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Automobilismo Fórmula 1

De Hirakawa a Arthur Legat: os estreantes mais velhos da história da Fórmula 1

Ryo Hirakawa fará sua estreia em uma corrida da Fórmula 1 aos 32 anos, durante o GP da Cidade do México. A Haas confirmou que o japonês substituirá Esteban Ocon pelo restante do fim de semana, abrindo espaço para a primeira participação do piloto em um Grande Prêmio.

Embora seja uma estreia tardia pelos padrões atuais da categoria, Hirakawa está longe de estabelecer um recorde histórico. Ao longo das primeiras décadas do Mundial, diversos pilotos experientes chegaram à Fórmula 1 depois dos 50 anos, em uma época na qual as carreiras no automobilismo seguiam trajetórias bastante diferentes das atuais.

Bicampeão mundial de Endurance e vencedor das 24 Horas de Le Mans de 2022, o japonês fará sua primeira largada em um Grande Prêmio em 1º de novembro, aos 32 anos, sete meses e 25 dias. Com isso, Hirakawa será o piloto mais velho a estrear em uma corrida da F1 desde André Lotterer, que tinha 32 anos e nove meses quando substituiu Kamui Kobayashi na Caterham durante o GP da Bélgica de 2014.

Arthur Legat detém o recorde de estreia mais tardia

O recorde histórico pertence ao belga Arthur Legat, que disputou sua primeira corrida válida pelo Campeonato Mundial de Fórmula 1 no GP da Bélgica de 1952, aos 53 anos, sete meses e 21 dias. Legat já tinha uma longa trajetória no automobilismo quando participou da prova em Spa-Francorchamps. Ele competiu com um Veritas inscrito por uma equipe privada, largou na 21ª posição e terminou em 13º, cinco voltas atrás do vencedor, Alberto Ascari.

Sua segunda e última participação no Mundial aconteceu no mesmo circuito, em 1953. Naquela ocasião, o belga não conseguiu completar a corrida. O caso de Legat ilustra como a experiência acumulada antes da criação do campeonato mundial, em 1950, permitiu que pilotos veteranos continuassem competindo em provas da nova categoria.

Philippe Étancelin e Adolf Brudes completam o pódio histórico

O segundo lugar na lista dos estreantes mais velhos pertence ao francês Philippe Étancelin, que participou da primeira corrida da história do Mundial de Fórmula 1, o GP da Grã-Bretanha de 1950, aos 53 anos, quatro meses e 15 dias. Vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1934, Étancelin já era um nome conhecido nas competições europeias antes do início da F1. Em sua estreia no campeonato, terminou na oitava posição em Silverstone.

O terceiro colocado é o alemão Adolf Brudes, que tinha 52 anos e nove meses quando disputou sua única corrida pelo Mundial, no GP da Alemanha de 1952. Brudes abandonou a prova após apenas cinco voltas, em razão de uma falha no motor. Mesmo com uma participação curta, seu nome permanece entre os pilotos mais velhos a estrear na história da categoria.

Fagioli e Chiron também marcaram época

A lista de estreantes veteranos inclui outros nomes importantes do automobilismo. O italiano Luigi Fagioli, por exemplo, terminou em segundo lugar no primeiro GP da Grã-Bretanha, em 1950, e posteriormente entrou para a história como o vencedor mais velho de uma corrida da Fórmula 1. Fagioli conquistou esse feito no GP da França de 1951, aos 53 anos, em uma prova na qual dividiu o carro vencedor com Juan Manuel Fangio.

Outro nome de destaque é o monegasco Louis Chiron, que tinha 50 anos quando estreou no Mundial, em Silverstone, em 1950. Cinco anos depois, Chiron estabeleceu uma marca ainda mais impressionante ao se tornar o piloto mais velho a largar em uma corrida válida pelo campeonato. Ele tinha 55 anos e 292 dias quando participou do GP de Mônaco de 1955.

Esses casos ajudam a explicar por que os recordes históricos da Fórmula 1 são tão diferentes dos padrões atuais. Muitos dos competidores das primeiras temporadas já disputavam Grandes Prêmios antes da Segunda Guerra Mundial e chegaram ao campeonato mundial depois de décadas de experiência nas pistas.

Hirakawa fica fora do top 10 histórico

O levantamento dos dez estreantes mais velhos da história inclui pilotos que tinham pelo menos 49 anos quando participaram pela primeira vez de uma corrida do Mundial. O mais jovem dessa lista é o alemão Ernst Klodwig, que estreou no GP da Alemanha de 1952 aos 49 anos. Aos 32 anos, Hirakawa ficará muito distante desse grupo, embora sua estreia seja considerada tardia para os padrões modernos da Fórmula 1.

Atualmente, os pilotos costumam chegar à categoria depois de passar por campeonatos de base altamente competitivos, como a Fórmula 2 e a Fórmula 3. Esse caminho favorece estreias ainda na adolescência ou no início da vida adulta, tornando participações inéditas depois dos 30 anos cada vez menos comuns.

A trajetória de Hirakawa, entretanto, é diferente da maioria. O japonês construiu uma carreira de destaque no Endurance, conquistando títulos mundiais e vencendo uma das provas mais tradicionais do automobilismo antes de receber a oportunidade na F1.

Sua participação pela Haas representa, portanto, um marco pessoal e uma oportunidade de demonstrar sua capacidade em um ambiente completamente diferente. Embora não ameace os recordes históricos de longevidade, Hirakawa se junta a um grupo relativamente raro de pilotos que chegaram à principal categoria do automobilismo depois de construir uma carreira consolidada em outras competições.

Foto: (Reprodução/AutoHedbo)