Max Verstappen McLaren
Automobilismo Fórmula 1

Desclassificação da McLaren em Las Vegas reacende chances de título para Verstappen

A reta final da Fórmula 1 em 2025 ganhou contornos dramáticos após o GP de Las Vegas. O que parecia mais um capítulo na caminhada dominante da McLaren rumo ao título acabou se transformando em um terremoto esportivo quando, horas após a bandeirada, a FIA anunciou a desclassificação de Lando Norris e Oscar Piastri por irregularidades na prancha inferior dos carros. O impacto foi imediato e gigantesco. O resultado redesenhou a tabela do campeonato e, de quebra, reacendeu de forma abrupta as chances de título de Max Verstappen, que agora volta ao centro das atenções na disputa pelo penta.

A penalização, confirmada pelos comissários e posteriormente detalhada pela McLaren, pegou paddock, torcedores e equipes de surpresa. Norris havia terminado a corrida em segundo lugar, com Piastri em quarto — resultados que, até então, consolidavam a equipe britânica como força dominante da temporada e ampliavam a liderança do britânico na tabela de pilotos. Tudo mudou em poucas horas.

O que levou à desclassificação da McLaren?

A polêmica começou com a inspeção técnica pós-corrida. Conforme ditam os regulamentos da Fórmula 1, a “skid plank”, peça instalada na parte inferior dos carros para limitar a altura mínima em relação ao solo e evitar o uso de configurações extremas, precisa manter uma espessura mínima de 9 mm após a corrida. Nos dois carros da McLaren, os comissários detectaram desgaste acima do limite, automaticamente invalidando o resultado final de ambos os pilotos.

O próprio chefe de equipe, Andrea Stella, confirmou que a McLaren não contestou os números apresentados pela FIA. Segundo ele, o desgaste excessivo teria sido consequência de fatores “inesperados” no asfalto de Las Vegas, incluindo um nível de porpoising (quique aerodinâmico) acima do previsto e condições de pista que mudaram ao longo da noite. O time ainda alegou que as sessões de treinos afetadas por bandeiras vermelhas limitaram a capacidade de ajustar o carro adequadamente antes da corrida.

Apesar disso, a defesa não foi suficiente. A FIA foi categórica: a violação, ainda que não intencional, não tem margem para interpretação no regulamento. O resultado foi a aplicação da pena máxima, a desclassificação completa. Ambos os pilotos perderam todos os pontos do GP.

Tabela vira de cabeça para baixo, e Verstappen volta ao jogo

A consequência direta da desclassificação foi um choque no campeonato. Até então, Norris liderava com relativa folga e parecia encaminhar o primeiro título de sua carreira, muito graças ao desempenho avassalador da McLaren desde o meio da temporada. Já Piastri aparecia firme como terceiro colocado e ainda sonhava, matematicamente, com o título.

Com a exclusão dos resultados de Las Vegas, tudo mudou. Norris perdeu 18 pontos, que havia conquistado pelo 2º lugar. Piastri perdeu 12 pontos, relativos ao 4º posto. Max Verstappen ganhou 25 pontos pela vitória incontestável no circuito de Las Vegas.

O impacto foi devastador para a McLaren: Norris viu sua vantagem de mais de 40 pontos evaporar, restando agora apenas 24 pontos de frente para Verstappen. E, pior para ele, Piastri ressurgiu com força e agora encontra-se empatado com o holandês na classificação.

Com 58 pontos ainda disponíveis nas duas últimas etapas, no Catar e em Abu Dhabi, a disputa, que parecia liquidada, renasceu de forma quase cinematográfica.

O novo cenário: como Verstappen pode virar o jogo

A Fórmula 1 adora uma reviravolta, e esta pode ser uma das maiores dos últimos anos. Eis os cenários que devolvem a esperança ao tricampeão:

1. Se Verstappen vencer no Catar

Caso o piloto da Red Bull conquiste a vitória na próxima etapa, o campeonato pode ficar praticamente empatado, ou até virar em seu favor, dependendo da posição de Norris. O britânico, emocionalmente abalado após a desclassificação, terá de responder rapidamente.

2. Regularidade acima de tudo

Mesmo sem vencer todas, Verstappen pode conquistar o título com uma combinação de dois pódios, desde que Norris siga enfrentando dificuldades. O Red Bull tem se mostrado competitivo em diferentes condições, e o holandês é conhecido por extrair resultados sólidos mesmo em finais de semana adversos.

3. McLaren ainda em alerta

O maior risco para Norris e Piastri é que o problema no assoalho se repita. A equipe trabalha intensamente para evitar nova infração, mas qualquer erro pode ser fatal em um campeonato tão apertado. Uma nova desclassificação, ou mesmo uma corrida com desempenho comprometido, pode entregar o título de bandeja para Verstappen.

A McLaren ainda em disputa, e agora com dois pilotos novamente

A desclassificação veio no pior momento possível para Lando Norris. No auge da sua melhor temporada na F1 e embalado pela vitória no Brasil, ele viu 18 pontos sumirem e seu principal rival encurtar a diferença de forma brutal. Norris mostrou maturidade ao reagir publicamente, mas nos bastidores a situação é complicada: a equipe admite falhas, a imprensa pressiona, e o fantasma do vice-campeonato começa a rondar novamente.

Para um piloto que busca seu primeiro título, a gestão psicológica nas próximas duas provas será tão importante quanto o desempenho em pista.

Com a pontuação ajustada, Piastri volta à briga. O australiano está empatado com Verstappen e pode, teoricamente, entrar em vantagem caso o holandês encontre dificuldades. Seu ritmo em 2025 tem sido muito forte, mas as últimas corridas mostraram um nervosismo que culminou em uma série de erros e acabaram

Se a McLaren resolver seus problemas e Piastri encaixar um fim de temporada perfeito, ele pode se tornar um fator inesperado na matemática que definirá o campeão.

(Foto: Motorsport Images)