ROBERTO DE ZERBI Tottenham
Futebol Premier League

De Zerbi transforma o Tottenham e reacende esperança contra o rebaixamento; veja

O Tottenham começa a dar sinais claros de reação em um momento crítico da temporada. A vitória por 2 a 1 sobre o Aston Villa, fora de casa, não foi apenas mais um resultado positivo — foi a confirmação de que algo mudou desde a chegada de Roberto De Zerbi.

Depois de uma temporada turbulenta, com trocas de comando envolvendo Thomas Frank e Igor Tudor, o time londrino parecia perdido, sem identidade e cada vez mais ameaçado pelo rebaixamento. Agora, em poucas semanas, o cenário é outro: duas vitórias consecutivas, mais organização e, principalmente, um time que parece acreditar novamente.

O impacto de De Zerbi vai além do placar. Ele conseguiu simplificar o jogo para seus atletas, dar funções mais claras e criar um sistema que potencializa as características do elenco. O resultado é um Tottenham mais competitivo, mais agressivo e muito mais confiante.

Pressão alta muda o comportamento defensivo

Se existe uma marca registrada de De Zerbi, muita gente pensa imediatamente na saída de bola curta. Mas, contra o Villa de Unai Emery, foi o trabalho sem a bola que mais chamou atenção.

O Tottenham pressionou alto, com intensidade e coordenação, dificultando completamente a construção do adversário. Jogadores como Richarlison tiveram papel fundamental nesse plano, fechando linhas de passe e orientando a pressão para zonas específicas do campo.

A ideia era clara: impedir que o Villa construísse pelo meio e forçar erros em regiões perigosas. E funcionou. O time recuperou a bola diversas vezes no terço final, algo que se tornou uma característica imediata dessa nova fase.

Essa pressão coordenada não era comum no Tottenham semanas atrás. Havia tentativa, mas faltava sincronia. Com De Zerbi, os movimentos parecem ensaiados, com cada jogador entendendo exatamente quando pressionar e como reagir.

O resultado disso foi um Villa desconfortável, incapaz de progredir com qualidade e frequentemente obrigado a arriscar passes que acabavam interceptados.

Movimentações ofensivas desmontam o adversário

Se defensivamente o Tottenham impressionou, com a bola nos pés o time mostrou a identidade típica de De Zerbi. Movimentações constantes, trocas de posição e criação de superioridade numérica foram essenciais para desmontar o sistema do Villa.

Jogadores como Rodrigo Bentancur e Conor Gallagher foram peças-chave nesse mecanismo. Eles alternavam posições, caíam pelos lados e ajudavam a criar espaços que o time explorava com inteligência.

Nas laterais, Pedro Porro e Destiny Udogie tiveram liberdade para avançar, abrindo o campo e confundindo a marcação adversária. Essas movimentações obrigavam o Villa a se reorganizar constantemente, gerando brechas.

Outro ponto importante foi a flexibilidade na construção. Embora o time tente sair jogando desde trás, houve momentos em que optou por bolas longas, especialmente buscando Richarlison como referência. Essa variação tornou o ataque menos previsível e mais difícil de ser neutralizado.

O Tottenham conseguiu, assim, passar mais tempo no campo ofensivo e transformar posse de bola em chances reais — algo que vinha sendo um problema ao longo da temporada.

Confiança e identidade mudam o cenário

Mais do que ajustes táticos, o maior mérito de De Zerbi talvez seja recuperar a confiança do elenco. O Tottenham que entrou em campo contra o Aston Villa parecia um time leve, confiante e com convicção no que fazia.

Isso não é detalhe. Em uma briga contra o rebaixamento, o aspecto mental costuma ser decisivo. E o treinador italiano deixou claro desde sua chegada que queria mudar essa mentalidade, pedindo que os jogadores acreditassem mais em si mesmos.

A resposta veio rápido. O time não apenas venceu, mas venceu jogando bem, impondo seu estilo e controlando momentos importantes da partida.

Claro que ainda é cedo para cravar qualquer coisa. A amostra é pequena, e a luta contra o rebaixamento segue aberta. Mas os sinais são extremamente positivos.

Se conseguir manter esse nível de organização e confiança, o Tottenham tem tudo para evitar a queda — algo que, poucas semanas atrás, parecia cada vez mais distante.

No fim, De Zerbi mostrou algo fundamental: com ideias claras, ajuste tático e gestão de grupo, é possível transformar rapidamente um time à deriva em uma equipe competitiva. E, no caso do Tottenham, isso pode significar a diferença entre o fracasso e a sobrevivência na Premier League.