soberta, porque a Hungria sofreu da pior forma possível contra a Irlanda, depois de terem sofrido a vitória no último lance do confronto.

Então, cabeça levantada e foco no objetivo, para comemorar apenas quando estiverem com a vaga em suas mãos.

A dura caminhada de Curaçao

A trajetória de Curaçao nas Eliminatórias explica bastante a forma como andam se portando no momento, com um enorme entusiasmo. A seleção venceu sete de suas nove partidas até aqui, incluindo um sólido 2 a 0 sobre a própria Jamaica. E para confirmar e iludir ainda mais, a goleada por 7 a 0 sobre Bermuda na rodada anterior deixou claro que Curaçao não está apenas sonhando, está jogando o melhor futebol de sua história.

Diante deste cenário, Curaçao chega ao confronto final dependendo apenas de si. É claro que se encontram bem, mas normalemente, alguns times costumam pipocar nessas situações, então, esse momento separará os meninos, dos homens. No caso da Jamaica, por outro lado, precisa vencer para ultrapassar a ilha caribenha e garantir classificação direta.

Curaçao perde seu técnico às vésperas da decisão

Em um capítulo digno de roteiro de cinema, Curaçao perdeu o treinador Dick Advocaat justamente antes da partida mais importante de sua história. O técnico de 78 anos deixou a concentração às pressas por conta de uma emergência familiar, tendo de retornar à Holanda.

“É muito difícil deixar os meninos aqui. Fiz isso com o coração pesado, mas família vem primeiro”, disse Advocaat em comunicado oficial.

O elenco de Curaçao entendeu, como destacou o goleiro Eloy Room: “Vamos jogar por ele.”

Sem Advocaat no banco, Curaçao será comandada pelos auxiliares Dean Gorre e Cor Pot, que se manterão em contato direto com o treinador na preparação do confronto decisivo. Sinceramente, não existe um cenário de filme mais semelhante do que esse, então, acaba sendo torcer pelo melhor desfecho possível, o famoso final feliz.

O segredo da força de Curaçao

O salto competitivo de Curaçao passa diretamente pela qualidade do elenco, ao lado de talentos formados na Holanda, mas profundamente conectados às raízes da ilha. Jogadores como Tahith Chong, ex-Manchester United e hoje referência ofensiva, e Sontje Hansen, atacante veloz do Middlesbrough, dão ao time uma dinâmica que a seleção caribenha jamais sonhou em ter. Na defesa, Joshua Brenet, com experiência por PSV e Hoffenheim, trouxe a solidez que faltava, enquanto Ar’jany Martha, do Rotherham, se tornou fundamental na organização do meio-campo.

A questão é que, o símbolo dessa geração é Juninho Bacuna, que escolheu defender Curaçao em 2019 para jogar ao lado do irmão Leandro, capitão do esquadrão. Sua decisão abriu portas para um movimento ainda maior: mais jovens holandeses com ascendência caribenha passaram a optar por representar Curaçao. Esse fluxo de talento, aliado ao orgulho de vestir a camisa azul, explica bastante sobre o por que Curaçao chegou tão longe tão rápido.

Advocaat pode quebrar um recorde com Curaçao

Se Curaçao confirmar a classificação e Advocaat reassumir o comando na Copa, ele se tornará o técnico mais velho da história dos Mundiais, aos 78 anos, superando Otto Rehhagel, que dirigiu a Grécia em 2010 aos 71.

Curiosamente, Advocaat só assumiu Curaçao depois que um impasse financeiro entre jogadores e federação foi resolvido, pelo simples fato de não ter interesse em tocar num projeto que poderia ser queimado pelo extracampo, não faria sentido essa movimentação. Assim que chegou, deixou claro o objetivo:
“Nosso foco é a Copa.”

E Kòrsou não poderia ter tido uma resposta melhor em campo, evoluindo visivelmente desde a Concacaf Nations League até transformar o sonho em real possibilidade.

Jamaica é favorita, mas Curaçao tem a vantagem

Jamaica, comandada por Steve McClaren, chega muito pressionada por diversos fatores. Além da necessidade de vencer Curaçao, depois de ter sido derrotado na primeira batida por 2 a 0, o país ainda lida com os efeitos do furacão Melissa, algo que impactou diretamente o ambiente da seleção.

Mesmo assim, o estádio em Kingston promete estar lotado, e a imprensa local coloca a Jamaica como favorita.
“É Jamaica pra ganhar. Ninguém acredita em outra derrota para Curaçao”, afirmou a jornalista Karen Madden.

Mas a vantagem é dos visitantes, e isso muda tudo. Não existe uma vontade absoluta pela vitória, mas a realidade é realmente dura. Sem seu treinador no banco de reservas, e longe de casa, a seleção caribenha precisará entregar tudo de si, para terminar com um sorriso no rosto, tanto dos atletas, quando de Advocaat que acompanhará direto da Holanda.

O lado positivo: A Pérola Caribenha ainda teria uma segunda chance na repescagem intercontinental, em março.

O lado negativo: a disputa está longe de ser simples, e apenas duas seleções avançam.

Por isso, Curaçao vai tratar o jogo como uma final. A oportunidade é única e histórica, simplesmente assim.

Curaçao: uma ilha pequena, um sonho gigante

O cenário está armado: se Curaçao resistir por 90 minutos, entrará para sempre na história como a menor nação a disputar uma Copa do Mundo. O impacto no esporte, na cultura e na autoestima do país seria gigantesco.

Se vencer, vira festa nacional.
Se empatar, vira história.
Se perder, o sonho continua vivo, mas mais distante.

De qualquer forma, a seleção caribenha já mostrou que não é mais coadjuvante. A ilha caribenha está no mapa do futebol mundial. E pode estar prestes a entrar, definitivamente, na elite. O ponto principal para o jogo diante da Jamaica é, quem acredita, sempre alcança.

Foto: ANP via Getty Images